Abri a pequena porta do lugar, o sino tocou e tocou novamente quando a fechei. Atrás de mim estava Childe que carregava grandes caixas de farinha em seus braços, seus cabelos ruivos genuinamente bagunçados e levemente encaracolados nas pontas. Sorri, limpando um canto de suas bochechas que estavam brancas da pequena parcela de farinha que caiu alí. Ele sorriu de volta e abri o estoque para que as colocasse alí.
Aether passaria mais tarde para me dar bom dia antes de ir para a faculdade, o deixei dormir mais tempo, já que estava cansado de tanto trabalhos. Seu plano era ser um cozinheiro nas horas vagas, estudava gastronomia e tentava me ajudar na padaria.
— Bem, parece que deixamos as coisas limpas ontem. — ele diz.
Ontem eu, Childe e Aether resolvemos terminar algumas fornadas para hoje e depois pedir um chinês, desde um tempo Childe tem ficado mais aqui, e curiosamente tem me ajudado mais atrás dos balcões do que sentado numa mesa comendo besteiras.
— Sim! o dia hoje será bom.
— Espero que aquele velho não venha de novo.
— senhor Laiette? coitado Childe. — eu ri, o homem sempre reclamava da forma que os bolinhos estavam. — aliás, por que não está na faculdade?
— mudei o turno. — ele fala simples, colocando o avental de Aether em si mesmo. — Achei melhor ficar com você de manhã.
Desde o dia da ligação, Childe não tem descolado do meu pé. Dá mesma forma que não tocamos mais naquele assunto, parecia doloroso para os dois lados. E evitamos nós encontrar com Dain, o medo era ele vir até aqui.
Senti sua mão segurar minha cintura, seu rosto perto de minhas bochechas, sua respiração quente colada a minha.
Os olhos azuis oceânicos fitavam os meus, um olhar diferente no qual não entendia.
— O que acha de irmos patinar hoje, antes do treino? — ele sorri.
— E-Eu, sim? claro! — dei uma risada sem graça, coloquei as mãos no peito, sentindo-me eufórica. Tem sido assim desde que descobri minha paixão.
— você está aérea.
o ruivo se esticou no balcão, olhando para mim e tirando meus cabelos do rosto.
— não é nada. — o respondo. — muito trabalho.
— o movimento está péssimo. — ironizou, tinha muitas pessoas pelo salão.
suspirei e me encostei também, fazendo um biquinho e olhando para a porta de vidro.
— Eu não posso te contar, nem tente.
— você terá que contar, mais cedo ou mais tarde.
tinha um sorriso brilhante, minha real vontade era de passar meus dedos por seu rosto, não o fiz. Estava completamente jogada em cima de minha paixão, porém não podia.
sou uma mulher doente, doente daquilo que remédios não curam. Anos de terapia mal tiraram a inquietação de uma traição.
Não o conheço o Bastante. Ou talvez devesse, ou talvez não, quanto mais cavo em suas ambições e peculiaridades mais me afogo em seus oceânicos olhos. São grandes faróis que me puxam como um ímã e me guiam na tempestade de meu passado.
Childe boceja, era cedo, antes mesmo da própria Universidade em frente abrir. Olhei para os estudantes correndo no Campus. Me tirei dali e corri para a máquina de café, fazendo dois.
entreguei para o homem de avental.
— obrigada.
ele bebericou, e aquilo pareceu descer seco.
— caramba Lumine, sério que nunca vou ter um café com açúcar?! — o ruivo esbraveja.
lhe dou uma boa risada, trazendo olhares dos clientes.
===== Childe ★
— Já já trago seu bolinho senhora, só um instante. — falo indo em direção ao balcão pela terceira vez em um minuto.
já era quase oito horas, o clima estava agradavelmente chuvoso. E nada mais combina com chuva do que café, olhava para ela pela décima vez do dia. atendendo o outro lado do salão, com sua saia justa preta e seu avental verde claro. Seu sorriso brilhante e conquistador, tudo era harmônico, sentia como se desde meus oito anos estivesse ao seu lado.
trabalhar na cafeteria não era difícil, só estressante, muitos clientes incovenientes.
entreguei o pedido da idosa, voltando para o ponto inicial e junto a Lumine se reencostando na parede cansados. Suspirando e sorrindo vitoriosamente.
De longe víamos outro loiro se aproximar, Aether vinha apressado. Passou pela porta como trovão.
— Porque não me acordou? — perguntou.
— estava dormindo muito fofo, desculpa maninho. — Lumine lhe respondeu, dando de ombros pra irritação.
— acho fofo.
— como estão as coisas? — ele olhou ao redor.
— agitadas.
Lumine saiu rapidamente para atender um novo cliente.
— Obrigada, por ajudar minha irmã.
— Está tudo bem cara, gosto da companhia dela.
— sei. — ele diz. — Lumine nunca teve amigos homens, é estranho pra mim.
— ah, sim. — me recuei. — é bem difícil sem segundas intenções.
— está insinuando algo Childe? — Aether olha para mim com o mesmo olhar do seu velho.
— não. — dou meu olhar mais firme que tenho.
— Se você casar com minha irmã...
— quê? pufft. não.
— está certo, te vejo no treino. — ele diz após furtar alguns doces. — tchau gostoso.
— tchau variante.
De um tempo pra cá, tenho tido muita intimidade com Aether. Já que somos do mesmo time.
olho novamente para a mulher, céus, que mulher.
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coffee without sugar
ФанфикшнEm uma noitada qualquer Lumine tem uma noite com um jogador de hóquei, mal sabe ela que apartir dessa noite roubou toda a dignidade e marra deste homem, além do seu coração é claro.
