Os arbustos floridos os cercavam, criando um refúgio sutil do restante do campo. James parou de andar e, voltando-se para Elise, falou em tom contido:
— Desculpe por ter sido um idiota. Fui imaturo, eu sei... Mas quando você disse que não me amava...
— Sentiu-se rejeitado. Eu entendo, James. Não o culpo. — Ela fez uma pausa breve. — Mas... perdoe se estou sendo indelicada, como foi sua história com Lady Marie?
James a fitou, surpreso.
— Como soube disso?
— Eu ainda não havia acordado, mas... ouvia tudo ao meu redor.
James desviou o olhar, pensativo.
— Lady Marie foi o amor da minha vida. A única mulher que amei. Mas ela não sentia o mesmo, era apaixonada por outro. Quando revelei meus sentimentos, ela não me recusou. Fez-me acreditar que também me amava. Foi cruel... Mas, mesmo assim, a amei. E nunca me arrependi disso.
— Como conseguiu amá-la, mesmo depois que ela o feriu dessa forma?
— Amar é... aceitar a dor. É tentar compreender o outro. Acredito que ela não queria me machucar, mas deveria ter sido honesta. Ainda assim, eu a entendo — por mais difícil que seja.
Elise o observava, tocada. Como não considerara a dor que James carregava? Ele era seu futuro noivo... e ela sequer tentara compreender seus sentimentos.
Num gesto súbito, e quase involuntário, ela o abraçou. James ficou imóvel por um momento, mas logo retribuiu o gesto, apertando-a com leveza. Permaneceram assim por algum tempo, até que se afastaram. Seus olhos se encontraram em silêncio.
James tocou o rosto de Elise — estava frio pela brisa que soprava, mas o calor de sua mão lhe trouxe um conforto inesperado. Aproximou-se, devagar, e seu olhar — intenso e vulnerável — prendia o dela.
Quando seus rostos finalmente se tocaram, Elise se surpreendeu. James a beijara. E, ainda que surpresa, não se afastou. Havia ternura naquele gesto. Sem pensar, ela passou os braços ao redor do pescoço dele; James envolveu sua cintura com carinho.
Foi um beijo doce, sutil, cheio de uma calma que contrastava com a confusão em seus corações. Ao se afastarem, não disseram nada — mas os olhares revelavam tudo o que ainda não haviam pronunciado.
James suspirou e, com a voz mais baixa, murmurou:
— Elise... eu sinto muito.
Ela o olhou, surpresa.
— Por tudo — continuou ele. — Por tê-la pressionado. Por não ter te ouvido, nem respeitado o tempo que você precisava. Fui egoísta ao pensar apenas no que sentia... e ainda assim você foi gentil comigo. Eu não merecia sua generosidade, mas mesmo assim a recebi.
Elise o interrompeu com suavidade:
— Não precisa se desculpar. Eu... não pensei em como você se sentia. Estava tão presa ao que me foi tirado, que ignorei o que você também perdeu.
James sorriu, um tanto emocionado.
— Eu só quero que, se houver alguma chance para nós, que ela nasça da verdade. E que possamos nos respeitar sempre.
Então, ouviram um leve ruído entre as árvores. Elise virou-se em direção ao som... era Thomas. Ele surgiu em silêncio, e num instante ela se desvencilhou de James, quase instintivamente.
— É a sua vez, Elise. Perdoe se interrompi algo — disse Thomas, a voz baixa, mas com o sorriso que ela conhecia tão bem... embora agora, quase imperceptivelmente, ele estivesse apagado.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
