PONTO DE VISTA: Mário Ayala
Fiquei aliviado por Amélia não ter contado a verdade. Me arrependi de ter aprontado com ela.
- Paulo, por que será que ela não falou a verdade? - questionei.
- Não sei e não quero saber, pelo menos vamos sair dessa são e salvos - respondeu.
Vi Daniel e Amélia indo embora juntos. Enfim, tentarei convencer o Paulo a pegar mais leve nas brincadeiras com ela ou não vou participar, pois sou eternamente grato as pessoas que ajudam meu cachorro Rabito.
No dia seguinte, Paulo e Kokimoto estavam planejando colocar a aranha gigante do laboratório de ciências no material da Amélia. Não intervi, pois dessa vez, certeza que eles iriam se ferrar.
- Mário, fica de vigia aqui na porta, só isso! - pediu Paulo.
- Tô fora dessa, pede pro Jaime ou pro Koki.
- Por que você não falou a verdade para a professora Helena, Amélia? - perguntou Valéria - esses três merecem castigo por tudo que já fizeram - ouvi a conversa.
- Não sei, só sei que dessa vez, passei um pano na situação. Tomara que tenham um pingo de gratidão e não aprontem mais comigo.
- Impossível, eles não têm piedade de ninguém - disse Maria Joaquina.
A professora Helena entrou na sala. Paulo e Koki chegaram poucos segundos antes para executar o plano.
- Peguem seus cadernos, por favor - pediu a professora.
Observei Amélia pegar seu material e abrir o estojo. Ela não parecia assustada ao ver a aranha.
- Professora Helena! Há uma aranha no meu estojo.
As meninas começaram a gritar escandalosamente.
- Espera, é a aranha do laboratório? Não toque nela, Amélia, é venenosa! - exclamou a professora.
- Fique tranquila, essa espécie é completamente inofensiva. O que pode acontecer é uma leve mordida, mas só se ela se sentir ameaçada - declarou Amélia, dando sua mão para a aranha subir - irei levá-la de volta para o laboratório. Com licença.
Levantou muito plena. Paulo e Koki estavam boquiabertos e frustrados. Dei um sorriso de canto suave.
- Aposto que foram os três que colocaram esse aracnídeo no material da pobre Amélia - disse Maria Joaquina, em um tom suficientemente alto para a sala toda ouvir.
- Mário, Paulo e Kokimoto. Vocês realmente fizeram isso?
- Claro que não, querida professora. Nunca faríamos isso com ninguém - mentiu Koki.
PONTO DE VISTA: Amélia Morales
Eu estava saindo da escola e Mário me parou.
- Posso te acompanhar até sua casa? Moramos perto.
Assenti e perguntei se foram eles que colocaram a aranha nas minhas coisas.
- Dessa vez, fiquei de fora. Apenas Paulo e Koki fizeram isso - explicou.
- Não sei se acredito - brinquei.
- É sério, e eu também me arrependi de ter estragado seu lanche ontem. Como pedido de desculpas e agradecimento pelo que você fez pelo Rabito, quero te mostrar um lugar - anunciou Mário.
Caminhamos até uma casa grande que parecia abandonada há anos.
- Alguém mora aqui? - perguntei.
- Claro que sim, a casa está caindo aos pedaços e toda empoeirada - respondeu ironicamente - eu e os meninos usamos essa casa para nosso clubinho. Vamos entrar, é segura, eu e eles verificamos tudo e por incrível que pareça, limpamos a área que ficamos toda semana.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪
Romance𝐇𝗂𝗌𝗍𝗈́𝗋𝗂𝖺 𝖽𝖾 𝖺𝗆𝗈𝗋 entre 𝖽𝗎𝖺𝗌 𝖼𝗋𝗂𝖺𝗇𝖼̧𝖺𝗌 𝗊𝗎𝖾 𝗉𝗈𝗌𝗌𝗎𝖾𝗆 𝖺 𝗆𝖾𝗌𝗆𝖺 𝖽𝗈𝗋, 𝗆𝖺𝗌 𝗅𝗂𝖽𝖺𝗆 𝖼𝗈𝗆 𝖾𝗅𝖺 𝖽𝖾 𝗆𝖺𝗇𝖾𝗂𝗋𝖺𝗌 𝖽𝗂𝖿𝖾𝗋𝖾𝗇𝗍𝖾𝗌. 𝐀𝗆𝖾́𝗅𝗂𝖺, 𝗌𝖾𝗆 𝗉𝖾𝗋𝖼𝖾𝖻𝖾𝗋, 𝗋𝖾𝖺𝖼𝖾𝗇𝖽𝖾 𝗈 𝖺𝗆...
