Capítulo 42 - O Lado Oculto do Jogo

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Vanessa me ajudou com toda produção, ela realmente leva jeito. Eu estava deslumbrante. Ela escolheu para mim um vestido curto de tweed creme. Era romântico na medida certa, com um ar clássico que nunca saía de moda. Sobre os ombros, vesti um casaquinho de lã rosa-claro, macio e elegante. Nos pés, scarpins de verniz preto, com um pequeno laço com brilhos sobre o peito do pé, que deixou tudo ainda mais feminino. Peguei minha bolsa rosa da Chanel, coloquei uma boina de lã creme levemente inclinada para o lado e deixei meus cabelos caírem em ondas soltas sobre os ombros. A maquiagem era leve: pele iluminada, bochechas rosadas, cílios bem definidos, um delineado fino e um gloss rosado que fazia meus lábios brilharem discretamente. Borrifei meu perfume Gucci Love Edition tirei algumas fotos para postar no story.

Vanessa recebeu uma ligação da mãe e teve que ir embora, mas me desejou boa sorte no encontro. Eu agradeci pela ajuda. Se o Steven queria um jantar "sem dramas", eu daria a ele exatamente isso: neutralidade com um toque de elegância.

Meu celular vibrou em cima da cama.

"Estou na porta da sua casa." — Steven.

Peguei minha bolsa, respirei fundo e desci. O carro dele estava parado logo em frente, com os faróis baixos acesos. Quando abri a porta do passageiro e me sentei, o aroma sutil do perfume dele invadiu meu espaço, trazendo de volta a memória recente da noite passada, o que me fez prender a respiração por um segundo.

— Boa noite, Kath — disse ele, inclinando-se com carinho para me dar um selinho demorado. O olhar dele varreu meu rosto de forma rápida, mas absurdamente intensa, demonstrando o quanto ele tinha sentido minha falta, antes de dar a partida.

Apesar da doçura no toque, ele não parecia o cara relaxado de mais cedo. As juntas dos seus dedos estavam brancas de tanto pressionar o couro do volante, e a mandíbula travada entregava que o dia dele tinha sido exaustivo.

— Boa noite. — respondi, tentando ler a expressão dele. — Você parece cansado. A conversa com seu pai e os advogados foi tão ruim assim?

— Foi resolutiva. É o que importa — ele suspirou, desviando o olhar por um segundo para me encarar com ternura antes de voltar a atenção ao trânsito. — A Luiza não vai mais se aproximar de você. A equipe jurídica do meu pai deixou bem claro as consequências se ela continuar com essa palhaçada.

Senti um arrepio incômodo. Havia uma preocupação velada nele que me deixava em alerta.

— E para onde estamos indo? — perguntei.

— Minha secretária reservou um espaço mais privativo para nós no Jockey Club. Pedi um lugar calmo... é mais seguro para não sermos importunados por ninguém.

Mais seguro? Meu estômago deu nós, mas decidi não pressionar.

[...]

Sentamos em uma mesa no canto do restaurante, cercada por divisórias de veludo escuro. O garçom serviu dois copos de Fitzgerald — nem sequer nos trouxeram o menu, o pedido já parecia ter sido feito previamente pelo Steven.

— Que novidade, eu nunca te vi beber esse drink — comentei, observando-o virar metade do copo com certo desespero.

— Hoje eu preciso... — ele disse, pousando o copo com cuidado. Finalmente, ele segurou minhas mãos por cima da mesa e olhou bem no fundo dos meus olhos. O olhar dele transbordava vulnerabilidade. — A Luiza não agiu sozinha, Katherine.

Senti meu sangue esfriar.

— Como assim? — perguntei, confusa.

— O advogado dela não era um desconhecido. Era do mesmo escritório que presta serviços para a família do Dean — revelou ele, com a voz embargada pela raiva contida.

O nome do Dean caiu na mesa como uma bomba. Todo aquele teatrinho no restaurante, a farsa da gravidez, a provocação... nada disso era sobre a Luiza querendo o Steven de volta. Era um ataque orquestrado.

— O Dean? — perguntei, a voz saindo surpresa. — O que ele ganha criando um circo desses?

— Inveja, desespero... — Steven se inclinou para frente, apertando minhas mãos com delicadeza, como se quisesse garantir que eu não sumiria dali. — O Dean sabe que a minha família está negociando uma fusão importante. Mas, acima de tudo, ele viu que eu estou me apaixonando por você de verdade, Kath. Ele sabia que se jogasse uma bomba dessas, eu iria surtar, nossa relação seria destruída e a minha reputação ficaria manchada antes da reunião de acionistas na próxima semana. Ele usou a Luiza para me atingir através do que eu tenho de mais precioso: você.

Fiquei em choque. Por um momento, senti o chão sumir sob meus pés. A ideia de que as pessoas ao redor pudessem usar nossos sentimentos reais como munição em um jogo baixo me deixava enjoada.

— Então eu fui colocada no meio dessa sujeira toda só por estar com você? — perguntei, soltando um suspiro pesado. — Um dano colateral do ódio que ele tem de você?

— Não, Kath! Para mim você nunca foi isso e nunca será! — a voz dele fraquejou de um jeito que me cortou o coração. Os olhos dele brilharam, marejados, transparecendo um desespero genuíno de me perder. — Eu estou te contando tudo porque prometi que não haveria segredos entre nós. Eu não quero que ninguém invente mentiras sobre mim para você.

Encarando-o, vi a raiva que eu sentia dar lugar a um nó no peito ao perceber o quanto ele estava tentando me proteger de um ambiente do qual ele mesmo era vítima.

— É que... é difícil digerir que o Dean tenha chegado a esse ponto por pura obsessão e inveja de você. Eu tive que passar por todo aquele constrangimento por causa da perversidade dele!

— Eu sei, Kath, e me dói a alma saber que te expus a isso — disse ele, a voz falhando enquanto alisava o dorso da minha mão. — Eu tentei resolver a situação com a Luiza em menos de seis horas justamente para te provar que você é minha prioridade, que eu quero ser o homem certo para você. Por favor, confia em mim.

A sinceridade dele era inquestionável. Ele não estava jogando; estava desesperado para manter o que tínhamos a salvo.

— Eu preciso de um minuto... vou só ao banheiro. — pedi, dando um sorriso fraco para tranquilizá-lo.

— Tudo bem. Eu fico te esperando aqui — ele respondeu, depositando um beijo carinhoso e demorado nos meus dedos antes de soltar minha mão.

Caminhei até o corredor que dava acesso aos lavatórios, apoiando as costas na parede fria. Minhas mãos estavam tremendo. O Steven não era um calculista; ele era um cara apaixonado tentando me resguardar de pessoas como o Dean.
Puxei o ar com força, tentando recuperar o controle, quando a porta de serviço no fim do corredor se abriu devagar.

Esperava ver um garçom ou um funcionário do clube. Em vez disso, uma figura alta, vestindo um sobretudo escuro, passou pela porta. Quando a iluminação fraca bateu no seu rosto, meu coração errou uma batida.

Não era o Steven. Não era a Luiza.

Era o Dean. Ele exibia um sorriso de canto, dando dois passos na minha direção para bloquear a passagem do corredor.

— Você realmente não devia estar com ele, Katherine — disse o Dean, com uma calma que fez meu sangue ferver. — O Steven não merece nada do que tem... e muito menos merece você. Mas já que você insiste em ficar do lado dele... acho que está na hora de ouvir meu lado da história.

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