Ficamos mais de um mês longe de casa. Acabou que quando os jornais mostraram fotos minha e do Tomás com os gêmeos os pais dele ligaram querendo saber quando conheceriam os netos.
Eu suava fria quando chegamos na casa dos pais dele. Rosa e Cláudio, como me mandaram chamá-los nos receberam de braços abertos e depois que o Tomás contou a minha história para eles, o carinho por nós dobrou. Senti, depois de muitos anos, como era ter pais carinhosos outra vez.
Os gêmeos foram mais que mimados pelos novos avós. Quando tivemos que ir embora, nenhum dos dois queriam, mas prometemos voltar assim que possível e tanto a Rosa quanto o Cláudio prometeram nos visitar.
Pouco antes de sair, Rosa me chamou na cozinha com a desculpa de me dar uns doces para as crianças, mas na verdade ela queria conversar em particular comigo.
- Quando eu vi a foto de vocês no jornal eu fiquei com medo de você estar se aproveitando do meu filho.
Abri a boca para falar, mas ela não deixou.
- Por favor, me deixe terminar.
Quando concordei com a cabeça ela continuou.
- Depois que vocês chegaram, que eu te conheci e o Tomás nos contou o que havia acontecido eu fiquei com medo por você e os meninos. Meu filho sempre gostou de ser o herói. Quando era mais novo gastava toda sua mesada ajudando os cãozinhos de rua.
Dessa vez eu nem tentei abrir a boca. Para falar a verdade eu tive esse medo no começo também. Eu ouvia essas histórias sobre ele no set e pelos outros atores.
- Mas depois de uma semana com vocês quatro eu percebi que não precisava me preocupar. Meu filho te olha diferente, eu nunca o vi assim e com as crianças, eu sempre soube que ele seria um bom pai. E você também olha para ele do mesmo jeito, reconheço isso.
- Eu amo o seu filho.
- Eu sei disso. Mas o que queria realmente falar com você é para não esquecer disso. Vocês se amam, são uma família, porém quando retornarem vão enfrentar situações muito difíceis, mas você não pode esquecer que o Tomás está ali com você do mesmo jeito que você precisa mostrar para ele que está contando com ele. Não deixe ele se sentir excluído, vocês irão precisar muito um do outro.
E depois de dizer isso me abraçou. Foi um abraço de mãe, do tipo que não recebia a muito tempo. Saí de lá com as forças renovadas, pronta para enfrentar o que viria pela frente e eu e o Tomás mais unidos. No segundo dia que voltamos liguei para o meu pai e marquei com ele um encontro no apartamento do Tomás. Achamos que seria melhor para as crianças conhecerem o avô ali, em um ambiente seguro.
Tomás e eu ainda tínhamos alguns dias livres antes de voltarem as gravações e aproveitamos para curtir com os meninos. E um dia antes do encontro com meu pai, sentamo-nos com os dois para conversar.
Logo de cara eles ficaram animados em conhecer mais um avô só que diferente do que foi com os pais do Tomás no dia que meu pai veio eles ficaram tímidos. Os dois pouco falaram com meu pai, só respondendo o que ele perguntava e não se afastaram do Tomás em nenhum momento. A única vez que o Tomás saiu para ir ao banheiro os dois quiseram ir atrás.
Percebi que meu pai ficou chateado com aquilo, mas não disse nada. Combinamos de os levar a praia no final de semana juntos com o avô para tentar deixá-los mais à vontade e meu pai ficou bem animado.
Quando ele foi embora o levei até o elevador.
- Eles são crianças ótimas, você fez um belo trabalho com eles, minha filha.
- Obrigada, pai.
- O Tomás parece ser um bom pai.
- Ele é. Os gêmeos o adoram.
- Você é feliz? Com ele? Já esqueceu o Breno? Eu lembro que você era completamente apaixonada por ele, essas coisas não passam rápido.
Eu queria ter ficado irritada com ele, mas nada no seu jeito ao fazer a pergunta parecia querer insinuar alguma coisa, depois de tanto tempo eu vi preocupação comigo nos olhos do meu pai.
- Eu era sim, pai. Mas esse tipo de paixão adolescente que eu sentia pelo Breno só vira um amor verdadeiro quando é cultivado com os anos o que não aconteceu. Só entendi isso depois que conheci o Tomás. Ele me faz sentir uma adolescente boba apaixonada e ao mesmo tempo me faz sentir uma adulta capaz de lidar com tudo.
Meu pai analisou o que eu disse por mais um tempo e depois sorriu satisfeito.
- Fico contente em saber disso!
Me deu um abraço meio sem jeito e entrou no elevador. Voltei para o apartamento e entrei o Tomás me esperando ao lado da porta. Assim que entrei ele me puxou para perto dele e me beijou. Quando estava me perdendo nele escutamos as ecas e uhhh que os gêmeos sempre faziam quando nos beijávamos.
Nos afastamos, rindo da cara dos dois.
- E aí meninos? Gostaram de conhecer o vovô?
- Eu gosto mais do Vovô Cláudio!
- Eu também! Falou o Théo concordando com o irmão.
Olhei para o Tomás sem saber o que dizer e ele tomou a frente.
- Vem cá, rapazes.
Os dois correram para o Tomás que pegou ambos no colo e os levou para o sofá. Eu babei um pouco vendo os músculos do braço dele carregando os meninos.
- O Vovô Gabriel é bem legal também, só precisam conhecer ele melhor. Quando formos a praia vocês vão poder brincar bastante com ele.
- Mas papai, ele não quis nem jogar videogame com a gente. Falou o Bernardo.
- O Vovô não gosta disso, mas ele adora jogar futebol, sabia? Na praia vocês podem jogar com ele.
Falei me sentando perto deles. Théo desceu do colo do pai e veio para o meu.
- Mamãe, ele brincava com você?
- Sim, meu amor! Foi o Vovô que me ensinou a soltar pipa, a nadar, subir em árvores. Ele sempre me levava para passear os finais de semana, sabia?
Os dois fizeram que não com a cabeça, mas agora os olhinhos brilhavam com a possibilidade de aprender todas essas coisas com o avô.
- A gente que ir à praia com ele, mamãe. Falou o Bernardo ainda no colo do Tomás.
- Mas você vai também, papai? Perguntou o Théo.
- Eu não perderia isso por nada!
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De volta para casa
RomanceTraída e humilhada pelas pessoas que ela mais amava e confiava, Bianca precisou fugir para sobreviver. Mas agora, para iniciar uma nova vida era preciso voltar ao lugar que chamou de lar e devolver tudo o que recebeu.
