Capítulo XVII

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     Ao olhar pela fresta, Elise viu Thomas e Amy conversando em sussurros. Amy gesticulava com veemência, como se estivesse repreendendo o irmão, enquanto Thomas mantinha o olhar baixo e os braços cruzados. Ele parecia irritado, e em determinado momento, explodiu, permitindo que Elise ouvisse claramente suas palavras.

— Eu simplesmente não posso, Amy! Preciso de uma duquesa, e se nosso pai ou James descobrirem...

— Eu e mamãe já reparamos, Thomas. Uma hora, você não vai conseguir fingir nem esconder mais. Diga a James o que sente, seja lá o que for! Logo ele estará casado com Elise, todos voltaremos para Bradford, e então será tarde demais. Escute-me, pelo menos uma vez.

Thomas balançou a cabeça, frustrado.

— Vou me afastar. É o melhor.

— Isso só vai te machucar mais. Diga logo a James.

— Dizer o quê? Que eu... — Ele se interrompeu, passando uma mão pelo rosto antes de soltar um suspiro pesado. — Quando todos voltarem para Bradford, ficarei em Londres para buscar minha duquesa.

Amy estreitou os olhos, exasperada.

— Você sabe o que penso. Mas se quer se enganar, faça isso sozinho.

Ela se virou para sair.

Elise, ainda intrigada com a conversa, não teve tempo de fugir ou se esconder. Seu coração acelerou, mas já era tarde. Decidiu agir antes que fosse descoberta e abriu a porta.

Amy parou imediatamente, seus olhos ligeiramente arregalados. Thomas também olhou em sua direção.

— Elise? O que faz de pé? Disse que não conseguia se levantar... — Thomas começou a caminhar até ela, a expressão carregada de preocupação.

— Não consegui ficar na cama... Precisei andar.

— Está se sentindo bem?

Elise tentou responder, mas o mundo à sua volta começou a girar. A voz de Thomas chamando seu nome se tornou apenas um sussurro distante. Amy parecia inquieta, e Thomas avançou rápido, segurando-a antes que caísse.

O último fragmento de consciência de Elise se dissipou, e então tudo escureceu.

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 EEm sua mente, tudo era um vazio negro, mas Elise conseguia ouvir as vozes ao seu redor.

— O que aconteceu, Thomas? — A voz grave, mas doce, era inconfundível. James.

— Eu e Amy estávamos conversando na biblioteca quando Elise entrou. Perguntei se estava bem, mas, de repente, começou a ficar inconsciente.

James hesitou, e sua descrença era evidente.

— Está duvidando de mim, irmão? Acha que fiz mal a ela?

James soltou um suspiro frustrado.

— Toda vez que você está por perto, algo acontece com ela. No jardim, o corte na mão... Agora, desmaia diante de você. Me desculpe por desconfiar, mas não posso ignorar isso.

Thomas cerrou os punhos.

— Pergunte a Amy, então! Ela estava lá!

A voz firme do duque interrompeu a tensão.

— Acalmem-se! James, seu irmão jamais machucaria Elise. Se tivesse feito algo, ela teria dito.

James cruzou os braços, irritado.

— Mas não a ele, pai. Desde o baile, ele passou a ignorá-la.

Thomas soltou uma risada amarga.

— Como ousa? Acha que conhece minha noiva tão bem?

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