POV: Amélia Morales
Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, substituindo todas as palavras que eu queria ter dito para aquele menino. Laura veio atrás de mim enquanto Valéria e Davi disseram algumas coisas para o Jorge, mas ele deu de ombros e saiu com aquela cara de sonso.
— Amiga, não fica assim. Você e o Sr. Morales são uma família sim, ouviu? Ele te ama muito e te criou com muito carinho. — disse Valéria, sentando ao meu lado e acariciando meu rosto.
— Não liga para o que o Jorge falou, está bem? — Laura me ofereceu uma mordida de seu sanduíche.
Recusei e agradeci.
— O que aquele metido falou? — Mário chegou, com as mãos nos bolsos.
— Coisas horríveis para a Amélia. — contou Davi.
— Chispa, Valéria. — Mário "ordenou" e se sentou ao meu lado, enxugando minhas lágrimas e me abraçando — Que tipo de coisas?
— Ele disse... disse que...
Fui interrompida por Laura.
— Aquele menino nada sentimental disse que a Amélia nunca saberá o que é uma família de verdade e que ela sempre será órfã.
— Agora eu quebro a cara dele! — Mário se levantou e fomos atrás dele, tentando o impedir.
Ao mesmo tempo que eu queria que o Jorge levasse uma surra bem dada, não queria que Mário se machucasse ou levasse outra advertência.
— Cadê o otário do Jorge? — perguntou Mário, gritando pelo pátio.
Cirilo e Kokimoto apontaram para o Jorge.
— O que está acontecendo? — algumas das meninas perguntaram.
Valéria explicou tudo e as meninas vieram me consolar, o que ajudou.
— Me solta, Jaime! — Mário estava sendo segurado — Eu vou mostrar para esse nanico o que...
— Não vai encostar um dedo em mim, escutou? — Jorge parecia calmo e cruzou os braços — Você é outro que nunca saberá o que é uma família. Seu pai só não deixou sua madrasta te despachar de casa por pena.
A determinação nos olhos de Mário se transformou em ódio. O mesmo ódio que eu fiquei quando escutei aquelas palavras saindo da boca do garoto que me recuso a citar o nome.
Mário conseguiu se soltar de Jaime e partiu para cima do Cavalieri, o empurrando no chão e dando um soco em sua boca. Corri até eles e tirei Mário de perto do Jorge, antes que algo pior pudesse acontecer. Ele puxou minha cabeça para seu ombro enquanto me abraçava.
— O que está acontecendo aqui? — professora Helena chegou, acompanhada do Firmino.
— É tudo culpa do Jorge, professora! — exclamei.
— Daniel, sabe quem está envolvido? — a professora perguntou.
Valéria sussurrou algo para Davi, que sussurrou para o Daniel.
— Amélia, Mário e Jorge. — ele respondeu e Davi sussurrou mais alguma coisa — Ah, Valéria é uma... testemunha?
— Os quatro, me acompanhem até a sala dos professores. — Helena pediu — Firmino, pode ficar com as crianças na sala de aula? — ele assentiu e pediu para os outros formarem uma fila.
Acompanhamos a professora Helena e ela pediu para eu começar a explicar.
— Tudo começou quando eu estava conversando com a Laura, Valéria e Davi sobre família. Até que Jorge chega e diz que é uma ironia eu estar participando dessa conversa. — expliquei.
— Por que disse isso, Jorge? — questionou Helena.
— Não é óbvio, professora? Amélia é uma órfã. — tentei me controlar para não repetir o que Mário fez.
— Não, Jorge, Amélia não é uma órfã. Ela tem um pai que a ama muito e eles são uma família. Não importa se ele é ou não seu pai biologicamente, o que importa é que o Sr. Morales a criou, cuidou e deu suporte e carinho a ela. Isso é ser pai. — disse a professora e Jorge se encolheu na cadeira.
Ela está certíssima, o Marcos é meu pai verdadeiro. Fez tudo o que a professora disse e mais um pouco.
— Não foi só isso que ele disse, professora. Jorge falou com a maior frieza do mundo que Amélia nunca saberá o significado de família. — esclareceu Valéria.
Senti Mário acariciando minha mão, o que fez eu me sentir mais segura.
— Acredito que com o que eu já disse, Jorge tenha se convencido do contrário. — a professora garantiu — Não é, Jorge?
O metido balançou a cabeça, dizendo que sim, mas é óbvio que ele não mudou seus pensamentos. Uma pessoa horrível dessa, não muda de uma hora para outra.
— Mário, por que bateu no Jorge? Para defender sua melhor amiga? — Helena perguntou novamente.
— Não só por isso, professora, mas Jorge disse essa última parte para mim e que eu só não fui expulso de casa por pena. — explicou.
— Por que faz questão de humilhar e chatear seus colegas? — professora perguntou, olhando para o insensível.
— Não é isso, professora. Apenas digo verdades. — ele só sabe falar isso?
A professora me liberou junto com Mário e Valéria, enquanto Jorge ficou com ela na sala por mais um tempo.
— Obrigada por ter nos ajudado, Valéria. — agradeci e a abracei. Ela foi conversar com o Davi em seguida.
— Aquele menino é muito sem noção. Como eu queria ter dado mais uns dez socos para ele aprender. — disse Mário, estralando os dedos.
— Esse tipo de gente, não merece nossa atenção. Mas eu entendo sua raiva, eu também quase bati nele quando disse aquelas coisas para mim. — falei — Nunca mais vou olhar na cara do Jorge. Nunca mais.
— Nem eu. Ele morreu para mim.
Continuamos conversando, mas de outras coisas para tentar nos animar. Sobre a advertência de ontem, a professora entendeu e deu outro castigo no lugar, mas não foi nada muito preocupante.
Valéria, Davi e Margarida agora são inseparáveis, mas Valéria e Davi voltaram a namorar. A Margarida não ficou de vela, ela está se aproximando das outras meninas também.
♡
POV: Mário Ayala
Alguns dias se passaram após essa semana agitada, cheia de ocorridos. Eu e Paulo acalmamos os ânimos por um tempinho, só para todo mundo esquecer da nossa última travessura.
Era segunda-feira e mais uma semana de aula se iniciava. Cadê as férias?
Vi o Chocolate carregando uma sacola enorme e cheia. Fiquei curioso e fui até ele perguntar o que era.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪
Romansa𝐇𝗂𝗌𝗍𝗈́𝗋𝗂𝖺 𝖽𝖾 𝖺𝗆𝗈𝗋 entre 𝖽𝗎𝖺𝗌 𝖼𝗋𝗂𝖺𝗇𝖼̧𝖺𝗌 𝗊𝗎𝖾 𝗉𝗈𝗌𝗌𝗎𝖾𝗆 𝖺 𝗆𝖾𝗌𝗆𝖺 𝖽𝗈𝗋, 𝗆𝖺𝗌 𝗅𝗂𝖽𝖺𝗆 𝖼𝗈𝗆 𝖾𝗅𝖺 𝖽𝖾 𝗆𝖺𝗇𝖾𝗂𝗋𝖺𝗌 𝖽𝗂𝖿𝖾𝗋𝖾𝗇𝗍𝖾𝗌. 𝐀𝗆𝖾́𝗅𝗂𝖺, 𝗌𝖾𝗆 𝗉𝖾𝗋𝖼𝖾𝖻𝖾𝗋, 𝗋𝖾𝖺𝖼𝖾𝗇𝖽𝖾 𝗈 𝖺𝗆...
