O caminho até sua casa carregava um clima tenso. Anne balançava as pernas freneticamente, e Elise parecia que iria explodir a qualquer momento.
— Senhorita, precisa se acalmar, está muito nervosa!
— Como irei me acalmar, Anne? Me prometeu nunca esconder nada, e agora isso? Deveria ter me contado que, além de noiva, sou de um dos filhos do duque! — Eles nunca tiveram segredos, e algo assim a feria profundamente. Esperava que seu pai tivesse um bom motivo. Na verdade, já temia o que de fato motivou esse noivado.
— Ele deve ter um bom motivo! Ele é seu pai, nunca faria nada para lhe causar mal.
— Apenas para me magoar profundamente... — disse ela em um suspiro.
.....
Enfurecida, Elise abriu a porta sem bater, e Gregory dirigiu um olhar assustado para a entrada. Ele ajeitou seus lorgnettes com expressão de dúvida. Elise não lhe dirigiu a palavra, apenas o encarava, irritada, até que seu pai perguntou:
— Está tudo bem, minha querida? Aconteceu algo? — Ele soltou os papéis que lia e se recostou na cadeira.
— Pretendia me contar?
Seu pai se remexeu, parecendo desconfortável.
— Querida... estava pensando em como lhe contar.
— A princípio, fiquei um tanto surpresa, mas logo me perguntei o porquê e cheguei a uma conclusão. As cartas enviadas e que chegam com frequência são dos Bradford. O senhor deve para eles, não é?
O homem ficou tenso. O poder de observação sempre fizera parte de Elise, para a sorte dela e o azar das pessoas ao seu redor.
— O senhor tem dívidas com valores inimagináveis, as quais não pode pagar. Apostas que perdeu. Promessas que não cumpriu. Prometeu minha mão a um dos filhos de Vossa Graça como pagamento, não é isso?
— Não tive escolha, não havia outra opção. — Isso era verdade. Ele não tinha de onde tirar o dinheiro e não poderia simplesmente fazer um empréstimo para pagá-la. Tentava se convencer de que ela poderia ser feliz ao lado dele... mas isso cabia a ela decidir.
— Mas por que não me contou? Por que escondeu? Eu sabia que esse momento chegaria, mas tentava não pensar. Como fui tão tola ao acreditar que o senhor me deixaria escolher meu marido? Acreditei que confiaria em mim, que me deixaria tomar essa decisão, mas agora vejo como estava errada.
— Estava reunindo coragem... Não queria ter tomado essa decisão. — De repente, perguntou-se quem havia contado a ela, já que somente ele e o duque sabiam.
Então, Elise pareceu entrar em sua mente e lhe respondeu:
— Encontrei James Bradford em minha caminhada ao parque. Imagine minha surpresa ao descobrir que iria me casar nos próximos meses com um homem que nem conhecia.
A feição de seu pai estava cansada, mas ela estava extremamente chateada. Sentia-se traída.
— Vossa Graça queria lhes apresentar no baile de boas-vindas da família Bradford.
— Ao menos irá me falar quando será o baile? Ou será mais um segredo da minha vida que devo ignorar? — Ela entendia o lado do pai, mas não havia o perdoado.
Ele suspirou antes de responder:
— Será daqui a três dias.
Elise estava furiosa com a atitude de seu pai, mas tinha um dever a cumprir. Gostando ou não, se casaria com James Bradford. Já se dirigia à porta quando seu pai a chamou:
— Elise... me desculpe. Mas dê uma chance a James. Parece ser um bom homem. Lhe fará feliz.
— Você não pode decidir isso, pai. — Se ao menos o relacionamento deles não começasse com mentiras, já seria um grande avanço.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
