capítulo 43- Em Rio das Flores

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Rio das Flores.

Laurel e Karla já haviam chegado ao destino. Há mais de trinta minutos batiam palmas diante da casa, esperando que alguém as atendesse. O tempo corria, e nenhum sinal de vida vinha de dentro. Já estavam prestes a desistir, quando uma mulher de meia-idade apareceu na porta. Parecia ter por volta de quarenta e cinco anos.

— Boa tarde! O que desejam? — perguntou ela, com um semblante desconfiado.

— Boa tarde! — disse Karla, educadamente.

— Boa tarde — repetiu Laurel. — É aqui que mora a Laís?

— Sim. Mas o que vocês querem com minha filha? Quem são vocês? — retrucou a mulher, já erguendo um pouco o tom.

— Calma, senhora — respondeu Laurel, tentando manter a cordialidade. — Eu sou advogada, me chamo Laurel, e esta é minha estagiária, Karla. Precisamos muito conversar com sua filha. É um assunto delicado... e extremamente importante.

— Ela está em casa? Prometo ser breve — insistiu.

A mulher as observou por mais alguns segundos, ainda hesitante. Então, suspirou, recuou o corpo e disse:

— Sim, ela está. Entrem, por favor.

O portão se abriu com um rangido leve, e elas entraram.

Alguns minutos depois

Já acomodadas na sala, sentadas no sofá de tecido florido, foram recebidas com um café preparado pela anfitriã, que se apresentou como Aurora. A conversa ainda não havia começado quando uma voz feminina soou do corredor:

— Mãe, quem era que estava... — Laís interrompeu a frase ao entrar na sala e se deparar com as duas estranhas.

Laurel e Karla se levantaram de imediato.

— Olá, Laís — disse Laurel com um sorriso gentil. — Sou advogada, meu nome é Laurel, e esta é Karla, minha estagiária. Podemos conversar com você?

— Sim... Mas de onde vocês me conhecem? Me desculpem a indelicadeza, é que nunca vi vocês antes.

— Uma amiga sua falou de você para nós — explicou Laurel. — Estou representando um caso muito sério, e precisamos da sua ajuda.

— Minha ajuda? — perguntou Laís, franzindo a testa. — Não entendo... ajuda com o quê?

Laurel lançou um olhar para Karla, que retribuiu o gesto com um discreto aceno de incentivo. A advogada respirou fundo e disse:

— Você conhece Otávio Martinez?

O nome provocou um leve tremor em Laís. Ela desviou o olhar, endureceu a expressão e respondeu, fria:

— Não conheço ninguém com esse nome. Se é por isso que vieram, já podem ir embora.

— Laís, por favor — interveio Karla, suavemente. — Sabemos que é difícil falar sobre esse... abusador. Mas, por favor, escute a Laurel. Ela pode ajudar você, de verdade.

— O caso que estou tratando — continuou Laurel — é exatamente contra esse criminoso. Ele abusou de uma jovem de dezenove anos, filha de um dos sócios do pai dele. A moça contou tudo aos pais, e eles me procuraram para representá-los.

Laís fechou os olhos por um instante. Respirou fundo. Ao abri-los novamente, sua voz saiu firme, porém trêmula:

— Sentem-se, por favor. Eu... Eu vou contar tudo a vocês.

— Então você conhece Otávio Martinez? — perguntou Karla, pegando a xícara de café que Aurora havia acabado de lhe entregar.

Aurora se retirou da sala discretamente, deixando as três a sós.

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