Capítulo 24

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2 dias

Posso dizer com certeza que depois do que aconteceu eu não sou a mesma pessoa. Realmente gosto do que faço, me empolgo com os dramas e mistérios, mas desde que eu atirei naquele homem minha consciência não para de passar e repassar aquela cena na minha cabeça.

Jonathan deu o tiro que terminou o trabalho, porém, não dá negar que eu atirei nele. Apesar de não me arrepender de ter salvado a vida de Jonathan, a culpa estava me deixando acordada a noite e pior, meu trabalho ficou mil vezes pior por ter que ver corpos e o ver no lugar das vítimas a minha frente.

Sem falar na parte em que eu sabia exatamente quem era o ceifador e tinha ultrapassado o limite da moral e manipulado as provas para que não levasse o meu namorado para a cadeia.

Tudo o que mais eu gostava se tornou o que mais odeio agora e tudo isso é culpa dele. Jonathan West chegou na minha vida, me mostrou o amor e depois puxou o meu tapete, mas nem isso era suficiente para deixar de gostar dele.

Paixão é algo que cega, Rebecca. Minha consciência repetia.

Encarar o copo de café enquanto estava sentada no meu lugar favorito na cafeteria não estava me ajudando a relaxar.

Depois do tiro, fui como uma desesperada atrás de Jonathan. Ele nem parecia sentir o ferimento, e depois do que vim em seu corpo todas as vezes em que estivemos juntas me dizia que aquilo não era algo fora do comum para ele.

O promotor certinho que todos conheciam, além de ser um bom assassino de criminosos também era um mercenário que matou inúmeras pessoas fora de North Weland.

O amor realmente cega a pessoa. Ele sempre esteve ao meu ado, contando suas histórias, mostrando sua vida e eu nunca vi o obvio.

Bem, agora, penso comigo que talvez eu soubesse, só estava querendo me enganar ou estava gostando de ser iludida.

O fato era que Jonathan West me tornou diferente, me mostrou que realmente existe uma felicidade maior e um amor que muda você para sempre.

Balancei a cabeça, afastando os pensamentos, levantando-me da cadeira para sair, após pagar o meu café.

Não o via desde ontem e eu mesma coloquei essa distância para saber o que faria, como faria e se tinha coragem de simplesmente esquece-lo e seguir em frente ou deixar o passado no passado e o perdoar, continuando da onde paramos.

Sai da loja quase esbarando em uma pessoa. Por incrível que pareça, depois de dois dias chuvosos, a cidade hoje curtia o ar quente e o sol brilhante.

A sensação térmica ainda estava a baixo dos vinte graus e por isso estava agasalhada. Pedi que me encontrasse a poucos metros da cafeteria, que ficava a poucas quadras do departamento policial.

Estava cansada, exausta emocionalmente e já sabia que precisava de férias ou acabaria enlouquecendo.

O avistei ao longe, olhando as horas. Jonathan tinha o poder de me fazer tremer por inteira sem muito esforço. Nem parecia que tinha levado um tiro e que deveria estar de repouso.

Tentei ser a pessoa que cuida dele, buscando uma melhora adequada, mas Jon era um homem teimoso e me chateando mais uma vez, me afastei usando esse tempo para pensar.

Acredite, eu queria chegar aqui e dizer a ele que o odeio e que nunca mais quero o ver na vida, pesar do amor sufocante que sinto por ele.

Então, toda a minha determinação caia por terra ao vê-lo parado, com um terno escuro, coberto por um casaco lindo na mesma tonalidade, com aquela barba rala e o cabelo bem cortado.

dupla obsessãoOnde histórias criam vida. Descubra agora