Capítulo 45 -Antes Que a Noite Acabe

97 8 1
                                        

                 Rio das Flores — 22h00

O vento morno soprava pelas ruas tranquilas da cidadezinha enquanto Laurel e Karla voltavam para o resort. Haviam jantado em um restaurante charmoso, de luzes amareladas e clima acolhedor, e depois passearam sem pressa, explorando as belezas de Rio das Flores. Agora, adentravam o quarto com os passos lentos de quem ainda carregava o encanto do passeio.

— Que cidade linda — comentou Karla, deixando escapar um suspiro encantado.

— Você gostou mesmo daqui? — perguntou Laurel, sorrindo ao trancar a porta.

— Gostei muito, apesar de termos visto só um pouquinho... E o jantar estava divino — ela disse, retirando as sandálias e se sentando na beira da cama.

— Eu também amei. Prometo que, quando tudo isso passar, volto com você e com as crianças. Vamos tirar umas férias. Nem que sejam pequenas — disse Laurel, aproximando-se para um selinho demorado.

Ela se dirigiu até o criado-mudo ao lado da cama e pegou o celular, que estava carregando. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Mas antes que pudesse guardá-lo novamente, o aparelho vibrou e começou a tocar.

— Alô? — atendeu Laurel, colocando no viva-voz e desabotoando a camisa social sob o olhar atento de Karla.

— Alô, linda... é a Laurel que está falando? — disse a voz masculina, com um tom provocador.

— Sim, é ela. Quem está falando?

— Ah, não acredito que esqueceu minha voz. Nem faz tanto tempo assim... Isso porque sou o amor da sua vida. Magoei agora — disse, entre risos.

— Marco... — disse Laurel, franzindo o cenho, reconhecendo o tom familiar.

— Achei que ia demorar mais pra descobrir.

— Também não precisa exagerar.

— Tô brincando! Liguei pra saber se nosso drink ainda está de pé. Preciso falar com você.

— Nossa, eu até comentei disso hoje — disse Laurel, tentando não sorrir demais.

— Tá vendo? Você pensa em mim. Isso só prova que sou o amor da sua vida!

— Você não desiste nunca... Pode ser na quarta-feira?

— De você? Jamais. Quarta está perfeito.

— Marco, olha... é melhor você desistir. Eu estou namorando. E você é casado.

— Isso é só um detalhe, minha querida. Mas, se quiser, me separo da minha esposa no estalar dos seus dedos — ele riu.

— Mas eu não largo da minha namorada — disse Laurel, olhando diretamente para Karla, que agora mantinha os braços cruzados e os lábios cerrados.

— Não tem problema. Eu não sou ciumento.

— Mas ela é. E pelo visto, não está gostando nada dessa conversa. Vou desligar. Até quarta.

— Tchau, linda. Estarei esperando ansiosamente.

Ligação encerrada.

Laurel guardou o celular e se aproximou da cama. Karla continuava sentada, olhar fixo, o silêncio pesado entre elas.

— Amor? — tentou Laurel, sem resposta. — Katz?

— O que foi? — respondeu Karla, seca.

— Você tá brava?

— Por que eu estaria? — ela cruzou os braços, esperando a resposta.

— É o jornalista que te falei...

universo do amor Onde histórias criam vida. Descubra agora