25 • 𝐅amília

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POV: Amélia Morales

Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, substituindo todas as palavras que eu queria ter dito para aquele menino. Laura veio atrás de mim enquanto Valéria e Davi disseram algumas coisas para o Jorge, mas ele deu de ombros e saiu com aquela cara de sonso.

— Amiga, não fica assim. Você e o Sr. Morales são uma família sim, ouviu? Ele te ama muito e te criou com muito carinho. — disse Valéria, sentando ao meu lado e acariciando meu rosto.

— Não liga para o que o Jorge falou, está bem? — Laura me ofereceu uma mordida de seu sanduíche.

Recusei e agradeci.

— O que aquele metido falou? — Mário chegou, com as mãos nos bolsos.

— Coisas horríveis para a Amélia. — contou Davi.

— Chispa, Valéria. — Mário "ordenou" e se sentou ao meu lado, enxugando minhas lágrimas e me abraçando — Que tipo de coisas?

— Ele disse... disse que...

Fui interrompida por Laura.

— Aquele menino nada sentimental disse que a Amélia nunca saberá o que é uma família de verdade e que ela sempre será órfã.

— Agora eu quebro a cara dele! — Mário se levantou e fomos atrás dele, tentando o impedir.

Ao mesmo tempo que eu queria que o Jorge levasse uma surra bem dada, não queria que Mário se machucasse ou levasse outra advertência.

— Cadê o otário do Jorge? — perguntou Mário, gritando pelo pátio.

Cirilo e Kokimoto apontaram para o Jorge.

— O que está acontecendo? — algumas das meninas perguntaram.

Valéria explicou tudo e as meninas vieram me consolar, o que ajudou.

— Me solta, Jaime! — Mário estava sendo segurado — Eu vou mostrar para esse nanico o que...

— Não vai encostar um dedo em mim, escutou? — Jorge parecia calmo e cruzou os braços — Você é outro que nunca saberá o que é uma família. Seu pai só não deixou sua madrasta te despachar de casa por pena.

A determinação nos olhos de Mário se transformou em ódio. O mesmo ódio que eu fiquei quando escutei aquelas palavras saindo da boca do garoto que me recuso a citar o nome.

Mário conseguiu se soltar de Jaime e partiu para cima do Cavalieri, o empurrando no chão e dando um soco em sua boca. Corri até eles e tirei Mário de perto do Jorge, antes que algo pior pudesse acontecer. Ele puxou minha cabeça para seu ombro enquanto me abraçava.

— O que está acontecendo aqui? — professora Helena chegou, acompanhada do Firmino.

— É tudo culpa do Jorge, professora! — exclamei.

— Daniel, sabe quem está envolvido? — a professora perguntou.

Valéria sussurrou algo para Davi, que sussurrou para o Daniel.

— Amélia, Mário e Jorge. — ele respondeu e Davi sussurrou mais alguma coisa — Ah, Valéria é uma... testemunha?

— Os quatro, me acompanhem até a sala dos professores. — Helena pediu — Firmino, pode ficar com as crianças na sala de aula? — ele assentiu e pediu para os outros formarem uma fila.

Acompanhamos a professora Helena e ela pediu para eu começar a explicar.

— Tudo começou quando eu estava conversando com a Laura, Valéria e Davi sobre família. Até que Jorge chega e diz que é uma ironia eu estar participando dessa conversa. — expliquei.

— Por que disse isso, Jorge? — questionou Helena.

— Não é óbvio, professora? Amélia é uma órfã. — tentei me controlar para não repetir o que Mário fez.

— Não, Jorge, Amélia não é uma órfã. Ela tem um pai que a ama muito e eles são uma família. Não importa se ele é ou não seu pai biologicamente, o que importa é que o Sr. Morales a criou, cuidou e deu suporte e carinho a ela. Isso é ser pai. — disse a professora e Jorge se encolheu na cadeira.

Ela está certíssima, o Marcos é meu pai verdadeiro. Fez tudo o que a professora disse e mais um pouco.

— Não foi só isso que ele disse, professora. Jorge falou com a maior frieza do mundo que Amélia nunca saberá o significado de família. — esclareceu Valéria.

Senti Mário acariciando minha mão, o que fez eu me sentir mais segura.

— Acredito que com o que eu já disse, Jorge tenha se convencido do contrário. — a professora garantiu — Não é, Jorge?

O metido balançou a cabeça, dizendo que sim, mas é óbvio que ele não mudou seus pensamentos. Uma pessoa horrível dessa, não muda de uma hora para outra.

— Mário, por que bateu no Jorge? Para defender sua melhor amiga? — Helena perguntou novamente.

— Não só por isso, professora, mas Jorge disse essa última parte para mim e que eu só não fui expulso de casa por pena. — explicou.

— Por que faz questão de humilhar e chatear seus colegas? — professora perguntou, olhando para o insensível.

— Não é isso, professora. Apenas digo verdades. — ele só sabe falar isso?

A professora me liberou junto com Mário e Valéria, enquanto Jorge ficou com ela na sala por mais um tempo.

— Obrigada por ter nos ajudado, Valéria. — agradeci e a abracei. Ela foi conversar com o Davi em seguida.

— Aquele menino é muito sem noção. Como eu queria ter dado mais uns dez socos para ele aprender. — disse Mário, estralando os dedos.

— Esse tipo de gente, não merece nossa atenção. Mas eu entendo sua raiva, eu também quase bati nele quando disse aquelas coisas para mim. — falei — Nunca mais vou olhar na cara do Jorge. Nunca mais.

— Nem eu. Ele morreu para mim.

Continuamos conversando, mas de outras coisas para tentar nos animar. Sobre a advertência de ontem, a professora entendeu e deu outro castigo no lugar, mas não foi nada muito preocupante.

Valéria, Davi e Margarida agora são inseparáveis, mas Valéria e Davi voltaram a namorar. A Margarida não ficou de vela, ela está se aproximando das outras meninas também.

POV: Mário Ayala

Alguns dias se passaram após essa semana agitada, cheia de ocorridos. Eu e Paulo acalmamos os ânimos por um tempinho, só para todo mundo esquecer da nossa última travessura.

Era segunda-feira e mais uma semana de aula se iniciava. Cadê as férias?

Vi o Chocolate carregando uma sacola enorme e cheia. Fiquei curioso e fui até ele perguntar o que era.

𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪Histórias para pegar e não largar. Descubra agora