Três dias depois - 07h00
Ponto de vista: Natalie
- Bom dia, filha! - saudou Laurel ao entrar na cozinha, puxando a cadeira com delicadeza.
- Bom dia, mãe. Dormiu bem?
- Dormi super bem. E você, meu amor?
- Como um bebê - respondeu Natalie com um sorriso preguiçoso.
- Nada como uma boa noite de sono pra renovar a alma, não é?
- É, e hoje precisamos mesmo estar bem. - Natalie a observou com atenção. - Como a senhora está se sentindo? Hoje é o grande dia.
Laurel soltou um suspiro e repousou a xícara sobre o pires, hesitando antes de responder.
- Estou nervosa. Não sei se ela vai gostar... ou aceitar o meu pedido.
- Mãe! - Natalie segurou a mão dela com firmeza. - Que nervosismo é esse, hein? É óbvio que ela vai aceitar. A Karla é apaixonada por você. Dá pra ver no jeito como ela te olha.
Laurel sorriu, mas havia uma sombra em seu olhar.
- Eu sei... Mas às vezes eu paro pra pensar que ela é tão cheia de vida. Linda por dentro e por fora. Ainda tem tanta coisa pra viver...
- E você não ama ela?
- Claro que amo. Com todo o meu coração. Mas fico pensando se não estou tirando dela a chance de viver coisas que uma mulher jovem deveria viver. Viajar mais, se descobrir, mudar de rumo se quiser... Eu não quero ser um limite pra ela.
- Ah, mãe, olha só... - Natalie se inclinou pra frente, tocando a mão da mãe com carinho. - Isso não é limite. Isso é amor. E amar também é escolher alguém pra dividir a jornada. Ela escolheu você, todos os dias. Não tem prisão nisso, tem vontade.
Laurel parecia absorver cada palavra como quem recolhe conchas preciosas numa praia deserta.
- Eu tenho medo...
- Medo todo mundo tem. Mas isso não quer dizer que você não esteja fazendo o certo. E, francamente, você também merece ser feliz.
Laurel sorriu, emocionada.
- Obrigada, filha. Suas palavras me acalmam. Mas... não era pra você estar com sua namorada?
- Era, mas a gente brigou. Eu resolvi vir embora.
- Brigaram de novo? Pelo mesmo motivo?
- É... Mas não quero falar disso agora.
Laurel não insistiu. Apenas pousou a mão sobre a da filha, num gesto silencioso de acolhimento.
- Quando quiser conversar, estou aqui. Você sabe.
- Sei sim. Agora preciso me arrumar. Vou sair com os meninos e a tia Chris.
- Manda um beijo pra eles e diz que estou com saudades.
- Pode deixar. Tchau, mãe. Te amo.
- Te amo, minha menina. Vai com Deus.
Narrador
O dia voou, como se o tempo também estivesse ansioso pelo que viria. Laurel mal conseguiu se concentrar em qualquer coisa. Conferia os detalhes uma, duas, dez vezes. Arrumava os cabelos, depois desarrumava. Mudava o brinco. Mudava de novo. Até o perfume foi trocado três vezes.
Do outro lado da cidade, Karla sentia o coração apertado. Nos últimos dias, Laurel vinha se afastando, recusando convites, alegando cansaço ou compromissos que Karla estranhava. O fantasma da insegurança começou a assombrá-la.
"Será que ela está querendo terminar?" - pensou, encostando a testa na janela da sala. "Será que eu fiz algo errado?"
Mal sabia ela que o que a aguardava era tudo, menos o fim.
Mais tarde, ao entardecer
Laurel dava os últimos retoques no batom quando Natalie e Priscilla entraram no quarto.
- Uau, mãe! - disse Natalie, impressionada. - A senhora está deslumbrante! Karla vai babar.
- Realmente, sogra... Se eu não fosse comprometida e perdidamente apaixonada por sua filha, eu tentava algo com você - disse Priscilla em tom brincalhão, arrancando um tapa bem-humorado de Natalie.
- Ai! Que foi isso?!
- Boba!
- Mas é verdade. Você está linda, Laurel.
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universo do amor
Fiksi Penggemarjá parou pra pensar como o amor pôde ser tão complicado às vezes quando você encontra aquela pessoa e vocês começam a se relacionar e aí surge algumas barreiras cabe vocês decidirem se vão ficar juntas ou não.
