Soraya Tronicke:
Simone estava me chamando. Eu iria até ela tranquila como normalmente faço no dia a dia, tudo normal, só que dessa vez ela estava naquele lugar da casa: seu quarto.
Nunca me aventurei por lá – bom, exceto aquela vez – já que o medo era maior em ser demitida. E agora, por mais que ela tivesse me chamado, certo receio tomou conta de mim, pois aqui é o seu quarto!
Ainda sim, respirei fundo e fui até lá, adentrando o lugar proibido cautelosamente. Franzi a testa quando não a avistei de imediato.
— Entre! Estou aqui do lado.
A voz dela vinha de algum local mais abafado dentro do quarto e a seguindo, em questão de segundos adentrei a uma sala que só podia ser acessada passando por uma espécie de porta com senha, que estava aberta. Deduzi que era ali onde Simone dava vida aos seus projetos. É um cômodo teoricamente grande, e havia muitos objetos dispostos em cima de uma das mesas.
Havia uma pasta A3, alguns tubos extensíveis, pasta maleta, prancheta portátil, entre outras coisas.
— Precisa de algo? — perguntei, extremamente receosa ao perceber que ela estava trabalhando.
E minha mente pensando que ela queria outra coisa… ou ela realmente quer?
Pare de fantasiar com a mulher! Uma voz em minha mente me repreendeu.
— Sim.
— Do que precisa?
— Pagar uma promessa.
— Como? — perguntei confusa.
Simone se levantou, e chegou mais perto, por um momento jurei que seria beijada e no fundo queria tal gesto. Há algo em Simone que me deixa viciada, e por mais que seja perigoso, não consigo controlar.
— Eduardo. Lembra de uma frase dele sobre você aprender com certa arquiteta?
Sorri.
— Não vai adiantar. Não tenho curso, nem nada.
Simone parou a centímetros de mim, e minha boca ficou seca. O simples olhar dessa mulher me deixa desajeitada e me portar como uma mulher normal em sua presença é extremamente complicado.
— Eu sei.
— Então...? Não entendi bem o propósito.
— Sabe qual o seu problema, Soraya?
— Ah, tenho vários. — sibilei. — Nem me peça para enumerá-los.
— Não vou. O seu maior problema é subestimar a si mesma. — revelou tranquilamente. — Comigo você tem a oportunidade de saber se quer mesmo isso para a sua vida.
Se quero isso o quê? A área ou você especificamente?
É claro que meu cérebro idiota iria pensar em algo assim.
— Eu gosto disso. — deixei escapar enquanto pensava no quão generosa Simone estava se mostrando ultimamente.
— Da ideia?
— Não isso. Bem… do que você está se tornando como mulher.
Simone estreitou os olhos, mas não disse uma palavra sequer. Confesso que por alguns instantes não consigo identificar bem o que está por detrás do seu semblante, mas o que não quero fazer é irritá-la, já que apesar de tudo ela está sendo uma boa pessoa para mim e minha família.
— Me diga mais… — de repente ela deu um passo à frente, e eu recuei um pouco.
— É só que… estou gostando de como está tratando as pessoas. Digo, olha o que você acabou de me propor, é algo muito generoso de sua parte... e você também tem sido muito paciente com sua filha nos últimos dias. — falei rápido e de um jeito desengonçando, enrolando-me nas palavras. Sua presença me afeta.
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THE LOST - Simone & Soraya.
RomanceCom qual olhar você encararia a vida se perdesse sua esposa e filha em um acidente de carro? Simone Tebet é uma mulher marcada por uma das piores dores do mundo: a dor de enterrar um filho. Após a grande tragédia em sua família, ela se fechou para t...
