Elise se sentia péssima. Esquecera de perguntar à duquesa sobre seu pai antes que ela se retirasse do quarto — mas também sentia receio de tentar se levantar novamente e cair, como acontecera antes. Estava tão imersa em seus pensamentos que nem percebeu a porta se abrindo.
— Senhorita Elise? — a voz do mordomo soou calorosa, acompanhada de um sorriso sincero ao vê-la acordada. — Ainda bem que não eram apenas boatos. A senhorita se sente bem?
— Me sinto bem... agora.
— O senhor Bradford gostaria de falar com a senhorita em seu escritório. Antes do jantar.
— Está bem, senhor Joseph. Obrigada. Há alguma notícia sobre meu pai?
— Sim. Ele acordou e está muito melhor, mas ainda precisa permanecer de cama. Está hospedado na casa de um velho amigo de Vossa Graça, que era mais próximo do local do acidente. Ainda não pode ser transferido para cá... sinto muito.
— Só de saber que está melhor já me deixa aliviada. Muita coisa aconteceu desde ontem?
— Ontem?
— Quero dizer... desde que desmaiei.
O mordomo hesitou.
— Senhorita... já se passaram duas semanas desde o acidente.
Elise arregalou os olhos, alarmada. Como podia ter dormido por tanto tempo? Como tudo parecia ter acontecido apenas no dia anterior?
— Pensei que soubesse... Mas, pelo menos, consegue se lembrar de tudo o que houve. Vou deixá-la descansar por enquanto.
Após uma breve reverência, Joseph saiu. O quarto estava silencioso e banhado por uma luz dourada e suave — o sol começava a se esconder por trás das copas das árvores, tingindo o céu de tons alaranjados. Estava quase anoitecendo.
Elise permanecia sentada na cama, um livro repousando sobre o colo. Havia passado as últimas horas alternando entre a leitura e os próprios pensamentos, buscando nas páginas alguma distração da realidade. Mas nem mesmo as palavras escritas conseguiam silenciar a inquietação em seu peito.
Ainda atônita com tudo o que descobrira, ponderava a possibilidade de se levantar. Por fim, tomou coragem. Suas pernas, embora instáveis, começavam a dar sinais de firmeza, ainda que ela precisasse se apoiar nas paredes para atravessar o quarto.
— Senhorita Elise! — exclamou a criada ao vê-la em pé. — Por que está de pé?
— Vossa Graça pediu para falar comigo.
— Tenho quase certeza que ele virá conversar com você.
--- Eu irei até ele, já estou cansada de ficar deitada.
Mesmo incomodada, a Ada ajudou-a a se arrumar. Vestiu um simples vestido azul-marinho, sem estampas. Assim como Amy disse, finalmente tinha suas próprias roupas graças ao duque. Os cabelos, soltos, caíam com naturalidade sobre os ombros.
— Precisa de mais alguma coisa, senhorita Elise?
— Acredito que não, obrigada, Ada.
O corado havia enfim retornado ao rosto de Elise. Mas havia algo em sua mente que martelava: O que o duque queria com ela? Afinal, nenhum detalhe sobre o casamento fora discutido até então — nem a data, nem o local, muito menos se seria algo íntimo ou uma cerimônia grandiosa. Provavelmente a segunda opção. Os Bradford eram ricos, influentes. A sociedade esperava um casamento memorável, um espetáculo. Será que era sobre isso que ele gostaria de conversar?
Caso fosse, Elise nunca se importara com pompa ou ostentação. Sonhava com algo acolhedor, leve, com risos sinceros — não com sussurros maldosos em cada canto, nem damas bajulando homens que não amavam. James talvez valorizasse as aparências, mas ela acreditava que o essencial em uma união fosse a ternura. E, por enquanto, ela e James ainda estavam aprendendo como amar.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
