Meus ombros tremiam por debaixo do uniforme, enquanto patinava rapidamente para o centro. O gelo sob meus pés parecia deslizar mais rápido do que nunca, mas meus pensamentos eram ainda mais velozes. Meus olhos cruzaram com os de Aether por um breve instante. Trocamos um olhar que dizia tudo, mesmo sem palavras. Esse jogo não valia nada para o time, mas para nós dois era tudo. Não era sobre vitórias, troféus ou fama. Era sobre algo muito mais profundo — a vingança por alguém que amávamos. Alguém que ainda vive em nossas memórias, cuja ausência deixou um vazio insuportável.
Sim, eu a amo. Amo Lumine com uma intensidade que nunca pensei ser capaz de sentir. E é justamente por isso que não posso permitir que nada a separe de mim, nem mesmo a justiça crua e impessoal. Não posso matá-lo, não posso ser preso. Seria condenar-me a uma vida longe dela, longe de seus braços calorosos, de sua presença que ilumina até meus dias mais sombrios. Lumine é tudo o que eu nunca esperei. Depois de tanto tempo vivendo na apatia, ela surgiu como um raio de luz. Assim como Henry costumava fazer. Ele tinha essa habilidade — de transformar até os momentos mais simples em algo significativo.
E, em algum lugar, sei que foi ele quem me guiou até Lumine. Foi ele quem me fez olhar para ela naquela noite, quem me fez enxergá-la dançando, cheia de vida e graça. Foi ele quem me sussurrou, de um jeito que só Henry faria, para convidá-la a se juntar a mim. Ela é a única decisão na minha vida da qual jamais me arrependerei. E ela será minha, assim como Henry queria que fosse.
Minha respiração se estabilizou de repente, os tremores cessaram. Meu corpo, antes agitado, encontrou um centro de calma. Foco meus olhos em Dain. Ele está do outro lado, pronto, esperando. Ele acha que já ganhou, que esse jogo é uma formalidade, uma maneira de selar sua vitória. Mas ele está errado. Eu não jogo para o time, eu jogo por Lumine, por Henry, por mim mesmo.
O apito soa, cortando o ar frio da arena. O jogo começa com uma explosão de movimento, os patins riscando o gelo, os corpos colidindo com força e determinação. Aether pega o disco com agilidade e passa para mim. Sinto o peso da responsabilidade em minhas mãos, mas também a leveza de saber que este é o momento pelo qual esperei.
Dain está à frente, seus olhos cravados em mim, calculando cada movimento. Ele é rápido, frio e calculista. Mas eu sou mais rápido. Desvio para a esquerda, depois para a direita, o disco colado à lâmina do meu taco. Dain tenta antecipar meus movimentos, mas é tarde demais. Aether surge ao meu lado e, em um passe rápido, devolvo o disco para ele. O gelo grita sob nossos pés enquanto nos movemos como uma só unidade, prontos para o ataque final.
O time de Dain tenta bloquear nossa jogada, mas estamos um passo à frente. Aether faz uma finta, desvia o defensor e passa o disco para mim mais uma vez. Vejo o gol à frente, o goleiro se preparando, Dain se aproximando rapidamente.
Respiro fundo, olho para Aether. Ele acena com a cabeça, e tudo acontece em um instante. Meu taco encontra o disco com precisão. O som ecoa pela arena enquanto o disco atravessa o ar, rápido demais para que o goleiro reaja. A rede balança, o gol é nosso.
O placar se acende, e um grito de vitória ecoa ao meu redor. O time corre para mim, mas meus olhos estão em Dain. Ele está parado no centro, seus olhos sombrios, mas sua expressão é de derrota. Ele sabe que perdeu. Não apenas o jogo, mas tudo.
A vitória é nossa, mas, mais do que isso, a vingança está concluída. Henry foi vingado. E Lumine, a luz da minha vida, permanece segura ao meu lado.
O grito de comemoração do time ecoa em meus ouvidos, misturado aos aplausos e gritos da torcida que lota a arena. Sinto os braços de Aether me puxando para um abraço apertado, quase esmagador. Ele ri, com o rosto suado e o sorriso aberto, tão aliviado quanto eu. O resto do time se aproxima, um turbilhão de abraços, tapas nas costas e palavras de euforia. Mas, por mais que a energia ao meu redor seja contagiante, meus pensamentos já estão longe, em outro lugar... em outra pessoa.
