Soraya Tronicke:
— Estou dizendo, ela me deixou apavorada e com medo de completar uma frase sequer.
— Isso é sério, amiga?
— Ah, isso porque não mencionei o "bilhete" que mais parecia uma ameaça que ela "pregou" em cima da mesa. — tomei um gole do meu suco de laranja e repensei as regras que ela escreveu.
— Isso porque nem começou de fato a trabalhar. — Júlia riu, e forcei um sorrisinho fraco.
Júlia é a minha melhor amiga, e me ajudou bastante quando César me abandonou. Como somos vizinhas há vários anos, somos confidentes em relação a quase tudo, e nos tornamos inseparáveis.
Ela é morena, baixinha e tem os olhos castanhos. Acho minha amiga linda, mas como várias mulheres que conheço, ela tem um complexo com seu corpo, apesar de eu sempre tentar levantar o seu astral.
Eu não sou muito diferente. A única diferença é que tenho os cabelos loiros e médios, mas meus olhos também são castanhos e eu também sou, digamos que, um tanto desprovida de altura...
Não sou assídua na academia, já que não disponho de tempo, e no momento, nem dinheiro, mas possuo o corpo razoavelmente bonito. Na verdade, nós, mulheres, nunca estamos satisfeitas com nosso corpo, então…
— Vou tentar ignorar Simone o máximo possível.
— Isso não é ruim? — cruzou os braços me olhando com o semblante divertido.
— É o que ela quer, Ju. No meu trabalho farei o que me mandarem.
— Se está dizendo. — levantou as mãos, simulando rendição.
— Eu preciso do dinheiro que ela irá me pagar, e farei de tudo para não me afetar com as poucas palavras grosseiras dela. Simples assim.
Eu não sabia ainda, mas isso dificilmente iria acontecer.
[...]
O dia seguinte estava sendo um inferno na casa de Simone.
Um caminhão descarregou móveis e utensílios em frente ao portão principal do casarão. Eu mais parecia uma barata tonta, já que não havia informação alguma sobre isso. Não sabia nem em qual local os móveis estariam dispostos, muito menos se eles eram realmente para cá.
— Soraya! — fui chamada por um homem, que mais parecia um dos seguranças da casa, e que nem fez questão de conversar direito comigo, somente me entregou um papel e disse: — Confira tudo. Se algo faltar você estará com problemas.
Dito isto, deu as costas e foi em direção ao jardim.
O que há de errado com as pessoas dessa casa?
Depois de passar a última hora conferindo os objetos e tentando entender onde os mesmos ficariam, eis que o motorista com a expressão mal-humorada veio conversar comigo.
"Estranho" ele ser mal-humorado, não? Até porque ninguém que frequenta essa casa é…
— Assine! Estou atrasado.
— Ainda não conferi, e…
— Está tudo aí, moça. Me ajude a te ajudar, vamos! — falou um pouco mais ríspido, me entregando a caneta, não, na verdade, ele praticamente a jogou em mim.
Minha paciência já não estava das melhores, mas foquei no dinheiro que receberia no fim do mês e abri um sorriso falso. Eu realmente precisava desse trabalho.
Assinei o papel. Rapidamente o homem manobrou seu caminhão para fora da mansão. Voltei para os meus afazeres, conferindo os objetos e a cópia que me foi entregue, mas eis que…
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THE LOST - Simone & Soraya.
RomanceCom qual olhar você encararia a vida se perdesse sua esposa e filha em um acidente de carro? Simone Tebet é uma mulher marcada por uma das piores dores do mundo: a dor de enterrar um filho. Após a grande tragédia em sua família, ela se fechou para t...
