PRAZER EM TE CONHECER

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    — Jonas, você já conferiu as mangueiras? — Falo me aproximando dele com alguns equipamentos que coloco no caminhão.

    — Pela quinta vez, já conferia as mangueiras, Tenente Jauregui. — Ele fala claramente sem paciência, pegando os equipamentos que eu coloquei no caminhão e conferindo também.

    Suspiro profundamente e pego uma bolsa cheia de pequenos equipamentos que usávamos nos incêndios de dentro do caminhão, não sei se foi pelo peso ou a força que usei para puxar ela, mas sinto uma dor intensa na minha mão, o que faz com que eu deixe a bolsa cair no chão.

    — Ei, Laur, você deveria ir falar com a Ally e trocar esse curativo. — Nick fala pegando em minha mão, então vejo o curativo sujo de sangue.
   
    Eu penso em questionar, ou até mesmo retrucar com ele, mas sabia que ele estava certo e eu estaria apenas sendo teimosa.

    — Tá certo. — Falo derrotada.

    Pego a bolsa do chão com minha outra mão e a entrego para ele e me viro para voltar para dentro do batalhão para limpar minha mão e trocar o curativo.

    Quando estou entrando vejo uma mulher se aproximado do quartel, paro para ver se ela precisava de alguma ajuda e fico esperando que ela se aproxime mais. Vejo Ally vindo de dentro do quartel e olhava também para a mulher, que agora já estava perto o suficiente para reconhecer ela.

    — Camila. — Falo com os dentes cerrados e avanço um passo na direção dela, mas sinto uma mão de Ally me segurar pelo braço.

    — Laur, ela está com a bebê. — E assim que Ally fala, meus olhos focam no pequeno pacotinho nos braços de Camila. — Se você não tem nada de bom para falar para ela nesse momento, então é melhor nem falar nada.

    Fico alguns segundos encarando Ally até me dar por convencida, suspiro fundo novamente e me solto de seu aperto negando com a cabeça e sigo para o vestiário.

    Quando chego ao meu armário em uma reação impensada, dou um soco na porta do meu armário, o que faz meu corpo todo contorcer de dor em reação.

    — Ahhhhh... PORRAAAA... — Caio sentada no banco que tinha ali segurando minha mão que agora estava doendo absurdamente.

    Olho para ela e vejo que o curativo agora está completamente úmido em um vermelho vivo.

    Me levanto e pego o kit de primeiros socorros que deixávamos no vestiário, vou até uma das pias que haviam ali.

    Retiro o curativo antigo e lavo minha mão para retirar o excesso de sangue, por sorte o corte não era tão grave quanto a quantidade de sangue fazia parecer, não havia a necessidade de levar pontos, mas teria que fazer um curativo melhor. 

    Fico olhando fixamente a água caindo na minha mão e levando um fio de sangue pela pia, até o ralo, só então me dou conta que estava chorando.

    — Que merda. — Pego uma toalha e aperto contra minha mão para estancar o sangue e aproveito para secar meu rosto.

    — Quer ajuda com isso ai? — Ouço a voz da Ally atrás de mim.

    Olho para ela e apenas confirmo com a cabeça, não iria recusar a ajuda de uma paramédica.

    Me sento novamente no banco e Ally se senta ao meu lado e pega minha mão, retirando a toalha.

    — Não está tão ruim. — Ela fala tentando me tranquilizar.

    — Não estou preocupada com o corte. — Respondo sem olhar para ela.

BURNING - Em ChamasOnde histórias criam vida. Descubra agora