please, don't call me anymore part.3

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— Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.

James pressionou a testa contra o volante do carro, fechando os olhos com força ao som da voz chorosa e embriagada de Regulus do outro lado da linha.

— Onde você está, Reggie?

Regulus ignorou seu sussurro.

— Ou pior, você viu e não fez absolutamente nada! Continuou me segurando, me empurrando. Continuou me afogando quando sabia que eu não podia mais respirar. Você prolongou meu sofrimento o máximo que pôde. Pelo quê? Em prol da sua própria covardia?

Regulus não chorava mais, James sabia disso. Agora ele gritava, explodindo em plenos pulmões toda sua raiva e dor. James ficou em silêncio, deixando a tempestade o levar, deixando todas aquelas palavras impregnarem sua alma.

— Porque é isso que você é! Um covarde! E você não é assim por causa do medo de se assumir, você é assim por me prender nisso. Eu sei que pode ser difícil, mas James, você não pode simplesmente achar que é minha obrigação esperar pelo fim da sua crise de sexualidade!

James se encolheu, era doloroso, mas necessário. Talvez ele precisasse disso, ouvir a verdade talvez pudesse fazer ele mudar. Se tornar uma pessoa melhor, não um covarde.

— Você sabe, você sabe o quanto eu lutei para estar aqui, para poder andar na rua ou até mesmo me olhar no espelho sem ter medo de quem eu sou, sem ter vergonha de quem eu amo. Esconder a gente é como voltar para aquele tempo, quando eu tinha que aguentar tudo e todos exigindo saber quando eu iria arrumar uma namorada, quando diziam que era apenas uma fase ou que eu deveria ser menos "bicha".

Regulus estava chorando outra vez e James podia sentir lágrimas rolarem livremente pelo seu rosto.

— Você lembra? Daquele Halloween quando Evan e eu nos fantasiamos de Vicent e Mia? E eu era a Mia? Você lembra de como eu cheguei na festa machucado e ensanguentado porque um grupo de ex-alunos me espancaram  quando eu estava indo pra sua casa sozinho?

James se lembra, é claro que ele se lembra. Como ele poderia se esquecer? Evan tinha tido um imprevisto e iria encontrar Regulus já na festa. A figura de Regulus chorando com hematomas em seu rosto e sangue em suas roupas era a pior memória que James tinha. A mais dolorosa, a mais raivosa.

— É assim que eu me sinto toda vez que vejo você desfilando pela escola com uma garota diferente toda semana. Como se eu estivesse sendo espancado por ser apenas quem eu sou.

Os ombros de James tremeram quando seu choro se tornou mais forte, um grito silencioso deixando suas cordas vocais.

Sua mente sofrida mal notou quando sua voz soou pelo carro mal iluminado, em conjunto com as lamúrias de Regulus.

Me deixe ir, por favor.

Me desculpa, eu sinto muito.

Me deixa ir, por favor.

Me desculpa, eu sinto muito.

Por favor.

Eu sinto muito.

Por favor.

Eu sinto muito.

Adeus.

Eu te amo.

Red Thread - one shot bookOnde histórias criam vida. Descubra agora