Desde então, as sendas que antes me foram caras se tornaram intransponíveis. O infortúnio deixou em mim uma marca indelével, abrindo-me os olhos para o aguçado espinho das pedras da existência. Possivelmente, em tempos remotos, eu experimentei uma sensação de triunfo, mas é-me patente a possibilidade de revisitar os dias antigos e aspirar à elevação do espírito. Contudo, o propósito almejado nem sempre pode ser atingido, já que a senda a ser percorrida se revela árida e dolorosa.
Na atualidade, a solidão é minha cúmplice derradeira, oferecendo-me um refúgio seguro. Em contrapartida, outros sentimentos se mostram desarticulados e remotos, como se a possibilidade de tocá-los houvesse se esvaído. Não me apavora o futuro, mas temo que as correntes do passado ainda me detenham. Ansiaria eu sentir-me como em tempos remotos, mas a verdade é que nem sempre foi assim. O pretérito oculta lembranças truculentas que jamais ousaria descrever plenamente e prefiro que elas permaneçam sepultadas no fundo do meu ser.
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As Vivências
Não FicçãoUm conjunto de prosas que eu escrevo enquanto enfrento algum problema na vida ou quando pretendo praticar técnicas de escrita (A imagem representa o último texto publicado) Legenda Temática: Drama Existencial [1] Reflexão filosófica [2] Imagética [...
