Capítulo XVIII

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           Depois de comer, sentiu-se melhor — menos cansada, menos tonta. Antes de dormir, leu mais um pouco do livro. Quase adormeceu com o volume nas mãos quando ouviu a porta de seu quarto se abrir. Seu pai entrou. Ele parecia sempre se iluminar ao vê-la, como se a presença de Elise tivesse o dom de dissipar as preocupações que o assombravam.

— Vejo que já se sente melhor — disse ele, aproximando-se para abraçá-la.

— Me sinto renovada. Como foi o jantar com o Marquês?

Ele soltou uma risada breve.

— Ah, você sabe que não sou bom em esconder surpresas. Foi um jantar agradável. Nós e os Bradfords recebemos um convite para um jogo de croquet. Segundo o Duque, é um dos eventos mais aguardados da temporada!

— Que maravilha! Espero estar melhor até lá. Seria bom sair um pouco dessa casa... Apesar de não ser um hábito nosso, estou animada com a ideia.

— Com certeza estará. Minha garotinha sempre foi forte. Mas agora, deixe-me deixá-la descansar. O jogo é depois de amanhã.

— Pai... quanto tempo vamos ficar aqui?

Ele soltou um suspiro longo, como quem hesita diante de uma resposta inevitável.

— Até o casamento, acredito. Vocês devem retornar a Bradford ao fim da temporada.

A resposta trouxe a Elise um incômodo discreto. Seu pai ficaria sozinho.

— Ei, querida, não se preocupe! Ficarei bem e irei sempre visitá-la — disse ele, envolvendo-a em um abraço tão afetuoso que trouxe um inesperado alívio. Como seria, afinal, essa nova etapa de sua vida?

.............

Elise não possuía mais roupas além de sua camisola — tudo havia sido destruído junto de sua casa. Uma criada foi buscá-la e conduziu-a até o quarto de Amy, que ficava no mesmo andar, algumas portas adiante. Embora espaçoso, aquele andar abrigava apenas os quartos de Elise, de seu pai e de Amy.

A criada parou diante da segunda porta à direita. Após uma leve batida, uma voz respondeu de dentro:

— Entre!

O quarto seguia a mesma divisão do de Elise: em uma parte, havia uma cama, duas cômodas, sofás, poltronas e uma lareira. Mas ao abrir a porta de madeira que separava o segundo cômodo, revelava-se um cenário completamente diferente.

A primeira coisa que Elise viu foi um grande espelho retangular ladeado por penteadeiras. Ao redor, diversos manequins exibiam vestidos dos mais variados estilos. Amy Bradford analisava atentamente um deles, tão concentrada que não notou a chegada das visitantes.

— Senhorita Amy, trouxe a senhorita Floren, como pediu — anunciou a criada.

Amy se virou, sorrindo.

— Como passou a noite, senhorita?

— Oh, por favor, me chame de Elise. E... dormi bem, obrigada.

— Que bom, Elise! Então me chame de Amy também.

— Está bem. Para que queria me ver?

— Como sei que não tem roupas desde o acidente... queria que escolhesse um vestido para usar hoje.

— Amy, eu agradeço, mas...

— Não se preocupe! Logo terá seu próprio armário. Um vestido não fará falta. — O desconforto de Elise ainda pairava no ar. — E não aceitarei sua recusa!

Elise suspirou. Amy claramente herdara a obstinação de sua mãe.

— Está bem...

— Ótimo! Tenho o vestido perfeito para você.

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