Prólogo

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GENTE, COMENTEM PARA EU TER NOÇÃO DO QUE VOCÊS ESTÃO ACHANDO!

   

MIKAELA (21 anos atrás)

Mikaela Erickson, filha adotiva de Hela e Njal Erickson, teve seu destino transformado ainda na infância. Durante uma viagem de férias ao Brasil, o casal norueguês e seu filho Andreas conheceram a pequena Mikaela, então com apenas cinco anos, durante um passeio ao MASP, em São Paulo.

A menina, encantada por um quadro que retratava uma família feliz em um piquenique no parque, acabou se distraindo e se perdeu do grupo do orfanato ao qual pertencia. Ao perceber que estava sozinha, sentou-se no chão e começou a chorar.

— Olá, por que está chorando, pequena? — perguntou um rapaz de sotaque diferente.
Mikaela hesitou. As freiras sempre diziam para não falar com estranhos, mas o sorriso simpático do jovem a confortou.

— Me perdi dos meus amigos e das freiras — disse, soluçando.

— Calma, a gente vai encontrar eles — respondeu ele, gentil.

Antes que pudesse perguntar mais alguma coisa, um casal se aproximou.

— Filho, o que está acontecendo aqui? — perguntou o homem.

— Encontrei essa menininha sentada aqui, pai. Ela disse que está perdida — respondeu o jovem.

— Olá, pequena. Meu nome é Hela, e estes são meu marido, Njal, e meu filho, Andreas. Qual é o seu nome? — perguntou a mulher com um sorriso acolhedor.

— Me chamo Mikaela, mas pode me chamar de Mika... Por que vocês falam tão engraçado? — perguntou a menina, já sem lágrimas, despertando risos no grupo.

— Nossa voz é diferente porque somos da Noruega, um país bem longe daqui — explicou Njal, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar.

Pouco depois, encontraram as freiras que a procuravam desesperadamente.

— Onde você estava, menina? Estávamos todos aflitos! — disse a irmã Soledade, abraçando-a.

— Eu estava vendo aquele quadro, aí quando olhei, todo mundo tinha sumido... Mas o André e a família dele me ajudaram a achar vocês — explicou, confundindo o nome do novo amigo, fazendo todos sorrirem.

Enquanto Mika apresentava Andreas aos colegas do orfanato, os Erickson pediram para conversar com a freira em particular. Na lanchonete do museu, iniciaram um diálogo que mudaria o destino da menina para sempre.

Mika não imaginava que, após um ano e meio de trâmites, teria finalmente a família que sempre sonhou — uma família que lhe daria amor, apoio e proteção diante de todas as adversidades da vida.

  SOREN  ( 5 anos atrás)

     Soren Andersen, então com 30 anos, era um empresário bem-sucedido no ramo do turismo. Noivo de Erin, levava uma vida confortável, respeitada e aparentemente perfeita.

— Soren, você não vai mesmo à inauguração da boate da Sophie? — perguntou Erin, já pronta para sair.

— Não, meu amor. Mas manda meus parabéns pra ela — respondeu ele, concentrado nos relatórios da empresa.

— Tudo bem. Só não trabalha até tarde, você precisa descansar — disse ela, dando-lhe um beijo antes de sair.

Horas depois, ao terminar o trabalho mais cedo do que o esperado, Soren se arrependeu de não ter ido com a noiva.

— Se soubesse que ia acabar logo, teria ido com a Erin — murmurou, até que o telefone tocou.

Ligação on:

— E aí, irmão, vai mesmo ficar em casa hoje? A inauguração tá bombando! — disse Erik, seu irmão.

— Não ia, mas terminei tudo por aqui. Acho que vou sim.

— Ótimo! Me arrumo e passo aí em vinte minutos.

Ligação off.

Quarenta minutos depois, os irmãos já estavam na boate, lotada de gente.

— Vou pegar uma bebida. Quer alguma coisa? — perguntou Erik.

— Não, vou procurar a Erin. Tentei ligar pra ela, mas não atende.

Soren caminhou entre as pessoas, até avistar Sophie na área VIP.

— Sophie! Parabéns pela inauguração, tá incrível. Você viu a Erin?

— Obrigada! Ela foi ali, na direção dos banheiros — respondeu, antes de se afastar.

Soren seguiu para os banheiros. Uma moça saía do feminino, e ele perguntou se havia visto uma mulher loira, de vestido azul. Ela negou.

Sem resposta, algo dentro de Soren o inquietava. Resolveu entrar no banheiro masculino para se refrescar. Estava calor, o ambiente abafado. No lavabo, jogou água no rosto — e então ouviu algo.

Um toque de celular. 

O som vinha de dentro de uma das cabines. Logo depois, uma voz familiar:

— Desliga essa merda logo! — disse alguém, irritado.

— É o Soren... ele já ligou várias vezes! — respondeu outra voz. Erin.

O mundo de Soren parou.

Transtornado, com um misto de raiva, decepção e incredulidade, ele arrombou a porta da cabine com um chute.

Ali estavam Erin — sua noiva — e Alan, seu melhor amigo.

— QUE PORRA É ESSA, ERIN?! E VOCÊ, ALAN?! — gritou, com os punhos cerrados.

— Eu posso explicar... — disse Erin, tentando se recompor.

— Fique longe de mim! Tenho nojo de você! — vociferou Soren, desviando o olhar.

— E você, Alan? Eu te chamava de irmão!

— Simples. Você tem tudo. Tudo que eu queria. Peguei sua noiva pra mostrar que ela só tá com você por interesse — respondeu Alan com desprezo.

Tomado pelo ódio, Soren avançou e começou a socar Alan. De longe, ouviu Erin gritar por socorro.

— Soren! Para! Você vai matar ele!

Erik apareceu e o puxou com força.

— Solta ele, irmão! Ele não vale isso. Não estraga sua vida por causa dessa vadia... e desse verme.

Depois daquela noite, Soren nunca mais foi o mesmo. O homem alegre e confiante deu lugar a alguém frio, recluso e desconfiado — especialmente com mulheres. Entregou a direção da empresa a Erik, e foi viver sozinho na pacata cidade de Flåm, no interior da Noruega. Lá, afastado do mundo, tornou-se lenhador.

E ganhou um novo nome entre os moradores da cidade: "O Viking."

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O viking em minha vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora