32. Revelações

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"O momento das revelações é chegado, e com elas, certas dores finalmente serão entendidas..."

Simone Tebet:

Não estava confortável de vir a esse local. Não mais.

Visitar uma pessoa que traz somente memórias horríveis a você não faz sentido algum. Somente uma pessoa masoquista faz algo assim, ao querer se lembrar de um passado que jamais sairá da sua cabeça.

Mas aqui estou, a espera de Kaique, o homem que acabou com os meus sonhos, a pessoa que é responsável direta pela morte de Maria Eduarda e Helena por consequência.

- Isso nunca irá mudar... - ele disse, fitando meus olhos.

- É uma pergunta?

- Não. Uma afirmação.

Não respondi, nem precisava.

Satisfação é algo que não dou de forma costumeira, e muito menos para uma pessoa que desprezo com todas as minhas forças.

- Me desculpe. Eu me arrependo do que fiz. - abaixou a cabeça. Ele sempre dizia isso.

- Você fala isso porque está cansado de olhar em meus olhos, sabendo que destruiu a minha família. Não é por realmente se arrepender, é por estar cansado de ser humilhado.

- O que mais quer de mim? Eu ficarei aqui o resto dos meus dias!

- Sabe... levei um tempo para descobrir que Helena me traía com você. - ignorei sua pergunta. - O erro foi meu, já que eu os apresentei. Mas como desconfiar do meu melhor amigo na época, não é?

- Simone...

- Cale a boca! - o interrompi. - Você é sinônimo de tudo que possuo de ruim em minha vida. É por sua causa que não consigo mais confiar em ninguém.

- Eu errei, e assumo.

Comecei a rir. Se fosse um erro "comum" de traição eu até poderia tentar entender.

Traição é considerado "normal" no mundo de hoje. Apesar de algo repugnante, é algo intrínseco das pessoas trair a confiança de alguém. Eu desprezo atitudes assim, mas nada do que eu penso irá melhorar o mundo, já que estamos em decadência.

Como eu iria desconfiar de Kaique, justo meu melhor amigo? Isso estava fora de cogitação. Mas o destino fez questão de ligar os pontos para mim...

Vai ser estranho falar isso, mas eu descobri sem querer sobre o romance da minha mulher com meu melhor amigo.

Estava andando no shopping, algo que não costumava fazer, e percebi Kaique indo em direção à uma loja.

Andei a passos largos em sua direção para cumprimentá-lo - e conversar alguns assuntos. Claro, também iria falar sobre o fato de meu casamento estar desmoronando, já que ele era o melhor amigo, não?

Por mais que estivessemos distantes naquele último mês, eu entendia o seu trabalho, e tinha certeza absoluta de que a culpa não era dele. Eu precisava de seus conselhos, e tentar de alguma forma entender como cheguei ao fundo do poço em meu casamento.

Só que o destino, se é que existe, resolveu agir, e há mais ou menos vinte metros de distância reparei em Helena surgindo e indo em direção a Kaique. É claro que em um primeiro momento não achei nada demais, já que também eram grandes amigos, entretanto, mas a situação de repente mudou de figura, e saquei tudo em menos de cinco minutos.

Mão na mão, mão direita em uma parte significativa dos cabelos, polegar na bochecha, beijo na testa...

Eu realmente não precisava de nada mais para entender tudo que estava acontecendo naquele momento, mas o ápice daquela situação inusitada foi o beijo apaixonado no fim da conversa.

THE LOST - Simone & Soraya.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora