27 • 𝐄spalhar amor

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𝐔ltimo capítulo!

POV: Amélia Morales

Cheguei em casa, almocei, fiz tudo que sempre faço e assisti televisão enquanto esperava o Mário chegar. Decidi que iria falar algumas coisas para abrir seu olhos de vez e ver se ele muda seu comportamento.

POV: Mário Ayala

Quando eu e Paulo chegamos no clubinho, os meninos estavam muito bravos. Na verdade, estavam mais decepcionados. Já suspeitávamos o motivo dessa reunião, mas quando notamos que o Cirilo não estava presente, confirmamos tudo.

— Atenção, patrulheiros! — Daniel exclamou — Pelas atitudes e conduta reprovável dos nossos companheiros Paulo e Mário, decidimos dar um castigo. Na verdade, não é um castigo em si, e sim uma...

— Chega de papo furado, Daniel! — Jaime o interrompeu — Vocês estão expulsos, falou?

— Não, vocês não podem fazer isso! — Paulo respondeu.

— Só porque fizemos uma brincadeira com o Cirilo e com a Valéria? — completei.

— Brincadeira? Vocês sabem mais do que ninguém que essas "brincadeiras" — Davi fez aspas com as mãos — estão cheias de más intenções.

Realmente, eu e Paulo temos consciência que exageramos, mas isso não é motivo para expulsão. Depois que fizemos um drama e demos uma insistida, todos eles formaram uma rodinha — sem eu e o Paulo, claro — para decidir outra punição.

— Chegamos a outra conclusão. — anunciou Adriano após se separarem.

— Terão que limpar a casa abandonada por um mês inteiro, duas vezes por semana. — anunciou Daniel.

— Eu não concordei, tá bom? — Koki levantou a mão em rendição.

— Um mês? — exclamei junto com Paulo.

Saímos do clubinho e fui para casa da Amélia, como havíamos combinado. Espero que ela tenha um pouco de piedade do pai do nosso filho e me console ao invés de repreender.

Bati á porta, mas esqueci que tem campainha e a toquei.

— Oi! — ela me abraçou e entramos na casa.

Pelo abraço e jeito que ela disse "oi", parece estar de boa.

— Quase fui expulso da Patrulha.

— Já era de se esperar. — Amélia respondeu e se sentou no sofá — Pelo menos não foi definitivamente.

Tentei enrolar com uma conversa fiada para não chegarmos no mesmo assunto tratado na casa abandonada, mas não funcionou.

— Antes de tudo, saiba que não vou te julgar, nem nada do tipo. — ela pegou nas minhas mãos e me olhou com carinho. Parecia um anjinho — Queria começar perguntando o porquê de você ser tão áspero com as pessoas e se divertir com o sofrimento delas.

— Sofrimento? Não é assim, só ficam frustrados com as pegadinhas.

— Uma brincadeira ou outra, é de boa, até eu dou risada de algumas. Mas dessa vez, com o Cirilo, Valéria e Davi não foram pegadinhas. — eu estava prestes a responder, mas parece que Amélia ia falar mais alguma coisa — Deixa eu tentar adivinhar: você desconta a mágoa, que se transformou em raiva, de ter perdido sua mãe e de ser mal tratado em casa nas outras pessoas, não é?

Na hora que escutei isso, levei um tranco e tudo clareou na minha cabeça. Se fosse outra pessoa falando, eu até ficaria bravo, mas Amélia também perdeu a mãe e... É difícil explicar.

𝐘𝗈𝗎 𝐡𝖾𝖺𝗅𝖾𝖽 𝐦𝖾 . . . | 𝓜𝓪𝓻𝓲𝓸 𝓐𝔂𝓪𝓵𝓪Histórias para pegar e não largar. Descubra agora