Capítulo VIII

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 Elise retornou ao salão e logo avistou seu pai e o duque.

— Por onde andou, minha querida? Estava ficando preocupado. — perguntou seu pai.

— Me perdi no labirinto do jardim. Sabia que não deveria ter ido, mas minha curiosidade foi maior. — explicou ela, mentindo e tentando esconder o braço.

Contudo, foi exatamente isso que o duque notou primeiro.

— O que houve com seu braço? — Ele aparentava certo susto.

— E-eu escorreguei e caí quando estava voltando.

O duque estreitou os olhos.

— E machucou os dois braços? Não sabia que a grama havia criado mãos.

Elise desviou o olhar. Nunca fora boa em mentir.

— Depois que o baile acabar, irá me contar exatamente o que aconteceu. Até lá, fique por perto de alguém. Entendeu?

Ela assentiu, enquanto seu pai, ainda desconfiado, mantinha uma expressão de dúvida. O duque, por outro lado, já circulava pelo salão, cumprimentando seus convidados. Seu pai não lhe dirigiu mais perguntas por enquanto, o que lhe trouxe um certo alívio.

Foi então que James se aproximou, ao lado de Thomas.

— Elise está de volta. Achei que tivesse ido embora. — Seu olhar recaiu sobre seu braço, agora ficando roxo. — O que aconteceu?

— Estava no jardim, me perdi, tropecei e caí... Preciso prestar mais atenção. — disse ela, tentando esboçar um sorriso discreto.

Seu olhar encontrou o de Thomas, que a observava de forma indecifrável.

— Ah, quase me esqueci. Elise, este é meu irmão, Thomas.

Ela não sabia como reagir. Já conhecia Thomas—ele a ajudara no "incidente" do jardim. Mas ele foi mais rápido. Fez uma reverência e disse:

— É um prazer conhecê-la, senhorita.

— Igualmente, milorde. — Se ele fingia que não se conheciam, ela jogaria junto.

James estendeu-lhe a mão.

— A última dança desta noite?

— É claro.

Ela precisava distraí-los o mais rápido possível para evitar mais perguntas desconfortáveis.

Despediu-se de seu pai e Thomas e seguiu para a área de dança. Desta vez, seria uma quadrilha—uma dança animada. Por um instante, Elise sentiu-se culpada por não poder conversar muito com James. Ainda se sentia estranha sobre o que acontecera no jardim. E, sobretudo, por Thomas fingir que não a conhecia.

Nenhuma palavra foi trocada durante a dança. Nem olhares. No entanto, ao redor do casal, todos observavam e cochichavam.

"Quem é ela? Será que conquistou o filho mais novo do duque?" "Como alguém se apaixonaria por ela?"

James se inclinou discretamente e sussurrou em seu ouvido:

— Não ligue para esses comentários ridículos.

Ela apenas assentiu. Elise detestava fofocas, principalmente quando diziam respeito a ela—ainda mais quando eram absurdas.

..............

Nos últimos acordes da música, o duque chamou a atenção em meio ao grande salão.

— Caros convidados, gostaria de agradecer a presença de todos e desejar uma ótima temporada! — Uma salva de palmas ecoou pelo salão. — E, com isso, trago uma grande notícia. Meu filho James está noivo e se casará nesta temporada com a senhorita Elise Floren! Uma salva de palmas para o casal!

Os aplausos foram entusiasmados, como esperado, mas as debutantes mal conseguiam esconder seu desgosto. Elise sentiu o rosto queimar de vergonha. Não pela atenção, mas pelo temor de que alguém notasse seu rosto inchado pelo choro ou desviasse o olhar para seus braços marcados.

Após o anúncio, várias famílias se aproximaram para parabenizá-los.

"Felicidades ao casal!" "Acredito que deve estar feliz por se integrar à família Bradford." "Sua noiva é muito bonita, homem de sorte."

Porém, alguns comentários—especialmente os feitos por mães ambiciosas—soavam ácidos.

No canto do salão, conversava com algumas jovens curiosas.

— Elise, nos conte! Como conquistou o coração de James?

Uma ótima pergunta. Até ela queria saber a resposta.

— Ainda estamos nos conhecendo! Ele é um bom homem, e estamos muito felizes com o noivado. — Muito felizes era uma ótima hipérbole.

— E como se conheceram? A família ainda não havia retomado as atividades sociais!

— Nossos pais nos apresentaram! Nos conhecemos durante uma caminhada no parque. Temos muito em comum!

"Talvez bons fingidores fosse uma característica em comum!"

— Sério? Quais?

"Elas não poderiam facilitar?" Aqueles olhos dóceis escondiam as piores intenções.

— Bom, nós...

— Ambos amam ler! — interrompeu Amy, vindo em seu auxílio. Sua cunhada já a salvava!

— Sério? Ouvi dizer que seu irmão tem certa aversão aos livros.

"Quem não gosta de ler?"

— Ah, mais um desses boatos! Esse é um dos segredos dele. — disse Amy com uma risadinha. — Bom, mas agora, se me permitem, vou roubar Elise um pouco de vocês.

Amy tomou Elise pelo braço e, conforme se afastavam, ela sussurrou:

— Obrigada por me salvar do interrogatório!

— Sem problemas! Agora você será o centro das atenções!

— Deve ser um grande desafio para vocês.

— Estamos acostumados. Especialmente Thomas, como pode ver.

Lá estava o herdeiro cercado por diversas senhoritas, que piscavam os cílios e balançavam seus leques delicadamente. Mas, se pudessem, talvez jogassem taças umas nas outras.

— Espero agir tão naturalmente quanto ele...

— Você não estará sozinha! Todos iremos ajudar você e James a se acostumarem com essa atenção. Mas o que achou dele?

— C-como?

"Essa pergunta será pior do que o interrogatório das senhoritas."

— Meu irmão! Gostou dele?

— Bom... Ele de fato é muito gentil e educado, mas precisamos conversar muito ainda.

Esperava que essa resposta bastasse.

— Fico feliz! James é muito especial, é o mais tímido de nós, mas tem um grande coração.

"De fato, foi o que achei."

— Mas e você? Algum pretendente lhe chamou atenção?

Amy começou a ruborizar. Com certeza havia alguém.

— Ninguém, m-mas espero encontrar alguém nes-sa temporada. Quem sabe eu me case, né? — Suas mãos se mexiam freneticamente. Se ela estava nervosa assim, deveria ser mesmo um grande segredo! — Mas, enfim, adorei lhe conhecer. Mais uma mulher nesta família além de minha mãe! Amo meus irmãos, mas às vezes é sufocante. E você, tem irmãos?

— Não. Somos apenas eu e meu pai.

— Bom, mas você ganhou cinco novos integrantes para sua família!

Elise nunca havia pensado assim, mas era reconfortante. Talvez tivesse encontrado uma amiga.

— Sim, acredito que iremos nos dar muito bem!

Conforme o baile prosseguia, Elise começou a se acostumar com os olhares. Conversar com Amy a deixava mais relaxada. No entanto, conforme o evento se aproximava do fim, ela sabia o que lhe aguardava. E não poderia escapar—mesmo que fosse o que mais desejasse.

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