"Conquistar aos poucos é melhor do que não conquistar nada."
Soraya Tronicke:
Minha amizade com Maria Fernanda só crescia ao longo dos dias, e agora conversávamos bastante.
Fiquei mais próxima dela principalmente pelas idas e vindas à sua escola, e a menina começou a se abrir mais comigo. Não sei como ela era antigamente, mas agora ela é um pouco retraída, e demora um pouco a pegar confiança nas pessoas. Isso poderia ser influência da tragédia em sua família há algum tempo.
— Maria… do que você tem mais medo? — puxei conversa após chegarmos na mansão.
— Hum... Não sei. Acho que de morrer.
Balancei a cabeça levemente e sorri fraco logo em seguida.
— Há outra coisa?
— Carros.
Sim, esse era o ponto. Não sei porquê, mas me ocorreu uma ideia, e por algum motivo eu queria ajudar ela ao menos nisso.
— Por que não luta contra isso? Se quiser, posso te ajudar a encarar seus medos.
A menina me olhou desconfiada, e visivelmente contrariada ao que propus. Eu queria fazer um teste.
— Como?
— Que tal irmos para um dos carros?
Maria Fernanda esbugalhou os olhos, e vi que inicialmente a ideia não foi do seu agrado. Peguei em uma de suas mãos ternamente.
— Não iremos andar nele. Não se preocupe. Vamos só entrar.
— Promete?
— Sim. Prometo.
Com uma pequena relutância, entramos no carro que João usa na maioria do tempo, e era como se Maria Fernanda entrasse em um carro pela primeira vez, já que olhava tudo ao redor. Eu poderia estar traumatizando mais ainda a criança, sei disso, mas tenho um sexto sentido para algumas coisas, e confio em minhas intuições.
— Como você está?
— Estou bem. — ela tremia um pouco, e novamente peguei uma de suas mãos.
— Vamos esquecer que estamos no carro e conversar sobre algo. Qualquer coisa.
— Tá bom.
— Eu quero te contar um segredo. Não é algo que falo para as pessoas, mas eu confio em você, e quero que confie em mim.
— O que é?
— Eu perdi meu pai muito cedo. — parei. — Não me lembro muito dele, mas sei que ele fazia minha mãe muito feliz. Ele morreu de câncer, e isso deixou minha mãe com depressão por alguns anos. Eu não entendia, já que era uma criança. Depois que eu cresci, prometi que tentaria de alguma forma preencher o vazio que minha mãe possuía em seu coração, mas entendia que era difícil, que quando as pessoas morrem, elas irão ficar somente em nossa cabeça e coração. Então, após ter Isabella e construir uma família, o pai dela nos abandonou, me deixando sozinha e experimentei uma tristeza diferente, que até então eu não conhecia.
Maria Fernanda prestava bastante atenção em minhas palavras. É difícil para mim relembrar alguns acontecimentos, mas é necessário em alguns casos, e se for para um bem maior, faço com gosto.
— Ele nunca mais voltou?
— Não. Mas eu ainda tenho uma família comigo. Minha mãe e Isabella são o meu mundo, e agradeço todos os dias por elas estarem comigo. O que estou querendo dizer com tudo isso, é que por mais que sua mãe esteja distante agora, ela ainda é a sua mãe, e te ama, mas em alguns momentos ela não sabe bem o que fazer, perdida em sua própria tristeza. Tente entendê-la. Às vezes ela se culpa pelo que aconteceu com sua mãe e sua irmã.
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THE LOST - Simone & Soraya.
RomanceCom qual olhar você encararia a vida se perdesse sua esposa e filha em um acidente de carro? Simone Tebet é uma mulher marcada por uma das piores dores do mundo: a dor de enterrar um filho. Após a grande tragédia em sua família, ela se fechou para t...
