POV: Mário Ayala
Faz dois anos que entrei na Escola Mundial e ninguém nunca perguntou sobre meu aniversário. Não comemoro desde quando minha mãe morreu (eu tinha quatro anos). Lembrei disso pois estávamos conversando sobre aniversários no recreio.
- Lembrei da festa da Maria Joaquina do terceiro ano - comentou Paulo - foi uma sequência, primeiro o rato e depois a cara dela no bolo - riu junto com Kokimoto.
- Nossa, é mesmo - respondeu Valéria - se o Mário tivesse entrado na escola um pouquinho antes, ele não teria perdido isso.
- O que foi, Mário? Você está quieto - Jaime reparou.
- Também percebi - disse Amélia.
- É que essa conversa de aniversários, me lembrou que vocês nunca perguntaram sobre o meu, que é amanhã - respondi.
Eles pareciam chocados e indignados. Principalmente Jaime e Daniel.
- Você tem razão, Mário, vacilamos - disse Jaime.
A maioria deles começaram a se desculpar, mas se estivessem realmente sendo verdadeiros, nem iam ter esquecido.
- Desculpa, Mário, estou me sentindo uma péssima amiga, mesmo tendo entrado na escola há dois meses e alguns dias.
- Tudo bem, Amélia, seu caso é diferente - falei e fui beber água.
POV: Amélia Morales
Fiquei muito surpresa, como nunca perguntaram do aniversário dele em dois anos? Precisava fazer alguma coisa
- Gente, precisamos fazer alguma para o Mário, o aniversário dele não pode passar em branco de novo - falei.
- Ela tem razão, mas mesmo assim, não iria recompensar a mancada que demos - admitiu Daniel.
- Calma, gente, sem desânimo. Vamos fazer alguma coisa para mostrar nosso arrependimento - disse Carmem.
- Já sei! Uma festa surpresa, clássicos nunca falham - sugeriu Jaime.
Todos gostaram da ideia e iríamos realizar a festa na casa abandonada. Nos reunimos depois da aula, sem o Mário para decidir mais detalhes.
Eu e as meninas vamos fazer o bolo, os meninos vão ficar encarregados dos salgadinhos e outros doces.
Estou muito indecisa em relação ao que compro de presente. Precisa ser algo muito especial, o Mário merece! Irei escrever uma cartinha também.
POV: Mário Ayala
No dia seguinte, meu pai estava trabalhando, como sempre. Acho que ele voltaria a tarde. Pelo menos meu aniversário caiu num sábado.
- Bom dia, Natália.
- Só se for para você, moleque - respondeu - senta e tome o leite antes que esfrie.
Que mulher mais grossa, não pode nem desejar bom dia.
- Meu pai não te falou nada? - perguntei, colocando leite num copo.
- Seu pai me fala um monte de coisas que nem consigo lembrar. Mas fala logo, o que ele teria para me falar?
- É que hoje é meu aniversário - declarei.
Ela nem se importou e disse que naquela casa não tem condições para presentinho e festinha.
Passei a manhã toda com o Rabito e não recebi nenhum "feliz aniversário", nem mesmo da Amélia, achei que ela lembraria.
Mais tarde, Jaime me ligou me chamando para a casa abandonada e que comprou um presente para mim.
- E aí, Mário? - ele estendeu a mão para me cumprimentar e me deu uma caixa embrulhada num papel azul - feliz aniversário.
- Valeu - agradeci.
- Alguém lembrou do seu aniversário? - perguntou.
- Meu pai foi viajar ontem a noite. Nem ele, nem minha madrasta me disseram uma palavrinha - eu disse, quase derrubando uma lágrima - mas eu nem tô ligando.
- Ah, relaxa, eu sei de uma coisa que você vai gostar muito - Jaime assoviou.
Daniel entrou junto com os meninos, com um bolo na mão com dez velas. Atrás deles, vieram todas as meninas, cantando parabéns e batendo palmas. Alguns estavam com algumas caixas de comida na mão.
- Quero pedir desculpas em nome de toda a Patrulha Salvadora por não ter lembrado do seu aniversário todo esse tempo, Mário. Estamos realmente arrependidos, você é um amigo muito importante para nós - falou Daniel.
- Obrigado, pessoal, de verdade!
- Abre o presente que o Jaime te deu - disse Koki.
Desembrulhei a caixa e era um carrinho muito legal, parecia de colecionador. Era prata e até a portinha do porta-malas abria!
- Eu também comprei duas coisinhas para você, Mário - Amélia veio até mim e me entregou uma caixa grande junto com uma cartinha.
- Valeu, Amélia, muito obrigado - nos abraçamos e dei um selinho em sua bochecha.
- Lê a cartinha logo, Mário! - exclamou Laura.
"Feliz aniversário, meu amigo! Muitas felicidades, saúde e tudo de bom para você. Você é um garoto incrível, muito importante para mim. Sua companhia me deixa muito feliz, seu jeitinho único e a forma que você me trata ilumina meus dias. Você é meu melhor amigo, espero ter sua amizade pelo resto de nossas vidas. Com carinho, Amélia."
- Eu adorei, Amélia nunca me disseram nada parecido com isso antes! - dessa vez caiu uma lágrima do meu olho. Sorrimos um para o outro.
- Tá, muito fofo e meloso vocês dois, mas agora abre o presente, Mário! Olha o tamanho da caixa - disse Adriano.
- Calma, seus curiosos - tirei o embrulho com cuidado, era um skate e uma coleira para o Rabito - não estou acreditando! São mesmo para mim?
- Claro, seu bobo, agora o Rabito não precisa mais daquela corrente de metal e você não precisa mais pedir o skate da Alícia ou do Paulo - respondeu Amélia.
- Eu que ajudei a escolher o skate, viu? - Alícia disse.
Agradeci todos mais uma vez e aquela festinha durou a tarde toda! Esse foi um dos meus melhores aniversários.
Cheguei a conclusão que está na hora de pedir Amélia em namoro, mas acho que vou enviar umas cartas anônimas para ela antes de tudo. É sempre bom ter certeza.
Cheguei em casa às seis horas da noite e meu pai havia chegado.
- Filho! Onde você estava? Cheguei na hora do café e a Natália disse que você tinha saído depois do almoço.
- Esse garoto é um irresponsável, Germano. Só porque é aniversário dele acha que pode sair fazendo o que bem entender - Natália disse e foi para o quarto.
- É mesmo, hoje é seu aniversário! Desculpa, filhão. É tanta correria com meu trabalho de caminhoneiro que eu nem checo o calendário - meu pai disse e me puxou para um abraço - podemos sair para jantar, mas só pai e filho, o que você acha?
- Ótima ideia, pai, faz tempo que não conversamos!
Ao chegarmos no restaurante, Jaime e seu pai estavam numa mesa. Sentamos junto com eles e conversamos muito, foi incrível! Fazia muito tempo que eu não comemorava meu aniversário.
Até levantamos para dançar com as outras pessoas do restaurante.
Quando chegamos em casa e meu pai acendeu a luz, Natália estava sentada, nos esperando.
- Quando sou eu, nunca tem dinheiro para sair, não é? Mas com o seu filho, você sai! - começou o escândalo.
- Ah, Natália, me poupe. Fomos apenas comemorar o aniversário do Mário. - meu pai me abraçou - Filho, vai para o seu quarto, você não precisa escutar essa discussão.
Conversei um pouco com o Rabito e dormi. Esqueci completamente do treino de futebol, o jogo é amanhã. Mas não estamos tão despreparados, nós sempre jogamos na escola.
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𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪
Romance𝐇𝗂𝗌𝗍𝗈́𝗋𝗂𝖺 𝖽𝖾 𝖺𝗆𝗈𝗋 entre 𝖽𝗎𝖺𝗌 𝖼𝗋𝗂𝖺𝗇𝖼̧𝖺𝗌 𝗊𝗎𝖾 𝗉𝗈𝗌𝗌𝗎𝖾𝗆 𝖺 𝗆𝖾𝗌𝗆𝖺 𝖽𝗈𝗋, 𝗆𝖺𝗌 𝗅𝗂𝖽𝖺𝗆 𝖼𝗈𝗆 𝖾𝗅𝖺 𝖽𝖾 𝗆𝖺𝗇𝖾𝗂𝗋𝖺𝗌 𝖽𝗂𝖿𝖾𝗋𝖾𝗇𝗍𝖾𝗌. 𝐀𝗆𝖾́𝗅𝗂𝖺, 𝗌𝖾𝗆 𝗉𝖾𝗋𝖼𝖾𝖻𝖾𝗋, 𝗋𝖾𝖺𝖼𝖾𝗇𝖽𝖾 𝗈 𝖺𝗆...
