Naquela manhã, Elise acordou animada — era dia do jogo de croquet. Apesar de jogos ao ar livre não serem seus favoritos, a possibilidade de se acertar com James e de se afastar, ainda que por algumas horas, do ritmo frenético da mansão Bradford, era reconfortante.
Amy entrou no quarto como um raio de entusiasmo inesperado.
— Vamos, Elise, hoje é o grande dia!
— Por que seria um grande dia? — perguntou Elise, ainda se espreguiçando.
— Terei a chance de derrotar meus irmãos mais uma vez!
— Pela sua animação, suspeito que não seja só por isso. Bryan estará lá?
O rubor que tomou o rosto de Amy confirmou a suspeita.
— É provável... Vamos nos arrumar juntas? — disse, mudando de assunto bruscamente.
— Vamos!
Elise escolheu um vestido de seda azul-claro com uma faixa rosa na cintura. Como o clima estava ameno, completou com um bolero rosa-claro que combinava com o chapéu. Amy optou por um modelo vinho com gola de renda branca e chapéu branco. Ambas usavam luvas e sapatos brancos.
No andar inferior, Thomas, James e o duque já as aguardavam. Os irmãos vestiam ternos azul-marinho com gravatas e sapatos pretos. Malcolm, todo de preto, mantinha a austeridade que o definia. O pai de Elise viajara a negócios e não os acompanharia naquele dia.
— Mamãe ainda não desceu? — perguntou Amy.
— Não está se sentindo bem, preferiu não ir — respondeu Malcolm.
— Uma pena — murmurou Elise.
— Vamos, a carruagem nos espera — disse o duque.
Durante o trajeto, o silêncio foi quebrado apenas por Malcolm:
— Já jogou croquet, Elise?
— Nunca, mas sempre tive curiosidade.
— Quando chegarmos, vou lhe mostrar! — disse Amy.
— Aposto que ela já lhe contou por que gosta tanto desse jogo — comentou Thomas, com um sorriso enviesado.
— Disse sim. Principalmente que pretende vencer os senhores mais uma vez.
Os irmãos riram.
— Veremos, irmãzinha — provocou James.
Ao atravessarem um portão prateado, Elise avistou o campo montado: aros e bolas coloridas, tacos organizados por cor e diversos convidados. A cena lhe arrancou um sorriso. Talvez fosse realmente uma manhã leve.
A carruagem parou diante de um chafariz rodeado por mesas com bebidas e aperitivos. Ao fundo, via-se um casarão alaranjado — provavelmente a residência do marquês anfitrião. Para alguém tão solitário, pensou Elise, era uma exibição de luxo quase melancólica.
Assim que desceram, todos os olhares se voltaram para o grupo. Elise já se acostumava à exposição, mas o foco exclusivo sobre si ainda a fazia corar.
— Não se preocupe, eles adoram novidades — sussurrou Thomas, tão perto que seu tom baixo causou-lhe um arrepio. Ele riu.
Amy entrelaçou os dedos nos de Elise e a conduziu pelos convidados, trocando cumprimentos, até avistarem o conde de Jersey e sua mãe.
— Não é necessário cumprimentá-lo — disse Amy.
— Mas seria um escândalo se não o fizéssemos — retrucou Elise.
A família hesitou, mas Malcolm assentiu:
— Faremos o necessário para evitar mais boatos.
Lady Jersey ria de algo que o filho acabara de dizer, mas parou ao vê-los se aproximar. Todos fizeram uma reverência formal.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomansaElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
