EPÍLOGO - PT. 2

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A ansiedade bateu mais forte e já que consegui tempo para concluir a segunda parte do epílogo não tem porque enrolar para postar.

Espero que gostem.

Boa Leitura.



***



    O tempo passou mais devagar do que eu gostaria. Nova York nunca foi meu lugar favorito, e mesmo que eu amasse meu pai, estar lá sempre me fazia sentir deslocada.

    Desde que ele se casou de novo, tudo parecia um pouco diferente, um pouco menos meu. Mas eu precisava desse tempo longe. Precisava organizar meus pensamentos, entender o que realmente queria fazer para consertar as coisas.

    Agora, deitada ao lado de Malti na minha cama, finalmente sentia que podia respirar de novo. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca da lua entrando pela janela. O silêncio confortável entre nós foi quebrado quando Malti perguntou, sua voz suave no escuro:

    — Como foram esses dias com seu pai?

    Suspirei, virando o rosto para encará-la.

    — Normais... Quer dizer, tão normais quanto podem ser. Eu não sou muito fã de ir para lá, ainda mais agora com a nova esposa dele. Mas... eu precisava desses dias. Apesar que foi muito bom ver meu avô e a tia Sofia.

    — Sua avó ainda ignora a sua existência?

    — Sim, mas também não é como se ela fizesse falta. — Falo deitando minha cabeça no travesseiro e encarando o teto. — Acho que fiz chega perto das histórias que minha mãe contava sobre ela. Isso me deixou mal, entende?

    — Não fica assim An, o importante é você reconhecer que errou, é aprender com seu erro e não repetir ele. Eu mesma aprendi que não dá para fazer uma festa escondida do meu pai. — Ela brinca tentando melhorar um pouco o clima.

    — É, talvez...

    Malti se virou para o lado, apoiando-se nos cotovelos, os olhos escuros me analisando com um brilho curioso. Ela hesitou por um segundo antes de permitir as palavras saírem de sua boca.

    — Eu senti sua falta. — Aquilo me pegou desprevenida, mas antes que eu pudesse responder, ela desviou o olhar e acrescentou apressada. — Quer dizer... A gente não se falou muito desde toda aquela confusão.

    Sorri, sentindo o coração bater um pouco mais rápido. Também me ajeitei na cama, ficando mais perto dela, nossos rostos agora a poucos centímetros de distância.

    — Eu também senti sua falta.

    Malti ficou vermelha, o que me fez sorrir ainda mais. Mas então, o que pairava entre nós desde aquela noite invadiu meus pensamentos de novo. O beijo.

    Nós nunca falamos sobre isso. Nunca mencionamos, nunca tentamos entender o que significava. Eu abri a boca para perguntar, mas fechei logo em seguida. Abri de novo, hesitei.

    Foi Malti quem quebrou o silêncio.

    — Eu... — Ela passou a língua pelos lábios, nervosa. — Eu não consigo tirar o nosso beijo da cabeça.

BURNING - Em ChamasOnde histórias criam vida. Descubra agora