Elise saiu do camarote e se dirigiu à sala vazia. Na mesa central, um jarro de água aguardava, e ela se serviu. A tontura e a falta de ar aumentavam—talvez fosse o espartilho, apertado demais. Sentou-se, tentando recuperar o fôlego, inspirando e expirando devagar.
A sala era cercada por janelas, e Elise resolveu abrir uma. O ar frio preencheu seus pulmões, trazendo alívio imediato. Respirou por alguns minutos perto da janela, sentindo-se gradualmente melhor.
— Está melhor, Elise?
Ela sobressaltou-se, virando-se rápido demais e derrubando o copo, que se espatifou no chão.
— Ah!
Ao olhar para sua mão, viu o corte. O vidro a ferira.
Thomas se aproximou de imediato e, retirando um lenço branco de seu terno, pressionou-o contra o ferimento. O tecido imaculado se tingiu de vermelho.
— Venha, vamos lavar para evitar infecção.
No canto da sala, havia um pequeno lavatório. Quando a água gelada tocou a pele, Elise soltou um suspiro profundo. Ardência intensa.
— Desculpe tê-la assustado... Queria ver se estava bem.
— Só tive um mal-estar, mas já estou melhor.
Thomas abaixou-se e encontrou uma pequena caixa de primeiros socorros sob o lavatório.
— Achei um curativo.
Elise se sentou ao lado dele no sofá, observando enquanto Thomas enfaixava sua mão. Seus dedos eram cálidos e cuidadosos, sua destreza impressionante. Se alguém não o conhecesse, poderia confundi-lo com um médico.
— Pronto. Teve sorte de não ser profundo... Senão, precisaria de pontos.
— Onde aprendeu?
— Na universidade. Muitas brincadeiras têm consequências sérias... Outras só precisam de curativos.
— Qual dessas você já cometeu?
Thomas sorriu.
— Ambas, provavelmente.
Ela riu, e ele também.
— Minha mãe nunca me permitiu fazer atividades perigosas.
— Ela tem razão, algumas podem ser arriscadas para...
— Mulheres? — Elise o interrompeu, desafiadora.
— Quem não tem instrução, Elise. Mulheres conquistam qualquer coisa, como qualquer um. A diferença é que não têm as mesmas oportunidades e liberdades.
Ela inclinou a cabeça, intrigada.
— Na universidade, conheci uma jovem que sonhava em ser advogada. Quando criança, perdeu os pais em um acidente, mas o responsável nunca foi punido—o dinheiro o protegia da justiça. Ela achava isso uma afronta. Na época, eu ainda tinha uma visão... limitada, e achava que aquele não deveria ser seu sonho. Mas ela mudou minha perspectiva.
Ele sorriu, nostálgico.
— No fim, ela se casou com um advogado. Por mais que jurasse nunca se casar.
Elise o observou atentamente.
— Parece que ela também acrescentou algo à sua visão sobre o amor.
Thomas riu.
— Sim. Ela costumava dizer que odiava os homens, mas me tolerava porque eu era rico e podia ajudá-la.
— E ajudou?
— Indiretamente. Apresentei-a ao meu amigo—o advogado com quem ela se casou.
Elise arqueou a sobrancelha.
— Nunca vi um homem casamenteiro.
— Acredito que tenha contribuído para esse amor. — Thomas colocou a mão no peito de forma teatral, mas sua expressão suavizou ao observá-la.
O olhar era intenso. Avaliador. Mas algo nele parecia diferente.
Seus dedos se moviam delicadamente pela mão de Elise, e ela não se afastou. Apenas o olhava.
Por um instante, pareceram presos em um transe. Seu coração acelerava, a respiração inquieta.
Então, a porta rangeu ao ser aberta. Ambos se desvencilharam rapidamente.
— Está tudo bem, minha querida? — indagou a duquesa.
Elise levantou-se de imediato, alisando a saia.
— S-sim. Tive apenas um mal-estar... Mas já passou.
O olhar da duquesa pousou em sua mão enfaixada.
— Oh, céus! O que aconteceu?
— Fui descuidada e quebrei um copo, ele cortou minha mão. Mas Thomas me ajudou.
— Thomas sempre foi altruísta. — A mãe sorriu. — Sente-se melhor mesmo?
— Sim, podemos voltar.
Eles regressaram ao camarote, atraindo a atenção dos presentes. Os olhos se voltaram primeiro para sua mão enfaixada.
— Filha, o que aconteceu? — perguntou Gregory, preocupado.
— Quebrei um copo, pai, e me cortei. Mas Thomas cuidou do ferimento.
— Obrigado, Thomas.
— Está tudo bem, senhor Floren. Qualquer um no meu lugar teria feito o mesmo.
— Acredito que sim.
Eles reassumiram seus lugares e acompanharam o restante do concerto. Nos últimos acordes, aplausos encheram a sala—o espetáculo chegara ao fim.
Os convidados foram direcionados para uma das salas de reunião, onde a atmosfera era semelhante à recepção inicial. Agora, porém, a orquestra tocava enquanto os homens se reuniam em grupos afastados e as mulheres trocavam risos e murmúrios, a maioria boatos.
Elise pegou uma taça de água. Atrás dela, duas senhoras cochichavam:
— Ouvi dizer que o conde de Jersey teve algo com a prometida de lorde James.
— Não duvido de nada. Essas moças andam muito atiradas!
— Oh, que escândalo! Se algo aconteceu no baile dos Bradfords, acho que não haverá casamento, Lady Windsor.
Elise quase derrubou a taça se a duquesa não tivesse se aproximado e sussurrado:
— Não ligue para elas. Não sabem o que aconteceu.
Elise tentou sorrir, mas não conseguiu.
O nervosismo e a tontura a dominaram, trazendo de volta o mal-estar. Sem despedidas, saiu da sala, atravessando o corredor vazio.
Boatos. Já estavam se espalhando. Mas não tinham provas... ou tinham? Ela agradeceu em silêncio por Jersey não ter contado nada. Ou teria? Se não o fizera, ainda havia esperança. Provavelmente, não teria coragem—não depois da ameaça de Thomas.
Tentou acalmar o coração. E então, seus pensamentos vagaram de volta ao momento de poucos instantes atrás—os olhares, o toque sutil em sua mão.
O que realmente havia sido aquilo?
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
