26 • 𝐍ão tem jeito

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POV: Mário Ayala

— E aí, Cirilão? O que tem nessa sacola? — perguntei e mexi na sacola.

— Você quer dizer o que não tem nessa sacola. — ele respondeu e parecia desanimado.

Haviam várias bolas pequenas de futebol com a foto de um jogador. Se eu não me engano, são as bolas da promoção de um supermercado aqui perto.

— Caraca, Cirilo, você tem quase todas as bolas. — tentei motivá-lo.

— Mas falta a mais difícil. A do Cafu. — realmente, ela é a mais rara — Eu daria qualquer coisa para conseguir a última bola e ganhar o prêmio.

Pensei um pouco e talvez eu poderia aproveitar essa situação para conseguir algo do Cirilo se eu der a bola que falta a ele. Contei minha ideia ao Paulo.

— O Cirilo está quase completando a coleção das bolas. Só falta a do Cafu. — falei.

— Mas essa é a bola mais difícil de conseguir. — Paulo respondeu, dizendo o óbvio — Mas e daí?

— O Chocolate disse que dá qualquer coisa em troca dessa bola. Por exemplo: todos os seus brinquedos. — expliquei melhor e Paulo murmurou um "caramba" — Pensei que poderíamos pegar tudo do Cirilo em troca dessa bola.

Paulo concordou, mas o sinal interrompeu nossa conversa. No intervalo, continuamos pensando e vamos colar uma foto falsa do Cafu em cima de outra bola com outro jogador.

— E se o Cirilo perceber que a foto é colada? — perguntou Paulo.

— Você mesmo disse que ele acredita em tudo. — garanti — Relaxa, vai dar tudo certo.

Eu mesmo falei com o Cirilo, contei para ele que tenho a bola — o que é mentira — e pedi seus brinquedos em troca. Ele ofereceu todos os brinquedos, fiquei com um pouco de dó, mas não iria perder a oportunidade de ganhar uns brinquedinhos grátis.

Depois da aula, passei na casa do Paulo e imprimimos a foto e colamos na bola. Não ficou tão bom, mas ficou realista ao ponto do tonto do Cirilo acreditar. Pensamos em ir direto na casa dele, mas esperamos o dia seguinte para mostrar a bola na escola e só depois fazer a troca.

— Nossa, é o Cafu mesmo! — Cirilo abriu um sorrisão e queria pegar a bola para ver, mas afastei.

— Seus brinquedos já estão separados? — perguntei.

Cirilo assentiu e ficou balançando a cabeça repetidamente.

— Agora vou falar com a Maria Joaquina. Falou, Mário! — ele saiu correndo.

Só o Cirilo mesmo para ter acreditado em uma montagem dessa.

— Oi! — Amélia chegou, saltitando, e se sentou ao meu lado.

— Que susto! — guardei a bola rapidamente.

— O que você estava mostrando pro Cirilo?

— Nada demais, só um brinquedinho.

Não menti, apenas não especifiquei o brinquedo.

— Ah, tá. Mudando de assunto, como estão as coisas na sua casa? — questionou Amélia.

— Poderia estar pior. A Natália não está pegando tanto no pé do meu pai. — respondi e conversamos um pouquinho até Amélia ir ficar com as meninas.

Esperamos as aulas chatas passarem e fui na casa do Cirilo com o Paulo.

— Trouxeram?

— Claro que sim, somos homens de palavra. — Paulo disse e mostrei a bola.

𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪Histórias para pegar e não largar. Descubra agora