33. Eu não consigo te esquecer

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"O passado molda o nosso presente, e o nosso futuro depende exclusivamente das escolhas que fazemos."

Simone Tebet:

Uma semana se passou, e continuei com questões mal resolvidas com Soraya. Ela mal olhava em minha cara, e nem mesmo fazia questão de conversar comigo, somente assuntos rasos e triviais relacionados ao trabalho.

Não entendi o porquê logo agora ela insistiu tanto em me perguntar sobre a tragédia que ocorreu em minha família, eu não queria tocar novamente em algo que lutei tanto para esconder.

— Você quer chá?

— Adoraria. — sorri.

É… eu estava brincando de casinha com Isabella, ou seja lá o que isso se chama. Basicamente consiste em ficar sentada fazendo nada, fingindo que está comendo e bebendo junto com bonecas. Fazia tempo que eu não praticava essa experiência, a última vez foi com Maria Eduarda. Na época era isso, ou ficar brincando no parque.

— O chá que eu fiz tá bom?

— Uma delícia.

— Então toma ele direito, tá? — disse com autoridade, quase me obrigando.

— Pode deixar. — assenti.

A escola de Isabella havia começado há alguns dias, e no começo ela não estava animada, acho que ela preferia ficar aqui, brincando com todas as pessoas possíveis da casa. Eu sou a preferida, modéstia à parte, pelo menos eu acho, já que algumas brincadeiras Maria Fernanda não gosta de participar, como essa de agora.

Já eu… tenho que confessar que é complicado falar a palavra "não" para essa pequena, tentei alguns dias atrás, e ela ficou com os olhos tão tristes que fiquei com pena e voltei atrás na minha decisão, e uma mulher como eu, para desdizer algo que já disse inicialmente é um tanto difícil.

— Tia Simone…

— Hum?

— Com quantos anos eu posso namorar? — fixou o olhar em mim.

— Como é?! — se realmente existisse um chá naquela pequena xícara, eu com certeza teria me engasgado agora.

É claro que me assustei, ainda mais vindo de uma menininha tão pequena.

— Tô querendo saber quando eu posso beijar na boca. — sorriu mostrando os dentes, mas um pouco sem graça.

— Hora nenhuma! — falei com o tom elevado. — Onde já se viu uma menina desse taman…

Cessei a fala. Às vezes esqueço que estou conversando com uma garotinha de 5 anos de idade.

— Mas eu vejo as pessoas fazendo isso. — tentou argumentar.

— Pessoas adultas. Você ainda é uma criança, tem que pensar nisso só daqui uns... 15 anos ou mais.

Eu sou péssima para falar sobre esses assuntos. Não tenho vocação alguma para conversar sobre paquerinhas ou até mesmo beijos.

— Tá bom, tia Simone. É só que eu vi você e a mamãe beijando na boca.

Congelei. E eu pensando que a situação não podia piorar…

— T-tem certeza? Você não viu… errado?

Ótima pergunta, Simone.

— Não. Tem alguns dias já. — sorriu.

— Desculpe, Isabella. Eu… nem sei o que dizer.

É raro eu ficar com vergonha, embaraçada ou algo do tipo, mas agora eu não sabia onde enfiava a minha cabeça. Fiquei desnorteada, e nem sequer consegui arrumar uma desculpa decente.

THE LOST - Simone & Soraya.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora