Capítulo XX

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 Naquela manhã, Elise acordou animada — era dia do jogo de croquet. Apesar de jogos ao ar livre não serem seus favoritos, a possibilidade de se acertar com James e de se afastar, ainda que por algumas horas, do ritmo frenético da mansão Bradford, era reconfortante.

Amy entrou no quarto como um raio de entusiasmo inesperado.

— Vamos, Elise, hoje é o grande dia!

— Por que seria um grande dia? — perguntou Elise, ainda se espreguiçando.

— Terei a chance de derrotar meus irmãos mais uma vez!

— Pela sua animação, suspeito que não seja só por isso. Bryan estará lá?

O rubor que tomou o rosto de Amy confirmou a suspeita.

— É provável... Vamos nos arrumar juntas? — disse, mudando de assunto bruscamente.

— Vamos!

Elise escolheu um vestido de seda azul-claro com uma faixa rosa na cintura. Como o clima estava ameno, completou com um bolero rosa-claro que combinava com o chapéu. Amy optou por um modelo vinho com gola de renda branca e chapéu branco. Ambas usavam luvas e sapatos brancos.

No andar inferior, Thomas, James e o duque já as aguardavam. Os irmãos vestiam ternos azul-marinho com gravatas e sapatos pretos. Malcolm, todo de preto, mantinha a austeridade que o definia. O pai de Elise viajara a negócios e não os acompanharia naquele dia.

— Mamãe ainda não desceu? — perguntou Amy.

— Não está se sentindo bem, preferiu não ir — respondeu Malcolm.

— Uma pena — murmurou Elise.

— Vamos, a carruagem nos espera — disse o duque.

Durante o trajeto, o silêncio foi quebrado apenas por Malcolm:

— Já jogou croquet, Elise?

— Nunca, mas sempre tive curiosidade.

— Quando chegarmos, vou lhe mostrar! — disse Amy.

— Aposto que ela já lhe contou por que gosta tanto desse jogo — comentou Thomas, com um sorriso enviesado.

— Disse sim. Principalmente que pretende vencer os senhores mais uma vez.

Os irmãos riram.

— Veremos, irmãzinha — provocou James.

Ao atravessarem um portão prateado, Elise avistou o campo montado: aros e bolas coloridas, tacos organizados por cor e diversos convidados. A cena lhe arrancou um sorriso. Talvez fosse realmente uma manhã leve.

A carruagem parou diante de um chafariz rodeado por mesas com bebidas e aperitivos. Ao fundo, via-se um casarão alaranjado — provavelmente a residência do marquês anfitrião. Para alguém tão solitário, pensou Elise, era uma exibição de luxo quase melancólica.

Assim que desceram, todos os olhares se voltaram para o grupo. Elise já se acostumava à exposição, mas o foco exclusivo sobre si ainda a fazia corar.

— Não se preocupe, eles adoram novidades — sussurrou Thomas, tão perto que seu tom baixo causou-lhe um arrepio. Ele riu.

Amy entrelaçou os dedos nos de Elise e a conduziu pelos convidados, trocando cumprimentos, até avistarem o conde de Jersey e sua mãe.

— Não é necessário cumprimentá-lo — disse Amy.

— Mas seria um escândalo se não o fizéssemos — retrucou Elise.

A família hesitou, mas Malcolm assentiu:

— Faremos o necessário para evitar mais boatos.

Lady Jersey ria de algo que o filho acabara de dizer, mas parou ao vê-los se aproximar. Todos fizeram uma reverência formal.

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