12 • 𝐏resente do "Mário"

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POV: Paulo Guerra

Passou cerca de duas semanas depois do acidente do tio Rafael. Ele já estava andando de muletas. Koki veio até minha casa para fazermos um plano contra as meninas.

- Vamos no meu quarto, as paredes dessa casa tem ouvidos - falei, olhando para Marcelina, que revirou os olhos.

- E aí? Por onde vamos começar? - perguntou Koki.

- Pela Amélia, ela foi a primeira menina a entrar no clube, o Mário ficou diferente depois que começou a gostar dela e agora até o Jaime é amigo dela.

Koki concordou e planejamos o plano perfeito. Planejamos enviar uma cesta de produtos de cabelo para Amélia em nome do Mário, mas os produtos são todos horríveis e um deles é uma tinta azul. Fomos em um mercado de esquina e compramos os produtos mais baratos possíveis.

- Onde você teria uma cesta, Paulo?

- Vou pegar uma de piquenique da minha irmã, ela nem vai perceber - falei, entrando no quarto da Marcelina e saindo rapidamente.

- Está aprendendo comigo, está cada dia mais ágil como um samurai - disse Koki.

- Tá, tá, agora vamos escrever um bilhete dizendo "Para seus cabelos ficarem mais lindos igual a você. Mário Ayala" - sugeri.

- Adorei, qualquer menina cairia - riu Koki.

Deixamos a cesta na porta de Amélia, tocamos a companhia e corremos.

POV: Amélia Morales

Denise atendeu a porta e disse que era para mim.

- Quem é? - perguntei.

- Ninguém, apenas esta cesta com vários produtos para cabelo - respondeu Denise.

- Obrigada, Denise - falei e subi para meu quarto.

Notei que havia um bilhete. Era do Mário. Que fofo, não conhecia a marca dos produtos, mas resolvi usar para não fazer desfeita.

Se bem que amo meu cabelo, cuido tão bem dele, tenho que saber a procedência de tudo que aplico nele.
Ah, mas Mário me conhece e nunca me daria algo que estragasse meu cabelo. Irei testar.

Acordei para ir a escola no dia seguinte, apliquei um dos produtos após a lavagem e meu cabelo ficou muito duro, não conseguia pentear.

- Não tem como desembaraçar, Amélia, você vai ter que ir assim para a escola. Você irá se atrasar mais!

- Obrigada, Denise, você está certa - respondi e desci correndo.
Peguei minha bicicleta e fui para a escola. Não queria perder a aula temática do descobrimento do Brasil.

- Pode entrar, Amélia - disse a professora.

- Amiga, o que houve com seu cabelo? Ele está sempre brilhoso e macio, hoje está... diferente - disse Valéria.

- Eu não sei, amiga. Apliquei uns produtos que o Mário me deu de presente e ficou assim. Eu sabia que deveria ter pesquisado sobre a marca dos produtos, meninos não entendem nada de cabelo - falei, com uma voz de choro.

Amo meu cabelo, ele é minha vida. Quase chorei. E não é drama, tá? Sou apenas uma garota vaidosa. Pretendia falar com Mário, mas não deu tempo, a professora iria começar a aula.

- Todos em suas posições? Vamos começar: Pedro Álvares Cabral (Jaime) inicia a exploração - exclamou professora Helena.

Estávamos seguindo o roteiro da professora sobre o descobrimento do Brasil. Paulo era o padre e veio falar com os índios, eu e outros alunos.

- Índia do cabelo duro - provocou, afinando a voz.

- Professora, eu tenho que dar um jeito nesse cabelo! Pode continuar a aula sem mim - desisti.

- Tem certeza, Amélia? Tudo bem, se não demorar muito, dá para participar.

- Sim, vou só passar um creme que o Mário me deu.

Mário fez uma expressão confusa, como se não soubesse do que eu estava falando. Fui até minha mochila, peguei o creme, comecei a aplicar. Nem notei que tinha uma cor diferente, só queria amolecer os fios.

- Amélia, seu cabelo está ficando... azul - disse Alícia.

Olhei para minhas mãos e minhas mechas e queria que fosse só um pesadelo. Os meninos, menos Mário, Daniel e Cirilo, começaram a dar risada. Principalmente Paulo e Kokimoto. Ah, claro! Eles que tramaram tudo.

- Professora, eu tenho certeza que foi o Paulo e o Kokimoto que fizeram isso - falei caminhando até os dois.

Peguei metade do creme na minha mão e espalhei no rosto e no cabelo de Paulo, depois apliquei o resto da tinta do pote no cabelo de Kokimoto. Todos começam a dar risada.

- Amélia, sua mentirosa, não pode sair acusando os outros - exclamou Paulo, em um tom de raiva.

- Nada digno - completou Koki.

O sinal toca antes de mais alguma coisa acontecer.

- Podem sair para o recreio, crianças - avisou a professora - vamos ao banheiro, Amélia. Vou checar se a Graça tem alguma solução para seu cabelo.

- Obrigada, professora. Por favor, não vivo sem meu cabelinho - confesso que dramatizei.

A professora falou com a Graça e ela trouxe um shampoo e um condicionador. Ela afirmou que eram "tiro e queda". Resolvem qualquer tipo de dano.

- Enquanto você ajuda Amélia, Graça, irei conversar com as crianças. Licença.

POV: Mário Ayala

- Mário, você que deu aquele creme para a Amélia? - perguntou Alícia.

- Não, Alícia, não sei nada sobre nenhum tipo de produto. E se fosse eu, teria entregado pessoalmente.

Alguns segundos depois, a professora chegou, reuniu-nos e fez a mesma pergunta.

- Eu já disse que não fui eu! - exclamei.
Paulo e Koki estavam rindo e cochichando muito.

- A Amélia está certa, o Paulo e o Kokimoto são os responsáveis, professora - falei, olhando para os dois.

- Paulo e Kokimoto. Venham aqui - chamou.

- Olha lá, gente, a Amélia saindo junto com a Graça - gritou Cirilo, apontando para ambas.

Amélia estava com o cabelo tão brilhante e hidratado como sempre, nenhum fio azul ou seco. Estava linda. Estava não, ela é linda.

- Ué, cadê o cabelo azul? - perguntou Paulo.

- Chega de gracinhas, Paulo, fale a verdade.

- Está bem, professora. Eu e o Kokimoto demos a cesta para Amélia em nome do Mário - confessou.

- Seus tontos! Pensam que podem sair enganando todo mundo? - exclamei.

- Quer falar de quem, Mário? Você sempre apronta junto com a gente - respondeu Koki.

Suspirei fundo e quase parti para cima dos dois.

- Calma, Mário, não vale a pena. Meu cabelo já voltou ao normal - disse Amélia, me puxando pelo ombro.

A professora Helena deu um bilhete na agenda dos dois mentirosos. Aproveitamos o resto de recreio que tinha e a Maria Joaquina deu um beijo na bochecha do Cirilo. Começamos a zoar, mas ela disse que foi um desafio da festa do pijama.

- A cara do Chocolate, parece o Adriano viajando - riu Davi.

- Viram o que vocês fizeram, meninas? Agora o Cirilo vai ficar mais babão que antes - disse Maria Joaquina, bufando.

- Sabemos que no fundo você adorou esse desafio, queridinha - disse Carmem.

𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪Histórias para pegar e não largar. Descubra agora