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"Ela olhou no fundo dos meus olhos e disse:
eu não posso te culpar por me machucar quando você sempre teve um aviso de "perigo, não se aproxime" colocado na sua testa.
eu sempre soube dos riscos de te amar.
E te amei. E amaria de novo."

H e i t o r

Heitor: FALEI PRA LEVAR A PORRA DA CHAVE CARALHO..- eu gritei girando a chave na porta e puxei ela de uma vez pra mim ficando completamente tonto ao ver ela ali..

Em qualquer hora seria difícil.
Mas naquela hora não tinha como ser pior.

Nossos olhos se encontraram com a mesma velocidade de sempre se conectando um no outro. Quando eu dei por mim eu já tava vagando por cada canto do corpo dela. Eu realmente precisava ver se ela estava bem, e não da pra explicar o nó que se formou quando eu vi aqueles hematoma espalhado por todo corpo e um maior ainda não pescoço.

Era um puta covardia a minha. Eu sabia bem disso. Mas eu não queria ver ela daquele jeito. Não era só por ela, mas eu nunca desejava ver ela daquela forma. Pela culpa, por saber que cada marca daquela tinha um dedo de irresponsabilidade meu.
Eu não conseguia colocar a cabeça no travesseiro com isso, e não era algo que ia passar facilmente.

Ela deu um passo pra frente tentando pegar em mim e quase no reflexo eu dei um passo pra trás.
Não tinha mão como mandar ela sair, foi ela colocar os pés lá dentro e olhar em volta que talvez ela tenha entendido um dos motivos deu não querer ela ali..

Eu dei a volta indo até a mesa e tirei os pinos de lá de cima levando pra cozinha mais logo ouvi os passos e a respiração pesada atrás de mim me fazendo virar e encarar ela de novo.

Seu rosto tava vermelho, e inchado e ela parecia fraca, abraçando o próprio corpo me fazendo me sentir a porra de um desgraçado.

Maria Luísa: Porque você tá fazendo isso ?.- ela falou baixo e eu engoli a saliva.- Você não precisa disso..- ela tentou colocar a mão na minha nuca e eu coloquei a mão em cima da dela rápido tirando dali e passei por ela voltando pra sala.

Heitor: como você tá ?.- eu vi ela sentar no sofá e encostei numa mesa que tinha ali sentindo minha cabeça latejar.- Não era pra você tá no hospital ainda ?

Maria Luísa: Eu assinei um termo e eles me liberaram..- ela respondeu rápido e eu neguei com a cabeça

Heitor: Porque você fez isso ?.- eu engoli a saliva e consegui olhar nos seus olhos de novo vendo em segundos eles se prenderem aos meus

Maria Luísa: Porque eu tava bem, não tava correndo mais nenhum risco.. Eu precisava vir aqui, eu precisava olhar pra você, eu precisava ficar com você..- ela falou e eu a vi engolir a saliva devagar.

Não tinha nada de bom ali naquele momento.
A dor era quase que palpável no ar.
A vontade que eu tava de pegar ela e agarrar a mim se tornou pequena perto de tudo que eu tava sentindo. Parecia que havia um abismo entre nós.

Heitor: A gente não vai conversar hoje, você só precisa ouvir tudo que eu tenho pra falar..- ela me olhou e encarou o chão depois.- Acho que quanto mais rápido a gente terminar isso vai ser melhor, pra nós dois.

Maria Luísa: Nunca foi assim, a gente sempre soube fazer isso..- ela sussurrou baixo antes de olhar pra mim.- Eu não teria vindo aqui se não tivesse que o olhar no seu olho e falar com você

MINHA CURAOnde histórias criam vida. Descubra agora