11. Precisa ser

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"Às vezes só precisamos de uma palavra amiga para tudo se acertar…"

Soraya Thronicke:

Me levantei mais cedo que de costume. Já que Isabella iria comigo, precisei acordar a minha pequena e organizar algumas coisas para levarmos à mansão.

Depois de tudo organizado e nos conformes, fomos em direção à porta, e quando a abri…

Percebi um Audy preto estacionado na porta da minha casa. Não havia notado a placa ainda, mas ele se parecia com um dos carros que os motoristas de Simone usam quando é necessário.

Ao chegar perto do automóvel, o vidro se abriu, e logo avistei João, que abriu um largo sorriso ao me ver.

— Olá, Soraya. Simone pediu para buscá-las.

— Ah, claro.

— Cá entre nós, acho que isso irá acontecer todos os dias. — sorriu novamente logo em seguida.

— Tudo bem.

Fiquei repensando sobre essa boa vontade. A mulher não é assim, e está muito estranha ultimamente. Quer dizer… comigo ainda continua a mesma bruta de sempre, mas algo parece estar mudando.

Chegamos na mansão e Simone estava no sofá, lendo uma revista.

Isso não é usual. Relevei.

— Oi, tia Simone.

Isabella foi a primeira a falar, e achei ótimo isso ter acontecido, já que pude reparar melhor no rosto de Simone. É estranho… como vou explicar?

Simone parece travar, e alguns segundos depois ela "volta" ao mundo.

— Oi, pequena. Tenho uma surpresa para você!

— O quê é? — se animou.

— Está lá na cozinha. Sirlei irá te mostrar.

Rapidamente Sirlei pegou na mão de
Isabella e as duas foram para a cozinha.

— Não esqueceu de nada, filha?

— Ah, obrigada, tia Simone.

— De nada.

Simone e eu permanecemos na sala. Ela me observou por alguns segundos, só que preferiu ficar quieta.

— Eu não sabia que João traria nós duas.

— Isso é uma forma de evitar seus atrasos. Resolvi de última hora.

Sei…

— Hoje tenho muito trabalho. Espero que não me interrompa.

Diga isso para Isabella, sua mais nova amiguinha…

— Certo.

Seria possível eu estar com ciúmes? Acho que não. Meu problema é não entender o porque ela é assim com minha filha, já que nem com Maria Fernanda, sua própria filha, vi demonstração alguma de afeto.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Não. Mas se bem lhe conheço, você a fará em outra oportunidade, e eu não saberei que é a mesma pergunta de hoje.

— Isabella se parece com a sua falecida filha?

Esperei o pior após questioná-la. Se Simone é grossa e insensível com perguntas normais, que não necessariamente têm algo a ver com ela, e quando faço uma pergunta íntima?

— Na verdade, não. Madu era um pouco mais reservada, e era grudada com a outra mãe dela. Apesar disso, quando ela estava comigo nos divertíamos muito.

THE LOST - Simone & Soraya.Onde histórias criam vida. Descubra agora