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HEITOR

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HEITOR

Soltei devagar a fumaça de olhos fechados e tentei controlar a respiração tentando não pensar na dor o que naquele momento era quase impossível.

Sendo racional, depois de uma situação daquela talvez fosse hora de eu repensar se aquele era realmente o melhor caminho pra mim. Ao mesmo tempo eu sabia que meu questionamento não adiantava de nada uma vez que eu já estava dentro da situação. Não tinha ninguém mais beneficiado em tudo aquilo do que eu,  ia reclamar do que ?
Eu estava vivendo realmente o auge na minha vida vendo tudo o que eu sempre sonhei se tornar realidade. Tudo que eu sempre quis, fechar dentro de uma cúpula grande e conseguir a confianças dos homens que podiam colocar Poder e dinheiro nas minhas mãos. Eu não tinha dúvidas que tinha conseguido, eu estava dentro, e uma vez dentro, não tem como voltar!

Tentei ligar pro Gabriel de novo sentindo a adrenalina ainda no corpo e minha respiração aos poucos foi desacelerando.
Tentei ligar pro Ronan e ele também não atender; com certeza tinha alguma coisa muito errada naquela merda toda. Seria impossível eles não terem sido avisado sobre aquela operação, os cara estão com gente infiltrada e fechada até o talo e ainda sabendo que eu estaria ali junto com a Alina, tinha alguma coisa muito errada e eu queria logo saber o que tinha acontecido porque não tem a possibilidade desse tipo de erro acontecer. Eles sabiam que minha cara não podia aparecer justo aqui, muito menos a da Alina, tá maluco! Ela não tem nada haver com meus rolos, e eu sei bem que hoje nem aqui ela queria estar. Veio por minha causa, e no final da um ruim desse ? Era muito azar! Um erro desse de bobeira pode colocar tudo a perder, Não gosto nem de pensar!

Dei mais uma puxada e soltei a fumaça vendo os movimentos dela na minha frente. Ela não disse uma palavra desde que a gente chegou ali. Ela não conseguia olhar no meu olho, só mechia lá com as paradas que um dos moleques tinha trago, coisas de curativo e remédio, parecia estar com medo.

Porque ela me lembrava um anjo ? Seus traços desenhados, a boca carnuda, avermelhada.
Seu corpo pequeno, o cabelo preto escorrido batendo nas costas.
Porque ela tinha aquele olhar inocente ?
O olho dela era uma das coisas mais bonitas que eu já tinha visto, não sei explicar mais combinava com todo seu rosto.

Alguma coisa nela sempre me chamou a atenção. Mesmo sabendo os limites e o quando ela não era mulher pra mim eu nunca deixei de admirar, em todas as vezes que possível. Talvez eu mesmo nem entendesse o motivo, mas ela era diferente de muita mulher por aí. Ela me lembrava a Alina, o tempo inteiro. O jeito, a risada, o sorriso. Nunca falei nada, mas sempre admirei o fato dela ter fechado 10/10 e cuidado da minha irmã quando ela mais precisou. Na real ela fez muito mais que isso, foi pra ela quem eu deveria ser e talvez fosse só isso.

Sem querer eu meio que ouvia uma conversa ou outra dela com a minha irmã e quase esquecia a idade dela. Madura, segura, parecia uma mulher falando, não uma menina, como ela realmente é.

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