08 • 𝐑eencontro

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POV: Mário Ayala

Fiquei sabendo que Paulo voltou e no dia seguinte, todos da classe, menos o Jorge, fomos para casa de Paulo e Marcelina. Até a Maria Joaquina foi.

- Como foi fugir, Paulo? - perguntou Kokimoto.

- Você ficou o tempo todo sozinho? - perguntou Cirilo logo em seguida.

- Você arranjou um "trampo" para conseguir comida? - perguntou Jaime.

- Calma, gente, deixa ele respirar - disse Marcelina.

- Que respirar, menina, deixa eu contar - respondeu Paulo - foi maneiro, mas senti muita falta da minha família e da minha casa. Sem contar, que fiquei sem comida.

- Nossa! Que anti romântico - exclamou Laura.

- Essa é a pior das piores partes - disse Jaime.

- Encontrei um menino que estava fugindo também. Resolvemos nos juntar. Ele mora no meu bairro. O nome dele é bem esquisito: Abelardo.

- Abelardo? - perguntou Amélia, se levantando.

- Sim, por quê? Você o conhece? - questionou Paulo.

- Talvez. Ele tem cabelo preto, pele super branca e tem várias sardas?

- Exatamente isso - respondeu Paulo.

- Você precisa me levar até ele! - falou.

- Calma, Amélia, explica direito - pedi.

- Quer nos matar de curiosidade? - disse Carmem.

- Depois que minha mãe faleceu, morei por um ano em um orfanato no qual fiz um grande amigo, que por coincidência se chamava Abelardo e havia todas essas características. Nós dois éramos sozinhos, ninguém queria fazer amizade conosco, então, viramos melhores amigos. Antes de eu ser adotada, prometemos para nós mesmos que se tivermos qualquer chance de nos encontrar, iríamos nos encontrar. Éramos como irmãos - explicou Amélia.

Ela não pode se reencontrar com esse garoto. Não quero perder a única pessoa que me sinto realmente feliz ao lado.

- I'm shocked (estou chocada), é muita coincidência - disse Bibi.

- Que romântico e sentimental! Almas gêmeas sempre ficam juntas - disse Laura.

- Almas gêmeas? - exclamei.

- Tudo bem, eu te levo até a casa dele - falou Paulo.

- Espera, é melhor todos nós irmos até a casa abandonada e o Paulo leva o cara para lá - sugeri.

- Mas Mário, a casa abandonada é a sede secreta do clubinho - interviu Daniel.

- Ah, não. Queremos conhecer a tal casa de vocês - disse Valéria - não é, Davizinho?

- É, sim, só dessa vez, Daniel - disse Davi.

- Que frescura, para quê tudo isso? - perguntou Paulo.

- Ah, confesso que até eu fiquei curioso para ver esse menino  - disse Adriano.

- Tá bom, tá bom. Vamos para a casa abandonada - disse Daniel.

Chegamos e as meninas estavam todas assustadas, achando que a casa era assombrada. Paulo foi buscar o tal Abelardo.

- Eu vou embora daqui, não posso correr o risco de pegar uma infecção - reclamou Maria Joaquina.

- Não, Maria Joaquina, fica, por favor! A casa não tem fantasma, ratos ou coisas do tipo - implorou Cirilo.

Fomos até a casa abandonada, as meninas começaram a olhar torto com uma cara de nojo. Bando de frescas.

𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪Histórias para pegar e não largar. Descubra agora