A consciência de Elise oscilava como uma vela prestes a apagar. Quando seus olhos entreabertos vislumbraram os rostos pálidos ao redor, tudo ainda parecia um sonho turvo. Amy chorava convulsivamente, segurando sua cabeça com delicadeza, enquanto Thomas, imóvel, parecia preso entre o pânico e o arrependimento.
— Thomas! — gritou Amy, a voz embargada.
— Senhor Bradford, pode nos ajudar?! — insistiu uma das criadas.
Despertado do torpor, Thomas correu até ela, pegou Elise nos braços e a levou cuidadosamente até a cama. Assim que a acomodou nos lençóis, recuou, permitindo a aproximação do médico.
— Senhorita Elise, consegue me ouvir? — perguntou doutor Brandon, inclinando-se com cautela.
Elise escutava tudo, mas não conseguia reagir. Cada som parecia vir debaixo d'água.
A porta se abriu subitamente. O duque entrou, o rosto tomado de espanto.
— O que está acontecendo aqui?
— Eu... contei a ela sobre o acidente com o pai — explicou Thomas. — Mas ela desmaiou antes que eu pudesse terminar.
— Eu disse para não falar nada ainda, Thomas!
— Ela tinha o direito de saber, pai!
— Senhores — interrompeu o médico com firmeza respeitosa —, por favor. Podem continuar essa conversa lá fora? Preciso de silêncio aqui dentro.
— Como quiser, senhor Brandon — murmurou o duque, antes de sair com os filhos.
No quarto, o médico e as criadas cercavam Elise. Seu corpo permanecia imóvel sobre o colchão.
— Acha que ela vai acordar, doutor? — perguntou uma criada, apreensiva.
— Espero que sim — respondeu ele, conferindo os sinais vitais com seriedade. — E quanto ao senhor Floren?
— Ainda dorme. Se aquela árvore o tivesse atingido direto...
— Teria sido fatal — murmurou o médico. — O pai em coma, a filha fragilizada por estresse traumático... um golpe difícil para os Floren.
— Acha que é grave?
— Não fisicamente. Mas a mente, às vezes, fraqueja mais que o corpo.
— De dama discreta a futura integrante da família mais influente de Londres... — disse outra criada, baixinho.
Enquanto isso, do lado de fora, o duque, Thomas e James aguardavam em silêncio, cada um carregando sua parcela de culpa — e o medo de que, desta vez, nem o tempo conseguiria curar.
.........
Pareciam ter se passado apenas minutos para Elise, mas já eram horas — talvez dias — desde o desmaio. Ao despertar, ouviu o piar distante dos pássaros, que sobrevoavam em bando o extenso jardim. Seus músculos estavam fracos, e ao abrir os olhos, a luz a obrigou a fechá-los de novo. Sentou-se na cama com esforço, tentando compreender o que havia acontecido. A lembrança veio como um sussurro cortante: a notícia sobre seu pai. Aquilo a desestabilizara por completo.
O mármore frio do chão não causou qualquer reação quando seus pés o tocaram. As pernas cederam quase de imediato, e ela se apoiou na beirada da cama, tateando até alcançar a parede mais próxima. Ao se encarar no espelho, levou um susto: parecia um fantasma. A pele estava pálida, os olhos, antes castanhos, tornaram-se acinzentados, fundos. O corpo emagrecido deixava os ossos à mostra — doente, desnutrida, desfeita. Era como se estivesse à beira de desaparecer.
As lágrimas tingiram suas bochechas de um rosa pálido, enquanto os olhos avermelhavam mais a cada piscada. As últimas semanas haviam sido cruéis — o conde, as acusações de Amy... E então ela se lembrou daquilo que mais resistia aceitar: Thomas a amava.
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A Proposta (EM EDIÇÃO)
RomanceElise, uma jovem senhorita da alta sociedade, sempre sonhou em se casar por amor, acreditando que seu pai lhe permitiria escolher livremente seu marido. No entanto, durante um passeio pelo parque em uma linda tarde, descobre que seus sonhos estão pr...
