Capítulo III

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      O caminho até sua casa carregava um clima tenso. Anne balançava as pernas freneticamente, e Elise parecia que iria explodir a qualquer momento.

— Senhorita, precisa se acalmar, está muito nervosa!

— Como irei me acalmar, Anne? Me prometeu nunca esconder nada, e agora isso? Deveria ter me contado que, além de noiva, sou de um dos filhos do duque! — Eles nunca tiveram segredos, e algo assim a feria profundamente. Esperava que seu pai tivesse um bom motivo. Na verdade, já temia o que de fato motivou esse noivado.

— Ele deve ter um bom motivo! Ele é seu pai, nunca faria nada para lhe causar mal.

— Apenas para me magoar profundamente... — disse ela em um suspiro.

.....

Enfurecida, Elise abriu a porta sem bater, e Gregory dirigiu um olhar assustado para a entrada. Ele ajeitou seus lorgnettes com expressão de dúvida. Elise não lhe dirigiu a palavra, apenas o encarava, irritada, até que seu pai perguntou:

— Está tudo bem, minha querida? Aconteceu algo? — Ele soltou os papéis que lia e se recostou na cadeira.

— Pretendia me contar?

Seu pai se remexeu, parecendo desconfortável.

— Querida... estava pensando em como lhe contar.

— A princípio, fiquei um tanto surpresa, mas logo me perguntei o porquê e cheguei a uma conclusão. As cartas enviadas e que chegam com frequência são dos Bradford. O senhor deve para eles, não é?

O homem ficou tenso. O poder de observação sempre fizera parte de Elise, para a sorte dela e o azar das pessoas ao seu redor.

— O senhor tem dívidas com valores inimagináveis, as quais não pode pagar. Apostas que perdeu. Promessas que não cumpriu. Prometeu minha mão a um dos filhos de Vossa Graça como pagamento, não é isso?

— Não tive escolha, não havia outra opção. — Isso era verdade. Ele não tinha de onde tirar o dinheiro e não poderia simplesmente fazer um empréstimo para pagá-la. Tentava se convencer de que ela poderia ser feliz ao lado dele... mas isso cabia a ela decidir.

— Mas por que não me contou? Por que escondeu? Eu sabia que esse momento chegaria, mas tentava não pensar. Como fui tão tola ao acreditar que o senhor me deixaria escolher meu marido? Acreditei que confiaria em mim, que me deixaria tomar essa decisão, mas agora vejo como estava errada.

— Estava reunindo coragem... Não queria ter tomado essa decisão. — De repente, perguntou-se quem havia contado a ela, já que somente ele e o duque sabiam.

Então, Elise pareceu entrar em sua mente e lhe respondeu:

— Encontrei James Bradford em minha caminhada ao parque. Imagine minha surpresa ao descobrir que iria me casar nos próximos meses com um homem que nem conhecia.

A feição de seu pai estava cansada, mas ela estava extremamente chateada. Sentia-se traída.

— Vossa Graça queria lhes apresentar no baile de boas-vindas da família Bradford.

— Ao menos irá me falar quando será o baile? Ou será mais um segredo da minha vida que devo ignorar? — Ela entendia o lado do pai, mas não havia o perdoado.

Ele suspirou antes de responder:

— Será daqui a três dias.

Elise estava furiosa com a atitude de seu pai, mas tinha um dever a cumprir. Gostando ou não, se casaria com James Bradford. Já se dirigia à porta quando seu pai a chamou:

— Elise... me desculpe. Mas dê uma chance a James. Parece ser um bom homem. Lhe fará feliz.

— Você não pode decidir isso, pai. — Se ao menos o relacionamento deles não começasse com mentiras, já seria um grande avanço.

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