O caminho de volta na carruagem seguia silencioso mais uma vez, mas agora uma pergunta pairava no ar como uma névoa espessa: o futuro duque seria capaz de controlar seus impulsos? Esse pensamento inquietava Elise. Será que Thomas teria reagido daquela forma por qualquer pessoa? Ou havia algo... mais? Por que, afinal, sempre era ela quem ele salvava?
Ao descerem da carruagem e entrarem na casa, foram recebidos por Amy e a duquesa, que os aguardavam no hall com expressões aflitas. Assim que os avistaram, correram ao encontro de Elise.
— Céus, Elise, você está bem?! Por onde andou? — exclamou Amy, visivelmente abalada. — Fiquei desesperada quando papai e meus irmãos disseram que você havia desaparecido.
— Me perdi na floresta — respondeu ela, um tanto envergonhada, ainda atordoada com tanta preocupação. Aquela família realmente a tratava como uma das suas.
— E por que foi até lá, pequena? — indagou a duquesa com suavidade.
— Eu... só precisava me afastar um pouco. Meus pensamentos estavam barulhentos demais para o salão da sociedade.
Amy e a mãe trocaram um olhar cúmplice, antes de virarem-se para os homens, todos ainda em silêncio.
— Agora, alguém pode nos contar o que aconteceu? — a voz da duquesa soou firme, sem espaço para evasivas.
O silêncio se estendeu por instantes tensos, até que Amy, juntando as peças, murmurou:
— Foi o conde, não foi?
— Aquele homem outra vez... — murmurou Anelise, irritada. — Já passou da hora de exigirmos medidas legais contra ele.
Amy observou as mãos do irmão e depois o fitou nos olhos.
— Imagino que a situação não tenha sido resolvida de modo... diplomático.
— Ele quase assinou um mandado de prisão — disse o duque com uma expressão amarga.
— Sabia que deveria ter ido junto — suspirou a duquesa. — Talvez isso não tivesse saído do controle.
— Com todo o respeito, Vossa Graça — interveio Elise, com firmeza. — Não creio que sua presença teria impedido Thomas. Nem eu consegui... e sinceramente, acho que ninguém conseguiria.
A duquesa ficou em silêncio. Havia compreensão em seu olhar, mas também algo mais — uma preocupação que não se dizia em voz alta.
— James, leve Elise para descansar. Ela precisa de repouso.
Elise pensou em protestar, mas o cansaço já dominava seu corpo. Seus pés doíam, e seus pensamentos estavam tão exaustos quanto ela. Enquanto subia as escadas ao lado de James, lançou um último olhar para a família — unida, sim, mas rodeada de silêncios.
Diante da porta de seu quarto, James finalmente quebrou o silêncio:
— Elise, sei que os últimos dias têm sido... desgastantes. Mas... pensei em fazer algo mais simples amanhã. Um piquenique. Só nós dois.
— Só nós dois? — repetiu ela, surpresa.
— Sim. Mas... se não se sentir confortável, podemos convidar Thomas e Amy. Depois do que aconteceu hoje, entendo se quiser evitar comentários ou escândalos.
Ela hesitou. Depois do beijo, da confusão... talvez fosse mais prudente manter certa distância. Mas ao mesmo tempo, eles precisavam conversar. Precisavam se conhecer. E só o tempo a sós permitiria isso.
— Não... sem problemas. Eu aceito — disse ela, sorrindo, com delicadeza.
James retribuiu o sorriso, aliviado.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomansaElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