Lumine. Meu coração acelera só de pensar nela. Seus olhos brilhantes, seu sorriso suave. Sei que ela está aqui em algum lugar, entre a multidão. Por um breve momento, fecho os olhos e respiro fundo, tentando acalmar a tempestade de emoções que explode dentro de mim. A vitória não seria completa até que eu estivesse ao lado dela.
"Bom trabalho, cara!" Aether diz, ainda rindo enquanto me puxa para mais um abraço. "Você fez aquilo parecer fácil."
"Foi fácil com você ao meu lado," respondo, dando-lhe um tapa leve no ombro. Ele ri mais uma vez, mas seus olhos se estreitam, como se pudesse perceber minha pressa. "Vai, vai logo. Sei que você quer encontrá-la," ele diz, dando-me um empurrão brincalhão.
Eu não preciso de mais incentivos. Patino em direção à lateral da arena, meu coração batendo mais rápido a cada segundo. Meu olhar varre a multidão, procurando por Lumine. E então, lá está ela, perto da saída, com um sorriso que faz todo o resto do mundo desaparecer.
Ela é uma visão – seu cabelo dourado brilha sob as luzes da arena, seus olhos, tão cheios de emoção, encontram os meus. Não consigo evitar; meus lábios se curvam em um sorriso antes mesmo que eu perceba. O resto do time ainda comemora atrás de mim, mas a única coisa que importa agora é ela.
Tiro os patins o mais rápido que posso, jogando-os para o lado, sem me importar com a bagunça que faço. Corro em direção a Lumine, meu coração se enchendo de uma alegria indescritível. Cada passo que dou em sua direção parece me levar mais perto da paz, da certeza de que tudo está como deveria ser.
Quando finalmente chego até ela, não hesito. A envolvo em meus braços, puxando-a para perto de mim, sentindo o calor de seu corpo contra o meu. Ela ri, uma risada suave e leve, enquanto eu a levanto do chão por um instante, girando-a no ar.
"Você conseguiu!" ela exclama, sua voz cheia de emoção. "Eu sabia que você conseguiria!"
"Não foi fácil," respondo, ainda sem soltá-la completamente, "mas valeu a pena."
Ela me olha nos olhos, e por um momento o tempo parece parar. Não há mais barulho de torcida, não há mais o eco dos patins sobre o gelo. Só existe ela, e o mundo que criamos juntos. Lumine levanta a mão e toca levemente meu rosto, seus dedos frios, mas o toque é quente. "Estou tão orgulhosa de você."
Suas palavras, embora simples, tocam algo profundo em mim. Por tanto tempo, eu vivi para momentos como este – para provar a mim mesmo que sou capaz, que sou digno de estar aqui. Mas agora, percebo que a única validação que realmente importa é a dela. Eu queria vencer, não apenas por mim, mas para mostrar a Lumine que sou forte o suficiente para protegê-la, para estar ao seu lado, não importa o que aconteça.
Sem pensar duas vezes, inclino-me e a beijo. O mundo se dissolve ao nosso redor, e tudo o que sinto é o calor de seus lábios, a doçura de seu toque. Ela corresponde ao beijo, com a mesma intensidade, como se entendesse cada emoção não dita que passa entre nós.
Quando finalmente nos separamos, ela ainda tem aquele sorriso suave no rosto, mas há algo mais em seus olhos – algo que faz meu peito apertar com um misto de felicidade e vulnerabilidade.
"Dá pra soltar já né!?" A voz de Aether ecoa atrás de nós, ele caminha lentamente junto com o resto dos garotos. Tirando seu uniforme.
É, já basta por hoje, estou satisfeito com o esculacho de Dain. Vê-la sorrir já é o bastante.
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coffee without sugar
FanfictionEm uma noitada qualquer Lumine tem uma noite com um jogador de hóquei, mal sabe ela que apartir dessa noite roubou toda a dignidade e marra deste homem, além do seu coração é claro.
