Capítulo XXIV

34 3 0
                                        

A consciência de Elise oscilava como uma vela prestes a apagar. Quando seus olhos entreabertos vislumbraram os rostos pálidos ao redor, tudo ainda parecia um sonho turvo. Amy chorava convulsivamente, segurando sua cabeça com delicadeza, enquanto Thomas, imóvel, parecia preso entre o pânico e o arrependimento.

— Thomas! — gritou Amy, a voz embargada.

— Senhor Bradford, pode nos ajudar?! — insistiu uma das criadas.

Despertado do torpor, Thomas correu até ela, pegou Elise nos braços e a levou cuidadosamente até a cama. Assim que a acomodou nos lençóis, recuou, permitindo a aproximação do médico.

— Senhorita Elise, consegue me ouvir? — perguntou doutor Brandon, inclinando-se com cautela.

Elise escutava tudo, mas não conseguia reagir. Cada som parecia vir debaixo d'água.

A porta se abriu subitamente. O duque entrou, o rosto tomado de espanto.

— O que está acontecendo aqui?

— Eu... contei a ela sobre o acidente com o pai — explicou Thomas. — Mas ela desmaiou antes que eu pudesse terminar.

— Eu disse para não falar nada ainda, Thomas!

— Ela tinha o direito de saber, pai!

— Senhores — interrompeu o médico com firmeza respeitosa —, por favor. Podem continuar essa conversa lá fora? Preciso de silêncio aqui dentro.

— Como quiser, senhor Brandon — murmurou o duque, antes de sair com os filhos.

No quarto, o médico e as criadas cercavam Elise. Seu corpo permanecia imóvel sobre o colchão.

— Acha que ela vai acordar, doutor? — perguntou uma criada, apreensiva.

— Espero que sim — respondeu ele, conferindo os sinais vitais com seriedade. — E quanto ao senhor Floren?

— Ainda dorme. Se aquela árvore o tivesse atingido direto...

— Teria sido fatal — murmurou o médico. — O pai em coma, a filha fragilizada por estresse traumático... um golpe difícil para os Floren.

— Acha que é grave?

— Não fisicamente. Mas a mente, às vezes, fraqueja mais que o corpo.

— De dama discreta a futura integrante da família mais influente de Londres... — disse outra criada, baixinho.

Enquanto isso, do lado de fora, o duque, Thomas e James aguardavam em silêncio, cada um carregando sua parcela de culpa — e o medo de que, desta vez, nem o tempo conseguiria curar.

.........

Pareciam ter se passado apenas minutos para Elise, mas já eram horas — talvez dias — desde o desmaio. Ao despertar, ouviu o piar distante dos pássaros, que sobrevoavam em bando o extenso jardim. Seus músculos estavam fracos, e ao abrir os olhos, a luz a obrigou a fechá-los de novo. Sentou-se na cama com esforço, tentando compreender o que havia acontecido. A lembrança veio como um sussurro cortante: a notícia sobre seu pai. Aquilo a desestabilizara por completo.

O mármore frio do chão não causou qualquer reação quando seus pés o tocaram. As pernas cederam quase de imediato, e ela se apoiou na beirada da cama, tateando até alcançar a parede mais próxima. Ao se encarar no espelho, levou um susto: parecia um fantasma. A pele estava pálida, os olhos, antes castanhos, tornaram-se acinzentados, fundos. O corpo emagrecido deixava os ossos à mostra — doente, desnutrida, desfeita. Era como se estivesse à beira de desaparecer.

As lágrimas tingiram suas bochechas de um rosa pálido, enquanto os olhos avermelhavam mais a cada piscada. As últimas semanas haviam sido cruéis — o conde, as acusações de Amy... E então ela se lembrou daquilo que mais resistia aceitar: Thomas a amava.

A Proposta (EM EDIÇÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora