Capítulo 47: O baile de formatura

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Olhei-me no espelho com aquele longo vestido mula-manca no tecido seda de cor rose que era justo e se abria perto dos pés, usava joias de ouro, um sapato aberto e de salto fino nude. Maquiagem mais forte que o comum e um batom rosinha quase da mesma cor que minha boca.Minhas malas estavam prontas escondidas embaixo de minha cama, só havia deixado de fora aquela caixinha, abri e olhei o lindo e delicado colar de ouro com aquele pingente de âmbar sorri enquanto o segurava nos dedos.


Minha mãe abriu a porta do quarto no momento em que tirei ele da caixa.


- Deixa que coloco para você. - ela disse vindo apressada até mim com uma linda saia social, uma blusa de seda com alcinha e um casaco para cobrir seus braços sensíveis ao frio.


Minha mãe tinha quarenta e dois anos, e ainda era magra como quando tinha seus vinte, tinha rugas aparentes, mas que não danificavam seu rosto angelical, e os cabelos pareciam não descolorir nunca, eram mais claros que os meus beirando o loiro e estavam sempre presos em um coque alto, mesmo em minha formatura. Ela parecia querer me dar carinho as vezes, mas era como se algo a repelisse antes que pudesse passar algum limite. Ao mesmo tempo em que parecia me amar ela parecia querer sempre me repreender por algo, ela era mais mole do que meu pai, mas nunca me defendia ou ficava do meu lado, nunca me deu colo e os únicos abraços de que me lembro eram na frente das pessoas para se despedir de mim ou me cumprimentar. Mesmo quando criança lembro de vê-la de longe a me olhar, mas sempre se dirigia a Bibe para que me limpasse, ou me ajudasse a descer da árvore e coisas desse tipo. Era como se ela quisesse me amar, mas como se eu fosse culpada por algo de muito ruim em sua vida. Isso me matava, a carência dentro de mim era tão grande que eu poderia ter qualquer pessoa aos meus pés e nunca me pareceria suficiente, e eu nunca conseguia estar sem alguém. Se não fosse Bibe em minha vida eu não seria uma pessoa com quem aconselharia alguém a conviver porque com certeza eu faria um estrago enorme nas vidas que se enlaçassem com a minha.


- Que colar é esse? Isso não é uma joia.


- A pedra não, é âmbar, de Amber... - eu disse a olhando pelo espelho.


- Oh... - ela assentiu. - Você ganhou de alguém? - seus olhos procuraram os meus pelo espelho.


- De Nathaniel...


- Faz tempo? - ela perguntou passando meus cabelos para a frente e fechando o colar em meu pescoço.


- No meu aniversário de dezessete.


Ela deu um sorriso fraco que logo morreu.


- Ah sim... Está perfeita, vamos?


- Vamos...


Ela saiu do quarto e foi descendo as escadas, olhei as malas embaixo da minha cama, eu havia colocado roupas para o dia a dia, apenas poucos vestidos que poderiam ser usados em locais elegantes, dois pares de sapatos, meu notebook, itens de higiene pessoal e de escritório, algumas joias, peças íntimas e camisolas, e um travesseiro, porque sentiria falta daquele luxo em que havia nascido e crescido.


Apaguei a luz do meu quarto e saí rumo à escola uma última vez.


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