Capítulo XXVII

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Eles sustentaram o olhar por instantes que pareceram eternos, como se o silêncio entre eles dissesse mais do que qualquer palavra. Por fim, Thomas se inclinou e, com ternura, selou a despedida com um último beijo.

Elise ainda estava atordoada quando abriu a porta. Fitou Thomas por sobre o ombro, a mão na maçaneta, mas não conseguiu fechá-la. Deu um passo para fora e o beijou — desta vez com o corpo colado ao dele, conduzindo-o com passos trêmulos até o quarto.

— Elise... — murmurou ele, interrompendo o beijo. Os olhos haviam escurecido, e sua respiração agora era entrecortada. — Eu não devia estar aqui — disse, com a voz rouca.

— Eu sei... mas não me importo — sussurrou ela, antes de buscá-lo novamente com os lábios.

Thomas soltou um grunhido ao sentir o beijo e a puxou com força. Com um chute, fechou a porta e a pressionou contra ela. Elise mal conseguia respirar — era como se ele roubasse todo o ar que ela tinha. Quando ele se afastou, foi apenas para tirar sua capa, revelando o vestido por baixo.

Ela não percebeu quando foi erguida do chão e deitada suavemente sobre a cama. Thomas desceu os beijos por seu pescoço, ombro e clavícula, até alcançar seus seios. Elise soltou um gemido baixo ao sentir a mão dele em sua coxa, descendo lentamente...

Foi quando bateram na porta.

— Elise? — Era Amy.

Thomas se afastou de súbito. Elise mal conseguia pensar — o pânico tomou conta.

Respirou fundo e caminhou até a porta, tentando manter a compostura.

— Oi, Amy! — disse, abrindo com um sorriso trêmulo.

— Está tudo bem?

— S-sim, claro!

— Ouvi uma porta batendo forte e... você está ofegante e vermelha. Está mesmo bem?

— Está tudo certo, não se preocupe! A porta... acho que nem notei.

— Humm... tudo bem. Boa noite.

Elise quase desabou de alívio ao ver Amy se afastar.

Quando fechou a porta, ouviu Thomas atrás de si:

— Elise, me desculpe. Eu não deveria ter...

Ela se aproximou rápido e segurou o rosto dele.

— Não se desculpe. Não me arrependo nem um pouco. Nem disso... — corou, e um sorriso surgiu no rosto dele — e nem de hoje. Não mudaria nada.

Ele a puxou pela cintura e beijou sua testa com ternura.

— Não diga essas coisas... me dá vontade de ficar.

— Eu quero que você fique — murmurou, ainda corando — mas talvez não devesse chutar a porta outra vez. Amy pode acordar.

A risada dele preencheu o quarto.

— Foi desesperado mesmo... mas a culpa foi...

Elise o beijou de novo, viciada naquele riso, naquele toque. Um beijo casto, delicado.

— Céus, Elise, se eu não for agora...

— Tudo bem. — Ainda assim, ela o abraçou forte.

— Boa noite. Vou sentir sua falta.

— Eu também — sussurrou, sentindo um vazio quando ele se foi. Mal havia partido, e ela já sentia saudade.

Mas logo bateram à porta novamente. Seria ele? Um sorriso surgiu — e morreu ao ver Amy.

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