Thomas entrou na cozinha e avistou Elise recostada contra a parede de azulejos, os braços cruzados, o olhar distante. Colocando a chaleira sobre o fogo, ele soltou sem rodeios:
— Está me seguindo?
— Jamais. Por quê? - disse preguiçosamente se reencostando em uma das paredes
— Tem feito isso nos últimos dias.
— Sério? — respondeu ela com ironia. — Você é quem parece me cercar em todos os eventos.
Apesar do rubor em suas bochechas, manteve o tom debochado:
— Só queria garantir à sua irmã que não correria atrás da senhorita Agatha.
— Eu jamais transformaria aquela mulher em minha esposa. Por mais insistente que meu pai tenha sido... e agora, com as revelações, creio que não precisarei me preocupar com ela.
— Revelações? — arqueou uma sobrancelha, sorrindo. — Sua irmã é uma excelente fofoqueira.
— De fato — disse ele, rindo. — Como foi o piquenique?
A pergunta fez o coração de Elise tropeçar.
— Foi... divertido. Bom, enfim conversar com ele sem cochichos a cada passo.
— Foram até o campo de crisântemos?
— Como sabe disso?
— Ele me perguntou o que você preferia além dos livros. Notei o quanto aprecia flores.
— Foi uma ótima escolha de lugar — murmurou. Então foi Thomas quem sugeriu... Ela se sentiu corar ainda mais.
— Sou apenas um observador, Elise — disse, ao pegar uma xícara de porcelana no armário.
— Ainda em busca do amor? — escapou dos lábios dela antes que pudesse evitar. Por que eu perguntei isso?
— Essa busca tem sido difícil.
— Me lembro de você ter dito... que é difícil quando se ama alguém.
Thomas parou, ficou tenso. Por um instante, sequer respirou.
— Eu não disse isso.
— Me lembro perfeitamente das suas palavras, Thomas.
— Deveria se concentrar no seu noivado em vez de levar minhas palavras tão a sério.
Aquela resposta a feriu como um corte.
— E você deveria parar de gritar com sua irmã por sentimentos que não consegue encarar. Ou talvez apenas... deixar de ser tão grosseiro — retrucou, irritada.
Thomas se virou, lentamente.
— Você está certa. Parece mesmo invisível. Ouviu toda a nossa conversa no dia do seu desmaio.
— Eu não me lembro. E como você mesmo disse, talvez eu devesse focar no meu maravilhoso casamento em vez de perder tempo tentando ajudar os outros.
Ela se virou e saiu — as palavras tão duras que soaram estranhas até para ela. Caminhou até o jardim, guiada pelos próprios passos até o início de tudo: o labirinto. Reconheceu o caminho pelas flores, pelo aroma, pela memória do chafariz. As borboletas dançavam entre os arbustos, indiferentes à turbulência humana. Elise sentou-se num banco e permaneceu ali até o entardecer, antes de voltar para seu quarto.
Mas, ao abrir a porta, parou surpresa.
Thomas estava lá, diante da janela, de costas.
— O que está fazendo aqui?
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
