Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Vida nova

87.4K 3.9K 497
                                        



    No dia seguinte, acordei com muita dor de cabeça, era tudo novo para mim ainda. Me levantei e fui até a cozinha tomar um remédio. Cruzei os braços e fiquei olhando para aquela imensa cozinha. Era difícil acreditar que minha mãe não estaria mais ali preparando comida para nós. Subi para o quarto e olhei pela porta do quarto da minha mãe, o Brooke dormia abraçado a um travesseiro, suspirei e voltei para meu quarto.

    Me sentei na cama e passei as mãos no rosto, me deitei novamente e fiquei pensando como seria daqui pra frente... Sem mãe, mil e uma responsabilidades...

— Vamos tomar café e ir ao hospital ver seu irmão? Quando quase dormia ouvi a voz de Brooke na porta.

— Ah... Sim. Cocei meus olhos e me sentei na cama, Brooke veio até mim e se sentou ao meu lado, passando a mão em meu cabelo logo em seguida.

— Acho que teremos de vender a casa. Me olhou nos olhos

— Mas por que? Não tem condições de sustenta-la?

— Sim, mas pra que queres uma casa desse tamanho? Para mim, você e seu irmão? Um lugar que só trará saudades?

— É você tem razão! Mas vamos deixar isso para depois, está muito cedo ainda, tenho que processar muitas coisas.

— Tudo terá seu tempo certo. Me deu um beijo na testa e se levantou saindo do quarto. Me levantei logo em seguida e abri meu guarda-roupas, e peguei uma calça jeans e uma regata preta, peguei minha toalha e fui para o banheiro. Tomei um banho relaxante e saí, coloquei minha roupa.

   Desci pra sala e o Brooke tomava café na cozinha, fui até lá e me sentei com ele...

— Bom, o café não deve estar tão bom igual ao da sua mãe e a mesa também não é a mais bonita, mas precisamos comer. Sorriu forçado bebendo um gole do café.

— O que vale é o esforço. Peguei uma torrada e comi.

— Pela segunda vez estamos conversando como pessoas civilizadas, sua mãe iria gostar de ver isso. Mas eu tenho certeza que onde ela está, provavelmente deve estar nos olhando.

— Por que segunda? Qual foi a primeira? Bebi o café e logo tossi. — Esqueceu do açúcar? Peguei o mesmo e coloquei um pouco no café, o Brooke soltou uma risada.

— A primeira foi quando nos conhecemos lembra? Quando você tinha dez anos. Sorriu.

— Ah sim, verdade. Bebi o café. — Bem melhor...

    Tomamos café da manhã e ele foi se arrumar enquanto eu lavava a louça que sujamos. Peguei o telefone e resolvi ligar para a Laura, afinal ainda não tinha dado a notícia do que havia acontecido com a mamãe.

— Oi amiga, tudo bem? Laura perguntou ao atender o telefone.

— Não amiga, está tudo péssimo! Me sentei no balcão.

— Mas o que aconteceu? Perguntou preocupada.

— Mamãe morreu amiga.

— Você tá brincando né?

— Não amiga. Comecei a chorar.

— Amiga eu estou indo para aí agora!

— Não amiga! Quero ficar só, mas obrigada mesmo assim.

— Mas amiga, você deve estar precisando de colo.

— Sim estou, mas não agora! Obrigada mesmo...

— Mas, e seu irmão, desculpa perguntar...

— Ele está bem, quer dizer bem entre aspas né... Está internado, mas já está melhor. Já, já vou ir lá vê-lo.

— Ok amiga, quando quiser que eu vá, só me ligar que eu vou ok?!

— Tá bom amiga, ligarei. Beijos

    Desliguei o telefone e o Brooke desceu as escadas, trajava uma camiseta preta calça jeans e tênis. Se sentou ao meu lado, e pegou a carteira dele, olhou, olhou e logo a fechou colocando no bolso da calça.

— Vamos lá, ver seu irmão? Se levantou.

— Sim. Respondi me levantando logo em seguida, saímos de casa e trancamos tudo.

    Fomos até o hospital calados, acho que nem tínhamos o que conversar. Quando chegamos entrei na frente enquanto ele estacionava o carro, me identifiquei e entrei no berçário, Arthur estava acordado e sorridente, mal sabia que não tinha mais a mamãe.

     A enfermeira o trouxe até mim e eu o peguei no colo, ele se aconchegou e se encolheu, ficou parecendo um tatuzinho, ele era muito bonito, parecia com o Brooke mas tinha alguns traços da mamãe.

— Bebê lindo, coisa linda da irmã.

— Pelo que eu vejo ele está bem... Ouvi uma voz atrás de mim, era o Brooke, sorria igual a um bobo, me virei pra ele e coloquei Arthur com cuidado em seu colo. — Calma eu não sei... não tenho jeito para pega-lo.

— Você é o pai, terá de aprender. Ri.

— Ele é tão pequeno, e mole. Mas é lindo, tem os traços de sua mãe. Falou ajeitando Arthur em seu colo.

— Mas é muito parecido com você. Acariciei seu rostinho.

— Ah filhão, vai conquistar a mulherada quando crescer! Rimos. A enfermeira se aproximou.

— Vejo que já estão adaptados ao Arthur, ele é um bom garoto, só chora quando está com fome ou quando precisa trocar as fraldas. Sorriu o pegando do colo de Brooke.

— E enfermeira, quando acha que ele estará de alta? Perguntei cruzando os dedos e sorrindo de lado.

— Com todo esse amor e carinho acho que amanhã já poderão o levar para casa. Sorriu.

— Sério moça? Brooke explodiu de alegria.

— Sim. Vou falar com o médico e ai qualquer coisa os ligo, mas tenho certeza que virão amanhã o ver né? Disse o colocando dentro do berço e fechando o mesmo com uma luz azul.

— Sim enfermeira, mas o que é isso? Disse apontando pro berço.

— É banho de luz srt. Miller, como ele nasceu prematuro, precisa desse tratamento e de outros também que o próprio médico quando der alta, falará para vocês.

— Ah obrigada moça. Brooke apertou a mão da enfermeira e saímos da maternidade. — Viu como ele é lindo, e tão pequeno? Brooke falava todo encantado.

— Sim, mas Brooke, temos que correr para uma loja, não compramos nada para o quarto dele ainda, onde ele vai dormir?

— Nossa Amanda, verdade! Colocou as mãos na cabeça sem saber o que fazer. — Vamos ao shopping. Fomos para o carro e Brooke seguiu para o shopping.

    Entramos em uma loja de bebês e fomos escolhendo cada detalhe com muita cautela, tinha que ficar tudo extremamente perfeito, para que o Arthur tivesse conforto o suficiente. Compramos tudo e Brooke pagou.

— Vamos ver um apartamento? Brooke perguntou enquanto devorávamos um sorvete.

— Que apartamento? Levantei a sobrancelha.

— Um que eu estou de olho a um tempo. Parou e me olhou.

— Mas você mesmo disse para que a gente fizesse isso depois, não estou com ânimo para me mudar agora Brooke.

— Nós só vamos ver Amanda. Pegou em minha mão e me puxou para o estacionamento, e entramos no carro.

***

Ele dirigiu até um condomínio fechado e explicou para a o porteiro que queria ver o apartamento, nisso o porteiro entrou em contato com os donos do apartamento que permitiram nossa entrada.

O PadrastoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora