No outro dia liguei para o meu pai e o avisei que se avisasse outra vez ao Breno quando fosse ver os meninos eu não os levaria mais. Meu pai pediu desculpas e concordou que foi errado.
Eu e o Tomás concordamos de nos sentar com os meninos e contar sobre o Breno naquele final de semana. Aquilo não podia mais esperar e o Tomás mesmo ligou para o Breno o chamando para almoçar conosco no domingo. Quando chegou o sábado, os levamos para passear pela manhã e na parte da tarde colocamos os dois sentados no sofá e começamos a contar tudo.
Combinamos que eles saberiam de toda a história, mesmo as partes ruins, mas sem muitos detalhes. Conforme eles fossem crescendo e pudessem entender melhor as coisas, nós explicaríamos melhor.
- Bernardo e Théo nós precisamos contar uma coisa para vocês.
- O que mamãe? Perguntou o Théo cursioso.
- É sobre o papai de vocês.
- O que foi papai? Perguntou o Bernardo, indo sentar no colo do Tomás.
- Não é sobre mim. Lembra quando me perguntaram como os bebês eram feitos e eu disse que um homem coloca uma sementinha na barriga da mulher e ali o bebê vai crescendo, vai aparecendo a cabecinha, os bracinhos e pernas, até estar pronto para sair da barriga da mamãe?
- Lembro!
- Eu lembro também, papai! Falou o Théo indo sentar no colo do Tomás.
- O homem que coloca a sementinha na barriga da mamãe é o papai.
- Você colocou a gente na barriga da mamãe? Perguntou o Théo.
- Não, rapaz. Eu não coloquei.
- Existem dois tipos de papais. O que coloca a sementinha na barriga da mamãe e o que cuida do bebê depois que ele sai da barriga. O Tomás é o papai de vocês porque ele cuida de vocês, dá amor e carinho. Mas vocês tem um outro papai também. O que colocou a sementinha de vocês aqui.
Falei apontando para minha barriga.
- E quem é ele, mamãe? Quis saber o Bernardo.
- Sabe aquele homem que estava jogando bola com vocês e o vovô?
- Eu não quero que ele seja nosso papai. Eu quero você!
Falou o Théo agarrando o pescoço do Tomás.
- Ei rapaz, olha para mim. Vocês dois olhem para mim. Não importa o que aconteça eu sempre vou ser o pai de vocês. Nunca esqueçam disso. Eu sempre estarei aqui com vocês e a mamãe. Eu amo vocês!
- Eu te amo, papai!
- Eu também te amo, papai!
Eu segurava as lágrimas vendo os três daquele jeito. Depois disso, Tomás contou que o Breno viria almoçar com a gente no outro dia, mas que eles não precisavam ficar com medo nem preocupados. Os dois não ficaram muito animados com a visita e passaram o restante do dia grudados no Tomás. Foi até engraçado pois na hora que ele foi tomar banho, os dois ficaram sentados na cama esperando ele sair.
A noite não foi muito diferente. No meio da madrugada, um de cada vez, vieram para a nossa cama. Bernardo e o Théo dormiram agarrados com o pai. No outro dia o Breno chegou antes do horário que marcamos e me pegou sozinha em casa com os meninos. Tomás havia saído para buscar a sobremesa que eu havia encomendado na padaria ali perto.
Os meninos se agarraram nas minhas pernas, só saindo dali depois de um tempinho de conversa.
- Ei, podemos marcar de jogar bola outra vez. Igual naquele dia na praia.
Os dois não disseram nada, apenas olharam para ele. O clima não estava bom e ficou ainda mais pesado depois que o Tomás chegou e viu o Breno ali.
- Chegou antes do combinado!
As crianças quando escutaram a voz dele saíram correndo na sua direção.
- Sim, me desculpa. Eu estava ansioso.
- Aqui, Bianca.
Tomás me entregou a sobremesa e pegou os dois no colo. Eu fui para a cozinha e os deixei ali. Quando voltei, graças ao incentivo do Tomás os dois já conversavam com o Breno mas sem desgrudar do pai.
O restante do dia foi tranquilo. Breno ficou até o meio da tarde e quando perguntou aos meninos se podia vir almoçar com eles novamente os dois concordaram e marcamos para o outro final de semana. Naqueles dias os meninos viraram chicletinhos do Tomás. Aonde o pai ia eles estavam atrás. Em todos os encontros dos meninos com o Breno o Tomás estava junto. Isso deixou as crianças muito seguras e só me fez amar mais ainda o Tomás.
O Natal chegou e os pais do Tomás vieram passar com a gente, assim como a irmã dele e o marido. Meu pai só veio no dia 25 e trouxe o Breno e a Ana. Inicialmente o clima ficou estranho, mas graças ao pai do Tomás que começou a contar umas histórias engraçadas as coisas melhoraram.
No ano novo, fiz um jantar e todos vieram, inclusive a Carla e o Fernando e o Leo e a Fernanda. Lógico que aproveitamos para brincar com o nome dos dois e depois da meia noite, os pais do Tomás ficaram com as crianças e fomos todos dançar. Depois de algumas horas dançando, Tomás me puxou para o lado e me convidou para sair dali. Fomos para um hotel ali perto e passamos a noite comemorando a virada do ano só nós dois.
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De volta para casa
RomantikaTraída e humilhada pelas pessoas que ela mais amava e confiava, Bianca precisou fugir para sobreviver. Mas agora, para iniciar uma nova vida era preciso voltar ao lugar que chamou de lar e devolver tudo o que recebeu.
