12. Crianças

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"Certas vezes uma só frase é necessária para nos sentirmos vivos de novo…"

Simone Tebet:

Não tenho recordações de me divertir tanto. Hoje foi um dia atípico.
                 
Pode ser exagero quando falo assim, mas Isabella conseguiu arrancar gargalhadas minhas hoje, e ainda não sei o porquê ela quebra minhas barreiras tão facilmente.

Antes de novamente entrar em meu quarto, percebi Maria Fernanda jogando videogame na sala. Sorri minimamente. Ela nunca gostou de brincar de bonecas ou maquiagem, sempre foi pro lado mais radical.

Analisei se seria uma boa ideia tentar uma aproximação, mesmo assim sentei-me no sofá onde ela estava.
                    
A escola dela começaria amanhã, e confiei em Soraya para levá-la.
                   
— Ganhando?
                     
— Hã?
                   
Apontei o indicador para o jogo de futebol.
                 
— Sim.
                   
— Pelo visto você é boa.
                 
Realmente perdi uma boa parte da intimidade com minha filha, e se antes eu jogava com ela, agora nem mesmo observá-la e fazer comentários eu consigo. Queria mudar isso.

É só dar o primeiro passo, Simone!
                    
— Mais ou menos.
                    
— Posso ficar assistindo?

— Uhum.

Os cinco minutos seguintes foram de mais puro silêncio na sala.
                     
Meus pensamentos diziam que era uma má ideia permanecer aqui, já que não sou uma mãe presente, só que resolvi ignorá-los hoje, já que já quebrei muitas "regras".
                     
— Por que você estava brincando com aquela menina? — Maria Fernanda puxou conversa comigo, me surpreendendo.
                 
— Ela estava sozinha e acabou me chamando.

Imediatamente ela pausou o jogo, me olhando irritada. O semblante dela havia mudado drasticamente.
                   
— Não quero uma irmã! — falou de forma ríspida e jogou o controle no sofá, tentando sair da sala logo depois. Dessa vez não deixei que isso acontecesse.
                     
— Maria Fernanda! — segurei uma de suas mãos. — Ela é filha da Soraya, e não estou procurando uma irmã para você, se é o que pensa.
                  
— Só que você gosta dela.
                    
— Sim. Isabella é uma boa menina, e muito alegre. Você podia dar uma chance para ela, sei que se sente sozinha.
                   
— Eu quero a minha irmã e a minha mãe!
                   
Vi o quanto ela estava furiosa após ouvir seu tom, e em um primeiro momento não consegui dizer nada.
                 
— Não é só você que sente a falta delas. Todos os dias eu penso em sua irmã, e daria tudo para que ela estivesse aqui com a gente.
                   
— Não quero mais jogar!
                   
Saiu da sala e foi em direção ao seu quarto.
                   
Minha cabeça estava quente, e fechei os olhos por alguns segundos, tentando entender um pouco da cabeça da minha filha. Em vão.
                    
Não sei o que fazer, a verdade é essa.
                    
— Com o tempo ela irá melhorar, Simone. — ouvi a voz de Sirlei perto de mim, e imediatamente abri meus olhos.
                   
— Não sei mais o que fazer. Eu até tento me aproximar de Maria Fernanda, mas ela me ignora totalmente. Eu sou uma mãe falha, Sirlei.
                     
— Não, você não é. — sentou-se ao meu lado.
                                              
Não consigo ser grossa com Sirlei. Não tentem me entender, mas ela é uma das poucas com quem não me irrito.

THE LOST - Simone & Soraya.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora