"O amor e ódio são os dois lados da mesma moeda. Eles andam lado a lado, mas não podem reinar juntos. Quem ama é incapaz de odiar."
Soraya Tronicke:
Simone havia voltado para casa.
Ela foi trazida na cadeira de rodas, e nessa última semana não falou quase nada com ninguém. Nos primieros dias era normal, já que seu maxilar estava levemente comprometido, mas anteontem mesmo o médico disse que já estava tudo bem, e era importante que Simone exerxitasse sua fala. Mesmo assim, conversar com ela ainda era quase um monólogo, ela só respondia o essencial, em frases de no máximo três palavras, quando respondia.
A maior parte desses dias ela passou dormindo. Provavelmente pelo tanto de remédios para dor que ela precisava tomar, mas também não sei exatamente os efeitos que toda aquela tortura causou em sua cabeça, apenas sei que ela precisa de alguém para animá-la a seguir em frente, e esse alguém serei eu.
— Preciso que faça a fisioterapia como ela tem que ser feita.
Silêncio. Ela sequer me olhava.
Simone nem mesmo brigava mais comigo. E isso me assustava.
Sua mente estava distante, e além de tudo, parecia não se importar com nada a sua volta. Ela ainda não se locomovia sem a cadeira de rodas, e seu rosto ainda estava um pouco inchado devido às agressões. Bem menos, mas ainda estava.
— Simone, você está me ouvindo?
Ela desviou seus olhos para mim, mas ainda não disse nada.
Esse olhar deve ter permanecido em mim por no máximo três segundos, e logo ela voltou sua atenção ao… nada.
Estava difícil conversar com ela, ou tentar animá-la para que ela fizesse a fisioterapia corretamente. E até mesmo uma terapia. Mas, conhecendo-a bem, acho que será difícil. Tudo a respeito de Simone é complicado no fim das contas.
— Saiba que me certificarei de que fará todos os exercícios corretamente.
Resolvi dar um tempo a ela, mas já pensava em meus próximos passos, e em como acompanharia de perto sua recuperação.
Tentei continuar normalmente meus afazeres do dia a dia na mansão, mas isso era mais difícil a cada segundo que eu não estava perto de Simone.
A vontade de estar por perto me matava, e por mais que ela quisesse e precisasse de um tempo, algo mexia comigo, me dizendo que ela precisava de mim, sendo assim, volta e meia dava um jeito de ver como ela estava, por mais que ela não falasse uma palavra.
Foi em uma dessas vezes que fui ao seu quarto que vi Isabella saindo do mesmo, acompanhada por Sirlei.
Minha filha não estava feliz, e seu rostinho me provou isso. Eu já tinha uma ideia do que poderia ter acontecido.
— O que foi? — ao me aproximar vi melhor sua face, percebendo ela chorosa e cabisbaixa.
— A tia Simone não falou comigo. Ela nem me olhou.
Agachei e toquei seus ombros.
— Filha, aconteceu muita coisa com ela. Simone está muito machucada.
Bom, essa foi a parte mais difícil para mim: Maria Fernanda e Isabella.
Até dias atrás as duas pensavam que estavam participando de uma brincadeira, só que depois tive que contar algumas coisas que aconteceram naquele fatídico dia.
Não contei a história toda para eles, somente algumas coisas, entre elas que a mansão havia sido assaltada e que Simone havia sofrido agressões. Não poderia mentir, as crianças têm contato com ela de forma constante. Só tentei amenizar um pouco e falar da forma menos pesada possível.
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THE LOST - Simone & Soraya.
RomantikCom qual olhar você encararia a vida se perdesse sua esposa e filha em um acidente de carro? Simone Tebet é uma mulher marcada por uma das piores dores do mundo: a dor de enterrar um filho. Após a grande tragédia em sua família, ela se fechou para t...
