— Você fez o quê? — O homem mais velho grita do outro lado da mesa. Assustando Austin que está encolhido na poltrona na frente do mais velho.
— Eu...foi sem querer. — Austin não tem mais oque dizer. Não tem mais como se justificar.
— Eu quero que repita e me explique. O que você fez? — O mais velho pergunta de novo alterado. Austin engole seco.
O homem a sua frente é o único que ele teme bater de frente. O único que ele não ousa a tentar fazer algo contra.
— Eu atropelei ela, depois espanquei, enfiei uma faca na barriga dela e... deixei ela pra morrer.
— Meu Deus. — O mais velho passa a mão pelos cabelos, não acreditando no que o filho foi capaz de fazer. — Tudo isso por mulher, Austin? — O desprezo na voz do mais velho só deixa Austin mais...arrependido?
— Eu preciso de ajuda. Ela tá viva, ela vai falar. Isso — Ele aponta pro próprio rosto com hematomas. — É o começo de tudo.
— Isso é culpa sua. Lide sozinho. Já não acha que tá grandinho demais pra pedir a ajuda do papai? — O mais velho acende um cigarro, ainda olhando fixamente para o homem a sua frente.
Austin pensa em se virar, em ir embora, mas ele sabe que não vai conseguir resolver sozinho, ele sabe que não é influente o suficiente pra apagar isso.
— Presciso da sua ajuda. — Austin levanta a cabeça, se permitindo olhar nos olhos de seu pai, a quem ele temia olhar.
Pela expressão do pai, Austin sabe que ele não se deu por convencido. Afinal, Austin está errado, e agora quer a ajuda do pai para arcar com as consequências.
— Pai, eu posso manchar o nome da empresa. — Austin diz em súplica, sem saber oque fazer e nem pra onde correr.
— Idiota. — Fala olhando para o filho com indiferença. — Falei pra sua mãe que ela devia abortar. — Se joga pra trás na cadeira. As palavras dele são pesadas, e machucam Austin, mas ele sabe que com isso ele conseguiu oque queria.
— Só tira isso da mídia. — Austin diz em tom mais convencido agora.
— Eu vou ver oque posso fazer, seu idiota.
— Muito obrigado, pai. — Austin está verdadeiramente agradecido. Ele pega suas muletas — o Mike quebrou as pernimhas dele — e vai em direção a saída.
— Me faça um favor. — Sr. Adams chama a atenção do filho. — Da próxima vez que vier aqui, que seja para falar de que você está saindo da América, que você vai se demitir e abrir um negócio próprio ou que você vai sair da minhas costas, só que não seja um pedido pra eu encobrir as suas merdas, pode ser? — Austin apenas afirma e sai do escritório. — Idiota.
O pai de Austin odeia ele, é perceptível. Isso acontece porque ele sempre percebeu o lado ruim do filho. Todas as vezes que Austin fazia coisas ruins e corria para ele encobrir. Isso sempre aconteceu, dês de a infância de Austin. Os comportamentos impulsivos e agressivos. Uma coisa que a mãe se recusava a ver, ele sempre notou. Na infância, sempre tentou explicar e ensinar o certo, mas a partir da adolescência ele desistiu. E agora só vê um filho como um peso morto.
— E ai? — Austin dá um sorriso largo para o amigo e balança a cabeça.
— Deu tudo certo. — Ele pisca, e faz um toque de mãos com o amigo.
Austin se sente culpado, não arrependido. O peso da culpa caí sobre ele de duas formas diferentes, dois lados, uma divisão, bipolaridade.
Uma parte dele se sente culpado por ter deixado Ashley no estado em que deixou e acha que deveria ter terminado o "trabalho". Já o outro lado se sente culpado pelo oque fez e só quer que Billie fique bem, porque, no fundo, Austin sabe que não era um bom namorado. O outro lado não, sente que fez oque era necessário, que Billie pertence a ele. Mas mesmo assim, a quase morte, a culpa, pesa sobre os dois lados. — É literalmente: Eu mataria por você, amor. Eu roubo e mato para ter você comigo. Eu faria qualquer coisa por você.
Bom, a cabeça de Austin não está tão boa assim. Assim que ele ponhe os pés para fora da empresa, a felicidade dele vai embora. Ele tem uma mudança de planos de novo.
Antes ele queria falar com a Billie de forma passiva, mas desistiu, agora ele quer falar com ela agora, de qualquer jeito.
— Me leva lá pro hospital. — Pede pro motorista assim que entra no carro. — Esse aqui. — Desliza rápido pela conversa do telefone, e mostra o nome do hospital para o motorista que só assente.
-
Austin adentra o hospital, passa por todos os corredores e quando finalmente chega ao quarto de Ashley um segurança impede ele de entrar.
— Vai ser rápido. — O segurança continua a negar.
Ele consegue ver pelo grande vidro que separa o corredor do quarto. As duas deitadas na cama, com o braço de Billie sobre os ombros de Ashley. Elas soltam risadas de coisas que falaram e se beijam de vez em quando.
Isso faria Austin entrar em combustão, ter força para bater em quantos seguranças fossem necessários, só pra entrar no quarto e acabar com aquilo. Mas, lembra da culpa? Isso faz ele suspirar e se afastar do quarto, se perguntando se ele já não fez de mais.
Tudo parece bem entre elas, e realmente está. Mas todas as noites, Ashley se tranca no banheiro por horas, fica lá chorando. E a primeira vez que Billie notou isso, foi quando ela estava resolvendo questões do álbum — que ela fez questão de adiar — e enquanto isso Ashley estava parada encarando um ponto fixo no quarto. Ela não deu muita importância, dês do acidente isso passou a acontecer, só que depois das luzes se apagarem, e Billie se deitar no pequeno e desconfortável sofá de hospital, Ashley esperou um tempo e foi chorar no banheiro, oque já virou rotina. Dessa vez Billie tava acordada, e assim escutou o choro baixo da garota no banheiro.
Ela se sentiu confusa. Por que ela chora sozinha no banheiro? Ela queria ajudar, mas também queria respeitar o espaço de Ashley.
A verdade é que Ashley não quer que Billie se sinta culpada, assim como se sentiu quando ela acordou pela primeira vez. Durante o dia, ela fingi que está bem. Ignora as dores por todo o corpo, o fato de que ela vai ter problemas para dançar, ignora as tonturas, o desconforto das agulhas e dos curativos. Ignora tudo isso, mas de noite ela desaba. Isso tudo atinge ela como uma bomba.
Ela passa a se sentir sozinha de novo, como quando tinha 14.
Ashley também chora por não entender. Não entender o que fez de errado para tudo isso acontecer. O que ela fez de tão grave para merecer isso? Isso é uma punição? Ela não entende o porquê disso estar acontecendo.
Isso tá consumindo ela cada vez mais, tá fazendo ela se afundar. Levando ela pra um lugar que ela não queria mais voltar. Ela se vê perdida, sem saber oque fazer. E isso está arrastando ela aos pouco pra depressão.
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𝑳𝑶𝑺𝑻 𝑪𝑨𝑼𝑺𝑬 ☾︎
FanfictionBillie em um relacionamento abusivo que não consegue sair, mantendo em segredos seus hematomas. E Ashley, uma dançarina de jazz e hip-hop, é contratada para trabalhar no novo clipe de Billie, que acaba se apaixonando por ela.
