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K I N A — 09

— Um, você pode usar o meu dinheiro para mudar de quarto. — toco seu ombro, mas ele nega com a cabeça e sorri.

— Eu só vou dormir em paz se usar o dinheiro que juntei para mudar de quarto. — ele puxa uma fila, então vamos atrás dele.

O Sete segura meu ombro e eu o guio até o primeiro andar, já que ele mal consegue andar depois do tiro que levou. Parece um século de caminhada até seu quarto, mas finalmente chegamos.

Antes de entrar, o Sete para e me força a parar também.

— Você não acha arriscado? — ele pergunta com certa dificuldade, mas eu não respondo, ao contrário, o forço a caminhar até o quarto.

— Quero...mudar de quarto — o Um fala no interfone e sinto uma forte onda de ansiedade tomando o meu corpo. Em seu painel, o valor de um bilhão de wons surge e eu tento segurar o queixo.

Se esse plano der errado, quer dizer que vamos ficar aqui durante meses. Não consigo evitar de olhar a perna do Sete. Não sei se ele vai aguentar.

— Quero mudar. — o Um concorda e seu dinheiro desaparece. De repente uma folha de papel com vários números indicando quanto cada quarto ganha aparece pelo elevador. Todos ficamos nervosos e se perguntando o que isso quer dizer, mas é óbvio.

Nós fomos enganados. O Um pagou pelas instruções de como mudar de quarto.

— Mas...mas e o dinheiro que eu guardei...— o Um começa a chorar.

— E agora, Sete? — a Dois pergunta. Meu corpo balança porque ele deposita mais peso em mim.

— É, Sete. Você é o mais esperto do grupo. — o Três o cobra, mas ele não solta nenhuma palavra. Na verdade, só treme, como se não acreditasse no que acabou de acontecer, como se quisesse simplesmente desaparecer.

— Acabaram com a gente. — a Dois fala com muita raiva — Não tem como trocar de quarto. Que merda...— depois de alguns segundos parada, ela volta a falar — Agora já chega. É só a gente sair daqui e dar cada um uma parte pro Um.

Balanço a cabeça no mesmo instante, concordando. Sei que devo o meu dinheiro a ele. Eu não aguentaria ficar aqui se não fosse cada um deles, e eu ganho tanto dinheiro que se não o ajudasse morreria de peso na consciência.

— Eu te dou a quantia que precisar, Um. — falo, mas o resto fica em silêncio. Eles não querem dar nem um centavo de seu dinheiro, mas eu os entendo. — Vocês não precisam dar nada, gente. — é mais um sussurro.

— Vamos sair. — a Dois concorda.

Nós caminhamos para fora do quarto, quase incapazes de andar depois do choque que tivemos. O Um passou meses nesse quarto, abrindo mão do seu conforto, passando fome e coisas absurdas que muitas pessoas não conseguiriam passar para no final perder tudo. Tudo o que o Um conseguiu em meses, ele perdeu em minutos e mal sabe se vai conseguir recuperar.

Nem eu mesma tenho certeza de que vou o encontrar por ai e dar a ele o que ele merece.

Na hora de subir os degraus, o Sete aperta meu ombro e grita de dor, depois olha para trás e seu corpo se solta de mim, mas não porque ele quer, e sim porque o Um o empurrou. O Um me agarra e aponta uma arma na minha cabeça, a mesma arma que seria usada para atirar nele. Engraçado como as coisas mudam, não?!

— Um. — O Sete o chama, mas ele nos leva ainda mais para longe deles. Todos permanecem neutros, como se qualquer momento fizesse o Um atirar.

Pego em seu braço e o sinto aproximar ainda mais a arma na minha cabeça.

— Eu não posso sair assim. Não acham? Isso tá errado!

— Um..— a Cinco o chama, então ele atira pra cima. Eles se abaixam e eu dou um grito. Quando ele me prendeu, não sabia se era realmente capaz de atirar, mas agora que sei, me sinto completamente desesperada.

Olho para todos agachados e vejo uma imagem da minha mãe caminhando ao fundo, do mesmo jeito que a vi no quarto. Tremo porque, se ela está aqui, provavelmente veio me levar com ela.

— Parados ou eu atiro! — ele grita e eu sinto lágrimas quentes caindo. Vejo o Sete segurar sua perna machucada e olhar fixamente pra mim. Ele deve estar tentando me acalmar, mas parece estar pior que eu.

O Um vai até a mesa com armas, ainda agarrado em mim, me enforcando, na verdade. Ele joga uma corda para o Três e o manda amarrar a Dois. E óbvio, sem nem contestar, o Três vai.

— Você Sete, amarra a Quatro! — com muita dificuldade o Sete vai.

De longe, escutamos a Oito gargalhando. Ela acordou e deve estar se divertindo bastante.

— Vocês viram quanto tempo aumentou pra gente?!— ela questiona sorridente, então olho para o placar. Temos mais de duzentas horas.

Duzentas horas nesse inferno.

O Um me empurra no chão e eu espero que ele caminhe até a Oito e a mata, mas ele não faz isso. Ele apenas pede que o Três vá com ele buscar o Seis e manda o Sete me prender.

Assim que eles começam a subir, o Sete vem até mim e toca o meu rosto, afastando os fios de cabelo dele. Ele tem grandes olheiras e lágrimas caindo de seus olhos, mas ainda assim prefere limpar as minhas.

— Eu quero ir embora. — sussurro, mas ele não responde. Procuro a imagem da minha mãe e a acho no parquinho, completamente feliz, como se não estivesse aqui. Sinto um desconforto na barriga e me lembro da sensação de fome — Sete, acho que 'tô alucinando...

Depois de meses, pela primeira vez, o Sete não sabe o que fazer.

Depois de meses, pela primeira vez, nós desistimos.





oi divas e divos, acho que vou fazer só mais dois capítulos.

vcs tão gostando do jeito que eu escrevo? tão gostando de como a história tá andando? me respondam pfv🤩

tô pensando em fazer uma fanfic de Round 6 quando essa acabar

THE 8 SHOW - número nove.Onde histórias criam vida. Descubra agora