A música tocada era uma valsa. Rodopios e sorrisos eram compartilhados, conversas trocadas, olhares carregados de emoção... Por outros casais, claro. Elise e James, no entanto, permaneceram em silêncio até que ele finalmente perguntou:
— O baile está de seu agrado, senhorita?
— Não tenho o hábito de frequentar bailes, milorde, mas nunca estive em um de tamanha grandeza e beleza. E o senhor?
— Não sou o maior admirador de bailes, ainda mais sendo filho de um duque. A cada passo dado, há sempre alguma debutante ou mãe tentando nos alcançar.
Ela entendeu perfeitamente a quem ele se referia ao dizer "nós"—todos os filhos da família Bradford.
— Ao menos, agora não de mim. Nem todos sabem que estou comprometido, mas irei anunciar o noivado esta noite. Sendo seu noivo e futuro marido, me chame de James, por favor.
— Então, James, pode me chamar de Elise. — Ela não esperava que o anúncio fosse feito tão rapidamente.
Ele hesitou por um instante antes de continuar:
— Desculpe ser direto... Mas o que pensa sobre filhos?
A pergunta a pegou desprevenida. Elise nunca havia refletido profundamente sobre o assunto. Sim, desejava ser mãe um dia, mas havia tantas outras coisas que queria conquistar antes...
— Gostaria, sim, de ser mãe... Mas creio que ainda seja um tanto cedo. Gostaria de estabilizar minha vida ao lado de meu marido primeiro.
— Uma resposta incomum. — disse ele, esboçando um sorriso.
— O que quer dizer, milorde?
— Muitas damas diriam que desejam ser mães o quanto antes.
— Não sou como as damas com quem está acostumado, milorde.
A resposta pegou James de surpresa, e Elise sentiu-se um pouco incomodada. Por sorte, a orquestra tocou os últimos acordes, encerrando a dança.
— Foi uma honra, milorde. — disse ela, fazendo uma pequena reverência.
— Igualmente, senhorita. Poderia me conceder outra dança? — Ele parecia ansioso de certa forma. Elise não queria aceitar, mas tampouco desejava criar um ambiente hostil.
— Certamente, milorde. Mas poderia me dar um minuto? — O ambiente estava ficando mais quente, e ela precisava de ar.
Ele assentiu. Elise se dirigiu à mesa de bebidas e pegou uma limonada, azeda demais para seu gosto, mas surpreendentemente refrescante.
— Aparenta ser doce, mas é azeda quando se prova. — disse uma voz, roubando sua atenção.
Elise se virou e se deparou com o Conde.
— Perdão? — Esse homem, novamente?
— Não acha que foi desrespeitoso debochar de mim na frente de Vossa Graça?
— Não fui imprópria, apenas lhe fiz uma pergunta. Me desculpe se o ofendi de alguma maneira. — Ela feriu todo seu orgulho ao pedir desculpas. Ele não merecia, mas havia prometido a si mesma que não causaria nenhuma confusão.
— Então, na próxima, fique de boca calada. — Sua expressão era rígida, mas Elise não deixaria barato.
— Quem o senhor pensa que é para falar assim comigo? Não pode me desrespeitar dessa maneira. — Ela não aceitaria mais desrespeito vindo daquele homem.
— Sou um Conde. — Ele disse como se fosse algo digno de reverência.
— Para que lhe serve o título se não age como tal? Seu título não garantirá respeito, mas sim suas atitudes.
— Como ousa?! — exclamou ele, sobressaltado.
— Se o senhor me der licença.
Elise já estava furiosa. Ele era arrogante e prepotente. Estava acostumada com homens de ego inflado, mas nenhum deles era tão desprezível quanto ele. Saiu apressadamente em direção à porta lateral que dava para o jardim.
Ao pisar na grama, uma brisa gelada atingiu seu rosto—talvez isso a ajudasse a relaxar. Caminhando, encontrou e entrou em um pequeno labirinto no jardim. Ele era cercado por diversas flores, em sua maioria camélias brancas. Elas não tinham grande destaque em meio à escuridão, mas ainda assim eram notáveis.
Após virar em alguns corredores do labirinto, chegou a um banco ao lado de um chafariz, cujas quedas d'água formavam um espetáculo bonito e sereno. Elise se sentou no banco de madeira e contemplou a vista. Precisava espairecer depois dos desaforos ditos pelo Conde. Seus batimentos estavam acelerados, e uma gota de suor escorreu por sua testa.
Aquela noite estava longe de ser boa.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
