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M a r i a  L u í s a

Enfermeira: Com licença, Maria Luíza ?.- eu balanço a cabeça rápido limpando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto e não consegui ao menos olhar pra ele.- Você tem medicação pra fazer, essa é pra dor, pra enjoo e essa pra ajudar a conter o sangramento.- ela falou com um sorriso sem jeito no rosto talvez percebendo o clima em questão de segundos se instaurou ali e de novo eu balanço a cabeça esticando o braço enquanto ela ajeitava o acesso colocando a medicação.- Tudo bem ?.- ela perguntou enquanto colocava devagar a medicação e eu fechei os olhos sentindo minha boca secar ficando um pouco tonta.

Maria Luísa: Estou tonta

Enfermeira: Calma, já vai passar. Essa medicação pode deixar sua boca seca, você pode ficar tonta e um pouco enjoada, mais logo vai passar.- eu apenas assenti e ouvi ele esbarrar em alguma coisa fazendo com que meu olhar batesse no seu do outro lado do quarto.

Seus olhos estavam vermelhos, e seu rosto molhado, algo que era completamente estranho, diferente de todas as suas versões que eu já conheci. Com certeza ele não quis ser vulnerável, talvez só não tenha conseguido segurar.
Eu não demostraria, mais ver aquelas lágrimas nos olhos dele fez com que um bolo se formasse na minha garganta, algo como um nó, um emaranhado e um calafrio percorrer todo meu corpo me causando um misto de sentimentos que eu estava lutando muito pra não sentir.

Enfermeira: Prontinho, qualquer coisa é só chamar

Maria Luísa: Obrigada

Heitor: Obrigada.- a voz dele ecoou pelo quarto e fechei os olhos por alguns segundos tentando me organizar.- Você sabe se a médica que a gente tá esperando já chegou ?

Enfermeira: Eu vou me informar e aviso vocês.- eu encarei ela fechando deixando nós dois.

A sensação era das piores possíveis.
Se alguém olhasse de fora diria que éramos dois estranhos, coisa que estávamos longe de ser.
Tinha um vazio, um eco, um buraco enorme entra nós dois, e isso não era físico.

O espaço pareceu pequeno, o barulho da sua respiração pesada parecia muito mais alto do que realmente era e eu desejei com todas as minhas forças não estar ali. Fechei os olhos sentindo aquela sensação horrível de novo..

Heitor: você tá pálida, ela não disse que isso ia passar ?.- ouvi a voz dele mais perto e engoli a saliva sentindo aquele cheiro ficar mais forte.

Com certeza aquele perfume não era o dele, mas era tão forte quanto. Doce ao extremo, forte, complemente diferente do cheiro dele.
De novo me veio aquela sensação de ânsia, e parecia que eu ia desmaiar. Eu não tinha mais força pra colocar nada pra fora e por alguns segundos enquanto eu consegui pensar eu me dei conta que com certeza ele tava com alguém, aquele cheiro era de mulher, eu não tinha a menor dúvida. E pra tá forte daquele jeito não tinha outra explicação. Era fácil entender

Maria Luísa: Chama a Sol e o Cadu por favor.- minha voz saiu baixa e eu não conseguia abrir os olhos

Heitor: Se for pra chamar alguém eu vou chamar o médico, tu tá passando mal.- senti ele tocar meu braço mais não consegui reagir

Maria Luísa: Acho que você já fez o que precisava fazer pra se sentir melhor, pode ir.- eu tentei respirar fundo procurando o ar que parecia ter saído dos meus pulmões

MINHA CURAOnde histórias criam vida. Descubra agora