Capítulo XXI

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  Os arbustos floridos os cercavam, criando um refúgio sutil do restante do campo. James parou de andar e, voltando-se para Elise, falou em tom contido:

— Desculpe por ter sido um idiota. Fui imaturo, eu sei... Mas quando você disse que não me amava...

— Sentiu-se rejeitado. Eu entendo, James. Não o culpo. — Ela fez uma pausa breve. — Mas... perdoe se estou sendo indelicada, como foi sua história com Lady Marie?

James a fitou, surpreso.

— Como soube disso?

— Eu ainda não havia acordado, mas... ouvia tudo ao meu redor.

James desviou o olhar, pensativo.

— Lady Marie foi o amor da minha vida. A única mulher que amei. Mas ela não sentia o mesmo,  era apaixonada por outro. Quando revelei meus sentimentos, ela não me recusou. Fez-me acreditar que também me amava. Foi cruel... Mas, mesmo assim, a amei. E nunca me arrependi disso.

— Como conseguiu amá-la, mesmo depois que ela o feriu dessa forma?

— Amar é... aceitar a dor. É tentar compreender o outro. Acredito que ela não queria me machucar, mas deveria ter sido honesta. Ainda assim, eu a entendo — por mais difícil que seja.

Elise o observava, tocada. Como não considerara a dor que James carregava? Ele era seu futuro noivo... e ela sequer tentara compreender seus sentimentos.

Num gesto súbito, e quase involuntário, ela o abraçou. James ficou imóvel por um momento, mas logo retribuiu o gesto, apertando-a com leveza. Permaneceram assim por algum tempo, até que se afastaram. Seus olhos se encontraram em silêncio.

James tocou o rosto de Elise — estava frio pela brisa que soprava, mas o calor de sua mão lhe trouxe um conforto inesperado. Aproximou-se, devagar, e seu olhar — intenso e vulnerável — prendia o dela.

Quando seus rostos finalmente se tocaram, Elise se surpreendeu. James a beijara. E, ainda que surpresa, não se afastou. Havia ternura naquele gesto. Sem pensar, ela passou os braços ao redor do pescoço dele; James envolveu sua cintura com carinho.

Foi um beijo doce, sutil, cheio de uma calma que contrastava com a confusão em seus corações. Ao se afastarem, não disseram nada — mas os olhares revelavam tudo o que ainda não haviam pronunciado.

James suspirou e, com a voz mais baixa, murmurou:

— Elise... eu sinto muito.

Ela o olhou, surpresa.

— Por tudo — continuou ele. — Por tê-la pressionado. Por não ter te ouvido, nem respeitado o tempo que você precisava. Fui egoísta ao pensar apenas no que sentia... e ainda assim você foi gentil comigo. Eu não merecia sua generosidade, mas mesmo assim a recebi.

Elise o interrompeu com suavidade:

— Não precisa se desculpar. Eu... não pensei em como você se sentia. Estava tão presa ao que me foi tirado, que ignorei o que você também perdeu.

James sorriu, um tanto emocionado.

— Eu só quero que, se houver alguma chance para nós, que ela nasça da verdade. E que possamos nos respeitar sempre.

Então, ouviram um leve ruído entre as árvores. Elise virou-se em direção ao som... era Thomas. Ele surgiu em silêncio, e num instante ela se desvencilhou de James, quase instintivamente.

— É a sua vez, Elise. Perdoe se interrompi algo — disse Thomas, a voz baixa, mas com o sorriso que ela conhecia tão bem... embora agora, quase imperceptivelmente, ele estivesse apagado.

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