17 • 𝐁olo de chocolate

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POV: Amélia Morales

Mais uma semana se encerrou. Estava entediada, numa tarde de sábado chata. Não tenho mais livros para ler, meu pai disse que irá comprar mais apenas na próxima semana.

Pensei: "Por que não chamar o Mário para vim brincar?"

Liguei para o mesmo e o convidei.

- Oi, Mário, tudo bem?

- E aí, Amélia? Tudo tranquilo. - respondeu.

- Tudo certo também. Eu queria saber se você quer vir brincar na minha casa.

- Eu topo, posso levar o Rabito?

Respondi que sim e ele disse que estava a caminho.

- Denise, cadê meu pai? - perguntei.

- Está no escritório, finalizando uma conferência. - explicou - Precisa de alguma coisa, florzinha?

- Não, só queria avisá-lo que meu namorado está vindo brincar.

Denise começou a tossir.

- O quê? Namorado? - ela parecia confusa.

- É, o Mário. Eu não contei para vocês? - franzi as sobrancelhas.

- Bem... Sabemos que você e ele são melhores amigos, mas não são muito novos para pensar nessas coisas?

- A gente se ama muito e temos a mesma idade, não vejo problema! - a campainha tocou - Deve ser ele, deixa que eu atendo.

Denise soltou um riso e voltou aos seus afazeres. Abri a porta e pedi 'pro Mário entrar.

- Oi. - ele disse e me beijou na bochecha - Do que vamos brincar?

- De casinha! - respondi.

- O quê? Claro que não, sou macho com M maiúsculo! - Mário falou e bateu no peito.

- Tá bom, eu entendo. - coloquei a mão no queixo e tentei pensar em mais ideias - Que tal se assarmos um bolo de chocolate com muita cobertura?

- Mas cozinhar também é coisa de menina.

- Nada a ver, Máriozinho, agora você está sendo machista. Certeza que foi Jaime que te disse isso. - comentei - Bom, vamos fazer um teste, hoje vamos fazer o bolo. Se você não gostar, da próxima vez você escolhe a brincadeira, combinado?

- Combinado! - demos um aperto de mão.

Fomos até a cozinha e procurei o caderno de receitas da Denise. Falei para o Mário pegar os ingredientes, o que foi fácil. Difícil foi o modo de preparo.

- O que vocês estão aprontando, crianças? - Denise entrou na cozinha, acompanhada de meu pai.

- Vamos fazer um bolo de chocolate. - respondi.

Denise começou a dar uma organizada na cozinha para facilitar nosso trabalho.

- Oi, Mário, como vai? - meu pai o cumprimentou.

- O-oi, senhor Morales. - Mário nunca tinha sido apresentado para meu pai como namorado - Você já contou para ele? - sussurrou.

- Ainda não. Agora é o momento perfeito. - sussurrei de volta e limpei a garganta - Pai, você sabe que Mário era meu melhor amigo, não é?

- Por que "era?"

- Então, agora somos namorados. - segurei sua mão.

- Um dia vamos nos casar. - Mário completou.

Meu pai começou a rir, não entendi.

- Vocês não estão muito novos para pensar sobre casamento e namoro? - perguntou.

- Todo mundo nos diz isso, mas nós discordamos! - falei e cruzei os braços.

- Então, senhor Morales, você me permite casar com sua filha Amélia? - Mário perguntou.

- Permitir eu permito, - ele ainda estava tentando conter o riso - mas só daqui dez, vinte anos.

- Tudo isso? - exclamamos.

Interrompemos a conversa para começar a preparar o bolo. Eu e Mário fizemos a massa e Denise fez a cobertura. Quando ela saiu da cozinha por um instante, pegamos uma colher e raspamos a tigela. Rabito terminou de lamber a tigela.

- E agora? Cachorros não podem comer chocolate. - Mário exclamou.

- Ah, tinha só um restinho na tigela, não vai fazer mal. Aliás, sua boca está toda suja de chocolate! - falei e ri.

- A sua também! - respondeu e também riu.

Um limpou a boca do outro com um guardanapo e demos um selinho. Não sei o porquê, mas esse momento foi engraçado.

- Crianças, agora irei a massa no for... Eu saí por dois minutos e vocês já rasparam a tigela? Que rápidos. - disse Denise, colocando as mãos na cintura.

Rimos mais um pouco e brincamos com o Rabito no quintal enquanto esperávamos o bolo assar e crescer.

- Até que cozinhar não é tão chato como eu pensei. - disse Mário, jogando a bolinha para ele.

- Confessa, vai, você adorou. - falei.

- Tá bom, tá bom. É muito legal!

- Amélia, Mário, está pronto! - Denise gritou da cozinha.

Entramos correndo e o cheiro de chocolate havia impregnado na casa toda. Despejamos a cobertura por cima do bolo e esperamos esfriar. Experimentamos e tinha ficado delicioso!

- Não é porque nós que fizemos, mas ficou muito bom. - disse Mário.

- Verdade, podemos cozinhar juntos mais vezes. - sugeri - Da próxima vez, você escolhe a receita.

- Pode deixar.

Terminamos de comer e Mário disse que precisava voltar para casa. Nos despedimos e ele foi caminhando com o Rabito.

♡︎

Vários dias se passaram. Os últimos dias de aula se encerraram, enquanto as férias de julho iniciavam. Continuamos nos encontrando na casa abandonada durante esses dias, brincando das mesmas coisas, tudo igual sempre.

Um acampamento iria acontecer na escola para dar início às férias, mas como seria na escola, chamamos de acampadentro. Todos da sala confirmaram presença, menos um, mas não sei quem foi.

♡︎

𝐍𝐨𝐭𝐚: fiz esse capítulo reservado apenas para um momento deles, pois achei que não estava tendo muitos

𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪Histórias para pegar e não largar. Descubra agora